É doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro de contos
É doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro de contos
A invasão da Venezuela e a captura do presidente Maduro, pelas ordens do mandatário estadunidense Donald Trump, ensejaram intensos debates acerca da fragilidade do direito internacional.
Pelo princípio da igualdade soberana é defendido que todos os Estados são juridicamente iguais, independentemente de seu poder econômico, político ou militar, entretanto é sabido que os países estabelecem relações desiguais, nas quais o passado colonial, o endividamento externo e a dependência econômica constrangem a independência política de muitos países. A relação centro-periferia, dominante-dominado é real, e nesta lógica a lei do mais forte prevalece.
Os Estados Unidos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial (pós 1945) detêm hegemonia mundial e suas táticas para invadir os países nem sempre são militares e ostensivas, a maior parte, ao contrário, são invisíveis para a grande parte da população e contam na maior parte das vezes com o apoio incondicional das autoridades daqueles países.
Podemos citar como exemplo a exportação do “American Way of Life” difundido pelos filmes norte-americanos. Vale ressaltar que o país detém o maior mercado editorial, o maior volume de publicação e abrigam a maior quantidade de livros best-sellers. Esses fatores evidenciam o domínio americano na formação da mentalidade do homem médio.
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O fenômeno não diz respeito a simples trocas interculturais como muitos poderiam apontar. O que se observa é a dominância de um padrão ideológico e cultural que se quer exportar juntamente com produtos industrializados.
A invasão também se reflete na política econômica de muitos países, entre eles o Brasil, que no início da década de 1990 viu sua soberania econômica ruir com a adoção dos chamados ajustes estruturais e da correlata imposição de agendas econômicas. Nesse cenário, os Estados Unidos se colocam no papel de fiscal da economia dos países da América Latina.
A ingerência dos Estados Unidos também se observa na política educacional do mundo. O ápice desse fenômeno se deu na década de 1990 com a Conferência Mundial sobre Educação para Todos.
Vale ressaltar que, tanto a agenda econômica quanto a da educação foram levadas a diante pelo Banco Mundial, organismo internacional que, desde sua gênese em 1944, sempre esteve sob a liderança dos Estados Unidos, sendo este detentor do maior poder de voto dentro do organismo.
Os Estados Unidos sempre alegam nobres motivos para legitimar suas invasões, sejam estas do tipo “hard power” ou “soft power”.
No episódio envolvendo a Venezuela, Donald Trump invocou a democracia como mola propulsora para a invasão, para o controle do currículo e, consequentemente, das metas educacionais de muitos países.
Os Estados Unidos, por meio do Banco Mundial, difundem a preocupação com os elevados índices de analfabetismo das crianças dos países periféricos.
Para as mulheres destes mesmos países, há a divulgação do conceito de empoderamento feminino e, com ele, a justificativa para a promoção de reformas em nações que fazem adesão às agendas alicerçadas em diferentes conferências internacionais, todas elas capitaneadas pelo Banco Mundial e com estreita relação com os interesses norte-americanos.
As inúmeras agendas sejam elas econômicas, políticas, educacionais ou para mulheres, pensadas pelos Estados Unidos para serem implementadas pelos países periféricos, revelam invasões multifacetadas que promovem um mimetismo cultural e ideológico, esse tipo de invasão é naturalizada e intraduzível para maior parte da população porque está sob o verniz do discurso tecnocrata, e o poder dessas invasões reside justamente na sua invisibilidade.
Esta modalidade de invasão não é inofensiva é, ao contrário, um meio eficaz para encontrar apoio e legitimação para invasões do tipo “hard power”, como aquelas com tanques e bombas nas ruas.
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