Ariadne Araújo é jornalista. Começou a carreira em rádio e televisão e foi repórter especial no O POVO. Vencedora de vários prêmios Esso, é autora do livro Bárbara de Alencar, da Fundação Demócrito Rocha, e coautora do Soldados da Borracha, os Heróis Esquecidos (Ed. Escrituras). Para além da forte conexão com o Ceará de nascença, ela traz na bagagem também a experiência de vida em dois países de adoção, a Bélgica, onde pós-graduou-se e morou 8 anos, e Portugal, onde atualmente estuda e reside.
Uma das mais belas livrarias do mundo está no Porto e teve início com um prêmio de loteria. O francês Chandron investiu o dinheiro na montagem de um catálogo, com os melhores escritores portugueses e franceses. Hoje a Lello faz 120 anos, monumento obrigatório de visita, em Portugal
Foto: Divulgação/Instagram/livraria.lello
Interior da Livraria Lello, em Portugal
A enorme escadaria vermelha, a luz do vitral colorido e dois pisos de um amadeirado escuro, ocupados do chão ao teto por estantes de livros, deixam uma fila de curiosos lá fora, doidos por um selfie.
E, no entanto, o que a Livraria Lello tem de maior interesse são as edições-tesouros — a primeira edição inglesa de Os Lusíadas, datada de 1471, à venda por 120 mil euros.
Quem vai ao Porto e não entra na Lello, perde um pedaço da história da cidade, a oportunidade de maravilhar-se com uma das mais belas livrarias do mundo e adquirir livros interessantes — com mais modéstia, claro, que os de edições especiais. Mas, passar os olhos em livros raros, como a primeira edição do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéy, vale muito à pena. Aliás, este é o livro mais vendido na Lello.
Cento e vinte anos de história, desde que o francês Ernesto Chandron ganhou na loteria e resolveu investir uns bons contos de réis no sonho de uma livraria que reunisse edições de escritores portugueses e franceses. Ao morrer, o francês deixou um espólio de mais de seiscentas edições e páginas avulsas, tudo arrematado pelo livreiro José Pinto de Sousa Lello.
Na Rua das Carmelitas, 144, há filas à porta da Lello, todos os dias. Antes, a multidão se misturava. Muitas vezes desisti de enfrentar a concorrência. Hoje a livraria organiza, com a venda de bilhetes e, ao que parece, o tempo de espera reduziu-se. Os dez euros cobrados pela entrada são descontados na compra de um livro, é a você de se encantar.
Para a visita à sala Gemma, o bilhete é de 50 euros. E você pode folhear cartas de Bob Dylan, ou a primeira edição de Moby Dick, de Herman Melville, que pertenceu a Jim Morrison. Harrison Ford e Woody Allen foram lá, folhear estas maravilhas. Quem sabe os livros que compraram?
Com certeza, para eles não teve espera na fila. Mas, em filas em livrarias não se gasta tempo, ganha-se no apetite para livros. Sentar-se, sentir o perfume das páginas, ler a orelha do livro. Levá-lo para casa, como um presente a si mesmo. Vida longa para todas as livrarias, grandes, pequenas —porque os tempos de hoje pedem livros.
A soma da Literatura, das histórias cotidianas e a paixão pela escrita. Acesse minha página
e clique no sino para receber notificações.
Esse conteúdo é de acesso exclusivo aos assinantes do OP+
Filmes, documentários, clube de descontos, reportagens, colunistas, jornal e muito mais
Conteúdo exclusivo para assinantes do OPOVO+. Já é assinante?
Entrar.
Estamos disponibilizando gratuitamente um conteúdo de acesso exclusivo de assinantes. Para mais colunas, vídeos e reportagens especiais como essas assine OPOVO +.