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Colunista de política, o jornalista Carlos Mazza coordena o O POVO Dados, núcleo que trabalha com reportagens a partir de bancos de dados. Já foi repórter de Política e repórter especial do O POVO.

Carlos Mazza política

Ciro processa Eunício após "barraco" no WhatsApp

Tipo Análise
Ex-senador Eunício Oliveira está sendo processado pelo ex-aliado (Foto: MARCELLO_CASALJR)
Foto: MARCELLO_CASALJR Ex-senador Eunício Oliveira está sendo processado pelo ex-aliado

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) entrou na última semana com dois processos contra o ex-aliado Eunício Oliveira, ex-senador e líder do MDB do Ceará. As ações - uma pedindo indenização cível por ofensas e outra cobrando que o emedebista responda pelos crimes de injúria e difamação - foram ajuizadas após circularem no aplicativo de mensagens WhatsApp diversas gravações de Eunício com ofensas e acusações a Ciro.

"Ninguém sabe se ele é de direita, de esquerda, de centro, porque cada hora ele se posiciona num interesse pessoal para enganar a população. É um verdadeiro batedor de carteira que sai gritando 'pega-ladrão'. Participou do governo Dilma, participou do governo Lula, foi ministro de todos eles, do Fernando Henrique, de Lula, de Dilma, e vem falar isso? É um canalha mesmo. Não é Cirão das massas não, é Cirão dos gritos, que usa as massas, tenta usar as massas e não consegue, porque todo mundo sabe que ele é mentiroso, que ele é cínico, que ele é enganador", diz transcrição do texto incluída no processo.

Nos áudios, Eunício rebate críticas de Ciro aos ex-presidentes do PT e ainda questiona como o pedetista estaria "pagando R$ 15 milhões" para seu atual marqueteiro, o publicitário João Santana, insinuando uso de recursos públicos no caso. Nos processos, a defesa de Ciro Gomes afirma que a acusação é mentirosa e tenta imputar crime de desvio de recursos públicos ao pedetista. Os advogados dele destacam ainda que as acusações foram feitas sem qualquer apresentação de prova, com o objetivo de atacar a reputação do ex-ministro.

Briga antiga

As disputas entre Ciro e Eunício não são exatamente novidade na política cearense. Desde 2014, quando os dois líderes romperam politicamente na eleição de sucessão de Cid Gomes (PDT) no Governo do Ceará, os dois moveram quase 40 processos um contra o outro. O fato de Ciro aparecer como autor do processo, no entanto, costuma ser mais raro. Na maioria das vezes, foi Eunício quem processou o pedetista em ações por dano moral.

Em maio, o ex-ministro chegou inclusive a ser condenado a pagar R$ 100 mil ao emedebista por ter chamado ele de "corrupto". O caso ainda tem recursos em julgamento. Outros processos envolvem ataques e acusações diversas partindo de Ciro, desde "lambanceiro" a "pinotralha" - "uma mistura de pinóquio com irmão metralha", explica.

Inferno astral

A semana se anuncia como uma das mais duras para o governo Jair Bolsonaro. Já na terça-feira, a CPI da Covid começa a ouvir dirigentes de empresas ou órgãos públicos ligados a compras de vacinas sob suspeita. É tudo que o presidente não precisava agora, em momento de reprovação recorde nas pesquisas e volta de manifestações de rua.

Embora a "tropa de choque" do governo - no Congresso e até mesmo entre a população geral - seja fiel e rápida em descartar todo o tipo de acusações, processos de compra hoje questionados pela CPI da Covid possuem inúmeras incongruências ou perguntas sem respostas. A julgar pelo nervosismo das últimas manifestações de Jair e seu entorno sobre o assunto, a coisa tende a complicar ainda mais.

 

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