Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
JÚNIOR Mano é valioso para Cid Gomes
O senador Cid Gomes (PSB) demorou a se pronunciar sobre Junior Mano (PSB). Esperou mais de uma semana depois da visita da Polícia Federal ao gabinete e aos endereços do deputado federal. Porém, quando resolveu falar, fez uma defesa efusiva. Como ninguém tinha feito até então.
Senão, vejamos: o PSB do Ceará ficou calado. O líder da bancada na Câmara, deputado Pedro Campos (PE), divulgou nota no dia da operação. “A Liderança do PSB na Câmara dos Deputados tomou conhecimento hoje da operação da Polícia Federal que investiga a atuação do deputado Júnior Mano”. Que bom que ficou sabendo. E completa: “Esperamos que todos os fatos sejam investigados e esclarecidos o mais breve possível, respeitando o devido processo legal e a ampla defesa”. Não é o posicionamento mais convicto ao ficar ao lado dele.
O governador Elmano de Freitas (PT), em entrevista ao O POVO, disse não conhecer os autos do processo, então evitou opinar diretamente sobre o assunto. E pregou cautela, seja para condenar ou para absolver.
Ele ainda aproveitou para responder a Capitão Wagner (União Brasil), que havia cobrado o governador sobre o assunto. “Ele fez uma vinculação a mim, mas o Júnior votou nele. E eu, pessoalmente, até fiquei triste com ele, porque eu não imaginei que ele fosse capaz disso. Atacar alguém que votou nele, não em mim”. Wagner o rebateu.
Sobre uma eventual candidatura majoritária do deputado, o governador jogou no colo do ex-governador: “Na verdade, o deputado Júnior Mano, nesse momento, era uma posição do Cid (Gomes) dentro do PSB, de apresentar o nome dele para o Senado”. Justiça se faça, na primeira ocasião em que eu ouvi Cid apregoar a tese, ele falou: “Olha o que eu estou dizendo, não estou colocando essa responsabilidade no nome de ninguém, só na minha responsabilidade”.
Ainda sobre o partido, em março, o presidente estadual, Eudoro Santana, também não se comprometia com o deputado e inclusive dizia que a filiação não passou por ele, mas pela direção nacional. "Nós não temos tido nenhum contato. Ele entrou pela nacional, ele tem a entrada dele foi informada pela executiva aqui pelo senador Cid. Denúncias são coisas que existem e nós defendemos toda transparência que quem é culpado tem que pagar”, afirmou na ocasião.
Em resumo, não havia ninguém comprando muito a bronca de Júnior Mano, não. O senador colocou o peito na frente. Por que ele fez isso?
Maior aliado
Cid argumentou que foi tomar o lado de alguém que a intuição o diz ser “do bem”. Considera que o parlamentar é “alvo de uma injustiça com um milhão de interesses escusos, desonestos, de gente mau-caráter da política".
É fato que o senador tem no histórico os acenos a pessoas que estão em baixa. Em dezembro de 2012, quando o Castelão foi reinaugurado após as obras para a Copa, ele tomou uma vaia ao elogiar Ricardo Teixeira, que havia deixado a presidência da CBF e viria a ser banido do futebol por denúncias de corrupção. “Gostaria neste momento de agradecer a Ricardo Teixeira. Nunca vou esquecer do apoio que ele nos deu", falou, até ser interrompido pelos apupos. “É muito fácil a gente falar mal de quem não está aí para se defender. Ele ajudou a trazer para cá um jogo do Brasil na Copa do Mundo e um da Espanha na Copa das Confederações. Não tem estádio brasileiro que vá ter mais e melhores jogos do que o Ceará", argumentou.
Um fator, sem dúvida, a ser considerado é que Júnior Mano se tornou o aliado mais valioso de Cid. Sem o controle do Poder Executivo hoje, a influência do senador decorre não apenas do mandato, mas do fato de comandar um grupo de numerosos prefeitos e parlamentares.
Junior Mano é, neste momento, o único deputado federal do PSB. E o próprio Cid citou haver 29 prefeitos ligados a ele, disparadamente a maior quantidade entre os deputados federais. Ele estimou que o segundo colocado provavelmente seria Mauro Filho, com em torno de 10. Não sei se todos os prefeitos de Mano estão no partido, mas representariam quase metade dos 65 prefeitos que o partido elegeu. Se perdesse essa bancada, o partido seguiria grande, mas bem menor que o PT.
A filiação do parlamentar foi anunciada no fim do ano passado, quando ele foi expulso do PL. Foi a adesão mais relevante que o senador viabilizou até agora. Essa é uma das razões para o senador protegê-lo e oferecer a posição do partido na chapa majoritária.
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