Davi Rocha é um gamer inveterado e professor universitário com uma pitada de publicitário. Sua paixão por videogame o leva a tentar desvendar as camadas mais profundas das narrativas interativas e mecânicas dos jogos atuais. Com uma análise apurada e uma abordagem que une teoria e prática, apenas aborda os principais lançamentos, mas também conecta pontos interessantes entre a cultura pop e estratégias de marketing e comunicação
VR ainda Vive! Review de Thief VR: Legacy of Shadows
O retorno da franquia de espionagem acerta em cheio na interatividade física e ambientação sombria, porém sofre com as limitações técnicas atuais da Realidade Virtual
Thief VR: Legacy of Shadow marca o retorno de uma clássica franquia de furtividade, agora adaptada para realidade virtual, disponível no PSVR2, Meta Quest e também para PC.
O jogador assume o papel de Magpie, uma ladra habilidosa que, após um acidente mágico, passa a ouvir a voz de Garrett, o protagonista dos jogos antigos da série Thief.
A trama gira em torno do roubo de artefatos místicos para impedir um ritual perigoso, ambientada em um cenário "steampunk" sombrio que remete visualmente ao estilo de games como Dishonored e The Elder Scrolls. A história funciona de maneira funcional, servindo mais como pretexto para levar o personagem de uma invasão a outra do que como uma narrativa densa e complexa.
O ponto alto da experiência está na interatividade tátil e na suavidade dos controles de movimento em VR, que convertem ações simples em situações cheias de tensão.
Estender o braço fisicamente para puxar uma chave do cinto de um guarda ou usar gazuas para destrancar uma fechadura, percebendo a vibração precisa do controle ao abrir trancas, é extremamente gratificante.
O jogo oferece opções de imersão interessantes, como desativar a interface visual para abrir portas apenas pelo tato e som, ou até utilizar o microfone do headset para que ruídos reais do jogador, como tosse ou respiração forte, alertem os inimigos, exigindo silêncio absoluto na sala.
Visualmente, o título acerta na atmosfera lúgubre necessária para um jogo de furtividade. A iluminação fraca, vinda de velas e da lua, cria sombras essenciais para a jogabilidade, indicada por uma joia brilhante na mão do personagem que mostra o quão visível você está.
Os gráficos são claros e competentes para a proposta, criando ambientes convincentes como mansões e esgotos, ainda que não cheguem ao nível de grandes superproduções do mercado. O som cumpre seu papel fundamental, permitindo identificar a posição de passos e vozes, algo vital para planejar a próxima ação sem ser visto.
Apesar da excelente imersão física, a inteligência artificial dos inimigos representa o maior tropeço da produção, quebrando a credibilidade do desafio.
Os guardas demonstram em vários momentos durante a jogatina comportamentos erráticos, ora possuindo uma visão de águia, ora ignorando o jogador que está bem na frente deles, além de desistirem muito rápido de procurar intrusos.
Existem relatos de falhas técnicas frustrantes, como a impossibilidade de interagir com itens ou problemas na calibração de altura que impedem o personagem de alcançar lugares altos, obrigando o reinício completo da fase e a repetição de cenas de história que não podem ser puladas.
A campanha oferece cerca de cinco missões, totalizando entre 7 e 8 horas de duração. O fator de rejogabilidade existe através da busca por caminhos alternativos, como janelas abertas ou tubulações, e a coleta de todos os tesouros escondidos, embora o desfecho das missões seja linear.
Thief VR é uma experiência recomendada para quem deseja sentir na pele a tensão de se esconder nas sombras e manipular o mundo virtual com as próprias mãos, desde que o jogador tenha paciência com falhas técnicas e inimigos pouco inteligentes.
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