Marcos Sampaio é jornalista e crítico de música. Colecionador de discos, biografias e outros livros falando sobre música e história. Autor da biografia de Fausto Nilo, lançado pela Coleção Terra Bárbara (Ed. Demócrito Rocha) e apresentador do Programa Vida&Arte, na Nova Brasil FM
Foto: NOEMI SANTANA/DIVULGAÇÃO
O multi-artista baiano Moisés Santana é tema da coluna Discografia
Era aniversário de São Paulo, domingo, 25 de janeiro, e Luiz Carlini à frente do Tutti Frutti (a lendária banda dos anos 1970), antes de começar o show de comemoração dos 472 anos da cidade no Blue Note, ao lado de Lucinha Turnbull, dedicou à apresentação a um ardoroso admirador do grupo. Mas sobretudo, ao compositor, cantor, pesquisador, músico e assessor de imprensa, autor de um documentário com a banda, Moisés Santana, que faleceu neste dia em Salvador.
"Um dos maiores fãs da nossa banda, da fase Rita Lee & Tutti Frutti. Ele me surpreendeu com a exposição sobre nosso trabalho, no SESC Belenzinho" (*), relembra Carlini. "Apresentou tanta coisa - matérias, fotos - garimpou coisas raríssimas que nem eu sabia que existiam. Aquilo me impactou. Em outra oportunidade, fez um documentário, esteve no meu estúdio, e fizemos bastante coisas. Me despeço agradecendo por tudo que fez, ao legado que deixou para o Tutti Frutti. O rock brasileiro agradece". Comovida, Lucinha também citou a exposição. "Ele jamais será esquecido por nós".
A partida de Moisés, aos 64 anos, causou comoção na cena independente, especialmente a que surgiu em São Paulo nos anos 1990/2000, período em que ele teve participação ativa com lançamentos de seus álbuns; e como produtor e assessor de imprensa em sua empresa Tambores Comunicação (com Beto Previero).
Muitas mensagens nas redes ressaltaram sua trajetória, a maioria vinda de artistas que trabalharam com ele, como Jussara Silveira, Gigi Magno, Rogério Bastos, Arnaldo DeSouteiro, Romulo Fróes, Paulo Padilha, Fernando Velázquez, Décio 7, Vanessa Bumagny, Nanah Correia, Roseli Martins, Ana Luiza, Norberto Vinhas, Fernando Forni, Olivia Genesi, Carlos Zimbher, Loop B, Beba Zanettini, Edvaldo Santana, Ana Lee, Graco, Claudio Fillus, Paulo Bira, Sérgio Pinto, Rosa Estevez, Gigi Trujillo, Ana Luiza, Regina Machado, Laura Finocchiaro, Jeff Dias, Mário Montaut, Leandro Paccagnella, Ione Papas, além de jornalistas, produtores, pesquisadores e amigos(as).
Ponte Salvador/São Paulo - Nos anos 1980 o rock "estourou" no Brasil, como "a onda da vez". Rita Lee & Tutti Frutti abriram o caminho em 1975 com o álbum "Fruto Proibido". E além do Sudeste, na Bahia (no Ceará! Em Brasília, pelas cidades do País), emergiram artistas cheios de ideias e desejos de transgredir. Em Salvador, o jovem Moisés Santana, nascido em Catu, integrava a banda Moisés Ramsés e os Hebreus (eu falei faraó?). Ele também migrou para São Paulo. Admirador do Pessoal do Ceará e da Massafeira Livre, logo nos tornamos amigos e parceiros em canções e projetos.
Em 2002, Moisés lançou o primeiro álbum solo, incluindo "Os dois", gravada por Gal Costa em 2005 no álbum "Hoje". Revisitou clássicos da MPB, como "Alegria" (Assis Valente/Durval Maia), "Triste Bahia" (Caetano Veloso/Gregório de Mattos), "Bala com bala" (João Bosco/Aldir Blanc) e "Marginália 2" (Gilberto Gil/Torquato Neto), além de suas composições, entre elas "Dizer sim" e "No meio da rua". Ele esteve por dez anos na Lua Discos, gravadora fundada pelo compositor Thomas Roth em 1998, que lançou seus discos.
O segundo álbum, "Re/mix re/mexa", reúne produtores que remixaram suas canções. Entre outras, "Homens" (por JR Tostoi); "Salve!" (Por Loop B) e "Compromisso" (DJ Dolores). O CD "Terra em trânsito", veio em 2005, com participação dos ídolos Maria Alcina na autoral "Sessão Extra", e Arnaldo Baptista em "Cê tá pensando que eu sou loki?". Alcina também gravou uma música sua, "Espaço Sideral" (do disco "Maria Alcina Confete e Serpentina", 2008). Continuando a revisitar pérolas, Moisés gravou "Beira-mar" (Ednardo), com arranjo do saudoso Mau Sacht; "O Ouro e a Madeira" (Ederaldo Gentil) e "Chão da Praça" ( Moraes Moreira/Fausto Nilo). A música "Na Teia", de sua autoria, foi incluída em compilações internacionais, com mais de 700 mil plays no Spotify.
Em 2009 veio o álbum "Verso Alegoria" com a maioria de canções assinadas por ele, como "Tem Celebridade" e "O Desejo", além de "Juízo Final (Nelson Cavaquinho/Elcio Soares), em que faz dueto com a cantora e atriz Virgínia Rosa. Participam também Andreia Dias, Gigi Trujilo, Suzana Sales, Vanessa Bumagny e Wanderleia. Moisés deixa um legado bonito, sobretudo de alegria, da Bahia para o mundo.
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