João Paulo Biage é jornalista há 13 anos e especialista em Comunicação Pública. De Brasília, acompanha, todos os dias, os passos dos parlamentares no Congresso Nacional e a movimentação no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. É repórter e comentarista do programa O POVO News e colunista do O POVO Mais
6 x 1: Nos bastidores, oposição trabalha contra redução da jornada
Deputados tiveram reuniões para definir posicionamento, que é diferente publicamente. Em reuniões com Hugo Motta, líderes pediram que a votação não ocorra este ano
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados
A PEC que discute a escala 6x1 não está entre as prioridades da oposição. Pelo contrário: o grupo que antagoniza o Governo Federal trabalha nos bastidores para que o Congresso Nacional não vote a matéria. Em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), os líderes da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), e do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), pediram que a votação não ocorra em 2026.
Os deputados do PL tiveram reuniões com empresários para tomarem essa posição, mas há outro receio: que Lula receba os louros de uma pauta popular em ano eleitoral. Motta garantiu que a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição retira do Palácio do Planalto o protagonismo sobre a matéria. Mesmo assim, a orientação é não apoiar a votação nos próximos meses.
“É um tema importante para a população, mas não precisamos aprovar da maneira que o governo Lula quer. Precisamos ouvir todos os que são atingidos por essa escala e os que serão demandados também, para, assim, construir um texto que seja favorável”, opinou Cabo Gilberto Silva.
Os líderes defendem um texto que não comporte todas as vontades do governo Lula. O objetivo da Câmara, para eles, precisa ser um debate que abranja todos os setores envolvidos na jornada e que todos os partidos estejam de acordo. “Estamos em um ano curto, com muitos feriados, Copa do Mundo e eleições. Votar ainda este ano é complicado”, disse Sóstenes.
Mesmo assim, eles não descartam o projeto. Só não querem que Lula saia vencedor da votação e da eleição. “Sempre defendi a questão da escala, mas o texto que chegou na comissão do trabalho é impossível. O Brasil não sustenta uma escala 4x3. Essa PEC foi eleitoreira, com erros de matemática que não foram resolvidos porque não é uma questão fácil de desproblematizar”, declarou Cabo Gilberto.
Prioridades da oposição
Se não há vontade de tratar sobre o fim da escala 6x1, os deputados da oposição pressionam para que o Congresso paute a derrubada do veto dado por Lula ao PL da Dosimetria. O discurso também já é visando as eleições. “Livrar o Brasil do PT e investir na redução de penas dos condenados do 8 de janeiro” estão entre os objetivos do grupo para este ano, de acordo com o líder da oposição.
Há, inclusive, um cálculo político: somente Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, pode convocar a sessão conjunta do Congresso Nacional. Se ele o fizer, porém, será obrigado a criar a CPMI do Banco Master. A oposição aceita negociar a retirada do requerimento da comissão para reduzir a pena de Bolsonaro.
Colaborou Maria Luiza Santos, especial para O POVO
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