Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Não acredito que os irmãos façam jogo combinado, mas em família há sintonias que não precisam ser verbalizadas. O entrosamento vem de berço. De maneiras diferentes, há um movimento coerente
Foto: Camila de Almeida, em 6/8/2016
IRMÃOS Ivo, Ciro e Lia indicam que podem estar juntos. E Cid?
Os Ferreira Gomes ocupam espaço preponderante entre as famílias que já passaram pela política do Ceará. Em particular desde 2022, deixou de haver uma ação unificada. Mas há padrões e papéis seguidos.
Único a não ter disputado eleição, mas com passagens por vários cargos, Lucio Gomes é presidente da Companhia Docas do Ceará, cargo federal.
Ao longo de quase 30 anos, Ciro entregou a Cid o comando das articulações da família no Ceará. Com isso, a partir de Sobral, foi tomado um caminho que o irmão mais velho provavelmente nunca trilharia: o parceiro preferencial foi o PT. Em 2022, veio o rompimento.
Não acredito que os irmãos façam jogo combinado, mas em família há sintonias que não precisam ser verbalizadas. O entrosamento vem de berço. De maneiras diferentes, há um movimento coerente.
Os papéis que cabem aos irmãos
Vale lembrar como se deu a construção da candidatura de Cid Gomes a governador, em 2006. O grupo era aliado ao governo Lúcio Alcântara. A parceria entre Ciro e Tasso Jereissati (PSDB) chegava a duas décadas. Havia muitas divergências nas bases locais. Aliados estimulavam o rompimento, mas os dois sempre se entendiam. O cenário era mais complexo porque o tucano era um dos líderes nacionais da oposição e Ciro era ministro do governo, já então, do presidente Lula. E se estava no meio do escândalo do mensalão.
O rompimento entre os Ferreira Gomes e o governo começou a ser visível a partir da atuação de Ivo Gomes, como deputado na Assembleia Legislativa. Cid, no primeiro momento, estava morando no exterior.
De Ivo partiam as críticas a Lúcio, os votos contrários. Certa vez, com Cid já de volta, perguntei numa entrevista se Ivo era uma voz autorizada por ele. O hoje senador respondeu: “Ivo é uma voz autorizada por ele mesmo”. Achei na ocasião uma resposta protocolar, mas aquela frase ganha hoje, para mim, sentido diferente. É possível que, realmente, não houvesse combinação — ao menos não nos detalhes — sobre o que Ivo fazia na Assembleia. O que não significa que não estivessem em sintonia e caminhando na mesma direção.
Ciro, por sua vez, deu declarações de que estava tentando segurar a base e evitar a ida para a oposição. Creio, também, que ele podia estar sendo sincero. Mas não conseguiu o objetivo declarado. Quando Cid se tornou candidato, ele seguiu com o irmão, na linha de frente. Romperam com Lúcio, mas não com Tasso. (Isso ocorreu quatro anos depois, por iniciativa do então senador.)
Uma diferença: Ciro disse que a manutenção do apoio a Lúcio era intenção, mas não me recordo de ele ter verbalizado publicamente ser um compromisso. Cid fala isso. Em relação, especificamente, a Elmano.
Não me recordo de Cid anunciar publicamente um acordo e não cumprir. Embora a forma como o faz possa variar.
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