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As chances de Elmano e Ciro e a expectativa sobre quem vai ganhar
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

As chances de Elmano e Ciro e a expectativa sobre quem vai ganhar

O que pode eleger Ciro é aquilo que derrotou Roberto Cláudio em 2022
Tipo Opinião
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PALÁCIO da Abolição, sede do Governo do Ceará (Foto: Thaís Mesquita, em 16/10/2022)
Foto: Thaís Mesquita, em 16/10/2022 PALÁCIO da Abolição, sede do Governo do Ceará

A oposição, tradicionalmente, sofre em eleições no Ceará. Mas, para 2026, ela parece chegar preparada como nunca nos últimos 20 anos. Há a improvável aliança de Capitão Wagner (União Brasil) com Ciro Gomes (PSDB) e Roberto Cláudio (União Brasil). Membros cearenses do bolsonarista PL asseguram que fecharão acordo com a candidatura tucana, mas há muitas questões a serem resolvidas e forças poderosas, no Ceará e fora, que operam contra o entendimento.

O governador Elmano de Freitas (PT) caminha para ser o quinto na história a tentar a reeleição. Quatro conseguiram. Ele poderá ser o segundo a ter um adversário realmente competitivo. Diferentemente de Tasso Jereissati (PSDB) em 1998, Cid Gomes (PSB) em 2010 e Camilo Santana (PT) em 2018, ele não chega com favoritismo avassalador, a se confirmar o cenário hoje mais provável.

Viés anti-incumbente?

A política tem mudado bastante nos últimos dez anos. O que aconteceu no passado não necessariamente se repetirá no futuro, mas indica o quão raro ou mesmo improvável é um fenômeno. Padrões têm sido quebrados no mundo. Fala-se de uma possível tendência internacional “anti-incumbente”. Até a década passada, estar no cargo era uma vantagem muito grande para quem concorria. Mais recentemente, discute-se a hipótese de a situação estar mudando. Os indicativos são ainda iniciais.

Nos Estados Unidos, Donald Trump perdeu para Joe Biden quando estava no cargo e voltou após quatro anos como oposição. No Brasil, nenhum presidente tinha perdido a reeleição até Jair Bolsonaro (PL), em 2022. Em Fortaleza, todos os prefeitos que concorreram se reelegeram, até José Sarto (PSDB), em 2024. São fenômenos específicos, resultados de desaprovação, ou há algo mais estrutural?

O que pode eleger e reeleger um governador

Bem, o fato é que, no Ceará, não basta o candidato ser popular para ser eleito. Todos os governadores que saíram vitoriosos desde a redemocratização uniram alguns atributos. Um deles foi sólida base de apoio. Partidos, prefeitos e deputados. Nem sempre tiveram maioria absoluta, como demonstrou Cid Gomes em 2006. Em 1986, Tasso Jereissati era o candidato do governador Gonzaga Mota e venceu na maior parte dos municípios, mas o adversário, Adauto Bezerra, era forte no Interior, principalmente no Cariri. A disputa entre Tasso e os coronéis era equilibrada na política. Ciro não equilibra esse jogo contra Elmano. Essa é uma vantagem para o atual governador capaz de ser determinante. Isso pode derrotar Ciro.

O que tem potencial para derrotar Elmano? Uma migração em massa, a perda de deputados e prefeitos. E isso é possível se eles acharem que Ciro irá ganhar. Por isso é tão importante a disputa da narrativa política e a construção de imagens.

O primeiro eleitor a ser convencido

Não basta estar forte, é preciso mostrar força — e convencer disso. Antes do eleitor, é preciso persuadir os líderes políticos. Trata-se de um público mais graduado.

O Ceará assistiu a semelhante migração na eleição passada. Em 2022, o PDT de Roberto Cláudio tinha a maioria dos prefeitos e deputados. Era percebido como favorito, enquanto Elmano era uma candidatura inesperada. Os gestores municipais começaram um deslocamento visível, puxados por Júnior Castro (PT), então presidente da Associação dos Municípios (Aprece) e hoje secretário de Governo da Prefeitura de Fortaleza. A fila dos parlamentares teve à frente o hoje prefeito Evandro Leitão (PT), então presidente da Assembleia, num movimento menos explícito pouquinha coisa. Em declarações seguidas de apoio a Elmano e desfiliação do PDT, a campanha de Roberto desidratou.

O que pode eleger Ciro é aquilo que derrotou Roberto Cláudio em 2022. Mas é mais fácil ocorrer esse fluxo na direção da máquina do que no sentido contrário.

Foto do Érico Firmo

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