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Após reunião, Dias Toffoli deixa relatoria do Caso Master
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João Paulo Biage é jornalista há 13 anos e especialista em Comunicação Pública. De Brasília, acompanha, todos os dias, os passos dos parlamentares no Congresso Nacional e a movimentação no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. É repórter e comentarista do programa O POVO News e colunista do O POVO Mais

Após reunião, Dias Toffoli deixa relatoria do Caso Master

Ministro resistiu à mudança, mas foi pressionado pelos outros integrantes do Supremo Tribunal Federal. Processo foi redistribuído
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MINISTRO do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli durante sessão plenária realizada na tarde desta 
quinta-feira 12 de fevereiro  na sede da corte em Brasília (Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO)
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO MINISTRO do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli durante sessão plenária realizada na tarde desta quinta-feira 12 de fevereiro na sede da corte em Brasília

O ministro José Antônio Dias Toffoli deixou a relatoria do Caso Master no Supremo Tribunal Federal. Após ser citado em mensagens do dono do banco, Daniel Vorcaro, Dias Toffoli foi veementemente aconselhado a deixar entregar o processo à presidência para que ele seja redistribuído. A nova relatoria caiu para o ministro André Mendonça.

A reunião ocorreu após o desgaste das últimas 24 horas. A Polícia Federal identificou, nas mensagens do celular de Vorcaro, conversas com o cunhado e operador do Banco Master, Fabiano Zettel. Nos diálogos, o dono do banco cita pagamentos feitos ao ministro do STF pela compra de parte do resort Tayayá.

Durante a reunião, Toffoli sustentou que não havia problemas em seguir com a relatoria, mas foi convencido de que a continuidade no cargo poderia render ainda mais problemas a ele e ao Supremo Tribunal Federal.

A pressão era grande nos outros dois Poderes. O presidente Lula julgou que a manutenção de Toffoli na relatoria era insustentável. Já no Congresso Nacional, há pedidos de impeachment contra o ministro. Após quase quatro horas de conversa, Dias Toffoli foi convencido e devolveu o processo.

Confira a nota assinada pelos 10 ministros do STF sobre o caso:

Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.

Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.

Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.

Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.

A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.

Assinam:

Luiz Edson Fachin, Presidente
Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
Gilmar Mendes
Cármen Lúcia
Dias Toffoli
Luiz Fux
André Mendonça
Nunes Marques
Cristiano Zanin
Flávio Dino”

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