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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é coordenador das plataformas digitais do O POVO. Já foi editor adjunto de política e editor-executivo de Cidades no O POVO.

Opinião

Campanha do PDT baterá em Bolsonaro e em quem se aliar a ele

Sarto é o mais experiente e o com mais história ao lado dos Ferreira Gomes
Sarto é o mais experiente e o com mais história ao lado dos Ferreira Gomes

O primeiro debate entre pré-candidatos do PDT, realizado ontem, foi até mais informativo do ponto de vista político do que imaginava. Como como primeiro encontro entre colegas de partido, sem que haja clima de enfrentamento interno, seria de se esperar uma conversa bem insossa, água com açúcar. Bom, não foi exatamente eletrizante, mas foi reveladora em vários aspectos. Um é sobre personagens. Havia interrogação, sobretudo, sobre desempenho de Samuel Dias, sempre muito retraído, sem nunca antes ter demonstrado disposição para um movimento que fosse para virar candidato. Ontem ele mostrou. Idilvan Alencar era outra dúvida. Por ter sido o último a entrar no debate, ter trajetória política recente. Ferruccio Feitosa, como Samuel, nunca foi candidato. Mas foi pré-candidato em 2012, coordenou os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 em Fortaleza. Teve visibilidade que os outros não tiveram. José Sarto e Salmito Filho já são velhos conhecidos de quem acompanha política. Cumpriram o que deles se esperava.

Uma coisa ficou clara: o presidente Jair Bolsonaro será alvo da campanha governista. Não vai ter conversa de paz e amor. Será usado para atingir quem se vincular a ele no Ceará. Na leitura pedetista, esse nome é Capitão Wagner (Pros).

Carisma e além da continuidade

Idilvan Alencar foi um dos destaques. Era quem estava mais leve e à vontade. Usou humor. Mostrou maior carisma. Disse que Bolsonaro "só tem farofa para falar." E disse que, embora seja da área da educação, sua prioridade seria emprego. Afirmou ainda: "Ser candidato só para defender legado da gestão é pouco. Defendo legado do Roberto, mas a gente tem de avançar." Diagnóstico correto, mas que pode desagradar.

Ferruccio incisivo

Ferruccio Feitosa começou mais devagar, mas depois elevou muito o tom. Chamou Bolsonaro de "prepotente, desastrado, arrogante" e também criticou o PT por não ter apoiado Ciro Gomes. Pode criar um problema com o aliado que o PDT ainda tenta trazer.

Perfil acadêmico

No bloco dos mais experiente, Salmito Filho apresentou-se com perfil diferente dos demais. Mais o acadêmico que o político. Enfatizou a própria formação, as interpretações sobre a sociedade fortalezense e brasileira. Tentou mostrar a qualificação para o posto.

Sarto é o mais experiente e o com mais história ao lado dos Ferreira Gomes
Foto: Alex Gomes, em 19/7/2019
Sarto é o mais experiente e o com mais história ao lado dos Ferreira Gomes

Crítica à intolerância

Mais experiente de todos, José Sarto bateu no bolsonarismo, de forma mais ampla, com uma crítica à intolerância. Falou que "ondas de obscurantismo, preconceito e conservadorismo exacerbado tentam chegar à nossa Cidade."

A estreia política de Samuel

Samuel era a principal interrogação por ser aquele com menos visibilidade até hoje e ser o preferido do prefeito Roberto Cláudio. Cotado de longa data, portava-se de forma tímida, retraída. Pela primeira vez, colocou o pescoço para fora para fazer política. Nunca tinha transparecido vontade de concorrer. Ontem ele mostrou que quer ser candidato. E tem se preparado - passou visivelmente por media training. Começou bem ao pedir licença a quem sofre com a Covid-19 e dizer que só trata de eleição agora por força do calendário. Fechou a primeira fala de forma simpática, ao dizer que estava nervoso ali "entre craques". Foi dele a crítica que vinculou mais diretamente Bolsonaro a Wagner. "Maior perigo que pode existir são os clones dos clones. A gente tem o Bolsonaro sendo clone do Trump. Mas existem também os clones locais, que se espelham na nossa política e vão tentar a Prefeitura para desconstruir esse trabalho daqui."

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