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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

O que Tasso quis dizer com o que disse

É possível que a declaração sobre deixar a briga pela vaga ao Senado não seja uma coisa tão simples quanto fazem crer as reações iniciais. Nos bastidores, o PSDB está criando uma convicção própria de que tem nome, fora da opção do senador, para oferecer às conversas sobre a sucessão
Tipo Opinião
Carlus Campos (Foto: Carlus Campos)
Foto: Carlus Campos Carlus Campos

A declaração em que o tucano Tasso Jereissati deu a entender que estava deixando a briga pela vaga de senador do Ceará em 2022, durante rápida conversa à porta da CPI da Covid com o bom jornalista cearense Igor Gadelha, nos corredores do Congresso, talvez mereça uma análise mais profunda para se entender melhor os recados que embute. É possível que não seja uma coisa tão simples quanto fazem crer as reações iniciais.

Na relação mais imediata e direta que a fala permite, sobre o cenário da disputa pela vaga ao Senado, já surge um desafio gigantesco justificando-a: um eventual projeto de reeleição significaria enfrentar a muito provável candidatura de Camilo Santana, atual governador, que aparece nas pesquisas de hoje muito à frente dos adversários. Mesmo quando Tasso está na lista, muito embora ele (o tucano) seja quem ainda mais consegue se aproximar do petista.

Pode ser errado, porém, entender isso como um gesto simples e que o anúncio de que estaria fora da confusão colocaria Tasso como ausente das conversas que levarão à formação dos palanques para 2022, no Ceará e no Brasil. É o contrário, aliás. Sair da zona onde está hoje o senador tucano, deixando de fazer parte do retrato da disputa pela vaga que ele próprio ocupa, facilitaria seus passos em outras perspectivas, considerando-se, em especial, que o quadro cearense passou a apresentar uma cara mais engraçada com a constatação prática de que inexiste aquilo que se costuma chamar de "candidato natural" à sucessão de Camilo Santana nas hostes governistas. Lembrando-se que o PSDB faz parte desta base.

Aquela ideia de se criar um consenso em torno do nome do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, não conseguiu prevalecer nem mesmo dentro do PDT, onde decidiu-se abrir uma discussão interna da qual participam, além dele, a atual vice-governadora, Izolda Cela, o deputado federal Mauro Benevides Filho e o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão. Não deixa de ser algum sinal de fragilidade que pode animar a coisa entre as forças aliadas ao abrir uma possibilidade que até outro dia não se considerava a sério no debate. Traduzindo: já não parece tão impossível imaginar uma solução fora do ambiente pedetista.

Como bem diz uma fonte tucana, a melhor forma de interpretar as palavras de Tasso é dando-lhes amplitude e evitando considerá-las apenas no contexto da eleição para o Senado. Numa forma de dar mais clareza ao que dizia, sugeriu que a aparência de estar fechando uma porta pode, na verdade, esconder o objetivo mais verdadeiro de abrir uma série de outras. Até porque, o contexto nacional, tão confuso quanto o local, também precisaria ser inserido dentro da equação e isso aumenta muito a complexidade das conversas e dos objetivos que estejam buscando cada um dos que dela participem.

Também para eliminar falsas expectativas, a mesma fonte adianta que o nome de Tasso Jereissati deve ser mantido fora de qualquer especulação local. Nos próximos dias sai uma decisão final dele sobre as prévias tucanas que levarão à escolha do candidato à presidência da República, que se anunciou propenso a disputar, embora as conversas recentes tenham servido para aproximá-lo ainda mais do governador gaúcho Eduardo Leite. Os dois, inclusive, tiveram encontro em Brasília na semana passada e a possibilidade de uma composição interna entre os dois cresceu bastante desde então. O que acontece, voltando ao cenário cearense, é que o PSDB está criando uma convicção própria de que tem nome, fora da opção do senador, para oferecer às conversas. A coluna perguntou à fonte quem poderia ser e ela admitiu dar como pista apenas a primeira letra. E soltou: "Doutor Cabeto". Risos e ponto final.

senador Eduardo Girão(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado senador Eduardo Girão

A causa do ativista

O senador Eduardo Girão (Podemos) procura a coluna para reafirmar seus compromissos do tempo de militância cidadã em defesa do desarmamento no Brasil. "Pelo contrário", disse, reagindo à ideia de que está calado diante do avanço do presidente Jair Bolsonaro sobre o processo de flexibilização da posse e da compra de armas, através de falas e de decretos. "Estou aqui por causas e não as abandonei", disse o parlamentar, que na época do plebiscito foi um dos líderes do vitorioso movimento que manteve as restrições ao comércio de armas no País.

A postura do senador

Girão queixa-se de ter "apanhado muito nas redes sociais" devido a um post seu no twitter, que apresenta como demonstração de que peitou o poder no qual fala que a "compra de fuzis e canetadas do STF mais atrapalham do que ajudam o Brasil a encontrar paz". Nenhuma referência ao governo, zero crítica a Bolsonaro e até uma citação do Supremo, ou seja, seguem intactas as razões para se exigir do "independente" senador mais cobrança ao presidente e ao Palácio do Planalto com garra semelhante à que demonstra nos ataques aos governadores do Nordeste pelo combate à covid-19.

O caso de Limoeiro do Norte

A história do "devedômetro", a elogiada iniciativa do Sindicato dos Médicos de divulgar mensalmente uma relação de prefeituras cearenses que devem salários aos profissionais da categoria, é contestada em pelo menos um dos casos, de 17 apontados na última versão. A atual gestão de Limoeiro do Norte, um dos municípios citados, reclama que briga na justiça para ter o nome retirado da lista, alegando que os tais atrasos ainda estão sendo objeto de contestação e não existe decisão final. Aliás, informa que o problema é herdado de administrações anteriores.

Capitão Wagner (Pros) (Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados Capitão Wagner (Pros)

Bateu e não levou

O deputado federal Capitão Wagner (Pros), bolsonarista e pré-candidato ao governo do Ceará em 2022, faz postagem agradecendo ao governo federal porque "o país está vencendo a guerra contra o vírus" e elogiando o processo de "distribuição de vacinas". Um dos comentaristas do post pergunta "se ele não tem vergonha" e destaca que "teu presidente fez de tudo pra atrasar a vacinação e tu não deu um pio... É apenas mais um lambedor de botas de miliciano". Capitão Wagner volta ao espaço e é sucinto na resposta direta ao crítico: "Jesus te ama!". Baixa o pano.

A chapa quente do MDB

O empresário Gilmar Bender, atualmente filiado ao PDT, e o deputado estadual Nelinho Freitas, hoje no PSDB, são as novas apostas de Eunício Oliveira para a chapa do MDB que ele pretende forte ano que vem na disputa pelas 22 vagas que o Ceará tem direito na Câmara Federal. A situação está sendo organizada para no momento certo, quando a janela de oportunidade de mudança se abrir para os parlamentares, as filiações acontecerem num clima de muito barulho, especialmente no Cariri, base política dos dois. Não será surpresa se o próprio Eunício estiver no time de candidatos.

A caminhada de cada um

Existe a programação de debates traçada pelo PDT para os quatro pré-candidatos ao governo e, no paralelo, cada um cuida de sua agenda para se fazer conhecido e identificado Ceará adentro. O ex-prefeito Roberto Cláudio, preferido da cúpula, esteve sexta-feira passada em Senador Pompeu, onde recebeu título de cidadão e fez palestra, a convite do Codessul, sobre os desafios contemporâneos das cidades. Seu anfitrião, o prefeito pedetista Maurício Pinheiro, é simpático ao nome de RC na disputa interna, embora não diga.

 

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