Jocélio Leal
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Redator do blog e coluna homônimos, diretor de Jornalismo da Rádio O POVO/CBN e CBN Cariri, âncora do programa O POVO no Rádio e editor-geral do Anuário do Ceará

Opinião

Lula nega, mas precisa de conciliação

O ex-presidente sabe que precisará recorre à estratégia de se aproximar das elites
CAPA - Ex-presidente Lula em entrevista à Rádio O POVO-CBN
CAPA - Ex-presidente Lula em entrevista à Rádio O POVO-CBN

Lula nega a importância de ser deglutível aos olhos da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo (leia-se do País). Quando indagado sobre a necessidade de o PT buscar alguma conciliação com o establishment, preferiu responder para a plateia. "Entre ceder à Faria Lima e ao povo pobre do Cariri, eu cedo ao povo do Cariri e ao povo pobre de Fortaleza", respondeu ontem na entrevista concedida ao redator da Coluna, em transmissão ao vivo na rádio O POVO CBN e CBN Cariri.

Não é bem assim. E Lula sabe disso. Mas este momento chega, nem que seja na hora de passar para o segundo turno. Foi graças à estratégia de aproximação dele e do PT com as elites, tão criticadas antes e também depois - só nos palanques - que o Partido dos Trabalhadores chegou ao Poder.

José Alencar, o vice de Lula, era um grande empresário. Henrique Meirelles, aquele que hoje está secretário de Dória, foi tomar conta do Banco Central. Foi por movimentos assim, afora os entendimentos políticos no Congresso, sem maiores cerimônias, que o PT experimentou oito anos de Lula e mais um mandato e um trecho com Dilma Roussef.

É a desconexão com esta fatia bem estreita, porém, na parte de cima, que leva ao enfraquecimento os governos. Foi assim com Dilma. Seria assim com Camilo no Ceará, mas ele sabe operar neste terreno. Teria sido assim com Luizianne Lins em Fortaleza, mas ela também soube trafegar. No caso dela - e de Dilma também - com um elemento a mais, lidar com o machismo.

Neste estrato onde reina o poder econômico, extremos (sobretudo à esquerda) são extirpados. Buscam um CEO para o País, mas governos não são empresas. Daí a dificuldade. Não há headhunter neste mercado. Tampouco recrutamento. E falta pouco para 2022.

Voltando ao trem, afora o vagão AAA, o PT e Lula precisam elaborar um discurso capaz de ir ao encontro do vagão onde assenta a classe média em busca de mitos como eficiência e honestidade, duas categorias históricas na biografia do PT, porém, maculadas por ele próprio aos olhos do público. Como em toda relação, afetiva ou política, um primeiro passo para o recomeço é autocrítica. Mas isso está descartado, como ratificou o ex-presidente ontem.

PARA O NORDESTE

Segundo o ex-presidente Lula, também na entrevista de ontem, foi o empenho dele também responsável pela ida da fábrica da Fiat (hoje Stellantis) para Pernambuco, estado natal dele, a propósito. Ele afirma que não havendo "visão de desenvolvimento", os investimentos vão para o Sudeste. Mirou nos ouvintes do Nordeste.

AMIGOS DO PODER

Uma provocação aos empresários do CE

Uma provocação feita pelo ex-presidente Lula na entrevista de ontem fez lembrar os auditórios lotados no País naquele momento entre a vitória nas eleições e o começo da gestão Bolsonaro. Em muitos casos - e no Ceará não foi diferente - deputados até então ilustremente desconhecidos, em primeiro mandato, passaram a ter plateia e afagos. Era uma época em que encontrar um canal com Brasília e se conectar com ele era dever de casa. Acontecera o mesmo em 2002 quando da primeira eleição petista. Lula afirmou que se fosse a um debate com empresários de Fortaleza não iria apenas responder perguntas. Também as faria. Lembra que no tempo dele esta turma nunca havia ganhado tanto dinheiro. Em suma, iria provocar aquela turma pragmática da primeira fila, ávida pelas boas relações com o Poder. Noves fora, em algum momento, os laços são reatados. Funciona assim.

Companhai Siderúrgica do Pecém (CSP)
Foto: EVILÁZIO BEZERRA - 2017
Companhai Siderúrgica do Pecém (CSP)

COREIA

Lula tem DNA na CSP

Lula disse que a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) é fruto também de sua ida à Coreia do Sul ao lado do então governador Lúcio Alcântara - vencedor da eleição em 2002 contra o petista José Airton Cirilo e derrotado quatro anos depois por Cid Gomes. O então vice-governador e secretário do Planejamento, Maia Júnior, confirma. "É verdade". Maia, aliás, esteve antes.

CEARÁ

Incentivo para não demitir

A reunião de ontem do Conselho de Desenvolvimento Industrial (Cedin) do Ceará tinha 90 projetos à mesa. É o Cedin que analisa a pertinência da concessão de incentivos fiscais pelo Governo do Estado. Quem preside é o governador, com a participação de secretarias como Desenvolvimento Econômico do Trabalho (Sedet) e Fazenda (Sefaz). Mais do que novas empresas interessadas em vir - 13 ao todo - havia muito pedido de prorrogação de incentivos. O argumento para pedir é direto: economia precarizada e risco de demissões.

RÉDEA CURTA

Estado dá dois anos para ver qual é

No rol de martelos batidos no Cedin, 44 projetos aprovados. Metade de importação de máquinas e equipamentos - sim, tem incentivo para isso. O contribuinte dá uma força diante do compromisso de que as compras implicam mais produção e mais empregos. Os outros 22 são importação de insumos. Em tempo: como 2032 é o ano previsto para acabar os incentivos, muita empresa precavida já tem pedido prorrogação. Todavia, o Estado, no máximo tem dado mais dois anos. A regra permite até 120 meses.

 

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