Sou jornalista de formação. Tenho o privilégio de ter uma vida marcada pela leitura e pela escrita. Foi a única coisa que eu fiz na vida até o momento. Claro, além de criar meus três filhos. Trabalhei como repórter, editora de algumas áreas do O POVO, editei livros de literatura, fiz um mestrado em Literatura na Universidade Federal do Ceará (UFC). Sigo aprendendo sempre. É o que importa pra mim
A complexidade dos tempos contemporâneos parece nos deixar ainda mais vulneráveis, numa sociedade dominada por seres falantes e não pensantes à semelhança dos não humanos que já deverão estar estocados para os conflitos bélicos que se avizinham
Foto: ADAM GRAY/REUTERS/FOLHAPRESS
O presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado, é escoltado a caminho do Tribunal Federal Daniel Patrick Moynihan, em Manhattan, para sua primeira audiência perante o tribunal, onde enfrentará acusações federais americanas, incluindo narcoterrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes. A foto foi tirada no heliporto de Downtown Manhattan, em Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026
2026 começou fervendo. No Brasil, mal a gente se refez do debate estéril sobre em qual dos pés deve-se fincar o Novo Ano, os Estados Unidos invadem a Venezuela, arrancam o ditador Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores do país e os leva para serem julgados nos Estados Unidos como narcotraficantes. E, como de praxe na sociedade de fala sem pensamento, lemos, a torto e a direito, opiniões “super abalizadas” que concordam com a ação de Trump no país latino e torcem para o mesmo acontecer no Brasil.
Os crimes de Maduro são vários e ele deve ser julgado e condenado. No entanto, o povo venezuelano é que teria de ter o privilégio de comandar esse processo.
O povo venezuelano é que deveria levar Maduro a prestar contas com seu país, como aconteceu na Argentina, no Chile, e agora, no Brasil. Isso não impediria que outras acusações contra ele, incluindo o narcotráfico, caso comprovado, pudessem também incorrer em sanções contra o ditador.
No entanto, quando os Estados Unidos negam invasão de território internacional e afirmam que "cumpriram a lei" ao prenderem o ditador venezuelano, é apenas um sofisma do exercício de poder errático, como classificam vários analistas em jornais estadunidenses se referindo ao tipo de política externa praticado por Trump.
Desde que assumiu o segundo mandato presidencial, Trump tem dito que quer guerra, embora almeje o Prêmio Nobel da Paz. Quer o Canadá, a Groelândia, o Canal do Panamá (ou do México), quer Gaza, quer a Venezuela, se agrada da Colômbia.
Ao mesmo tempo em que está implodindo o multilateralismo, parece ressuscitar o gosto pela ampliação de territórios à força bruta.
O governo Trump deveria nos levar ao exame dos contrastes dos anos de 1920 que inventaram dança, moda e ritmos novos, ao mesmo tempo em que fomentaram as bases para a Segunda Guerra Mundial, com tudo o que já sabemos. Embora não se repita, é importante aprendermos com a dona História.
Tempos sombrios, como alerta Hannah Arendt, se desenham debaixo de nosso nariz, levantando personagens absolutos, à margem das leis, ou criando novas que atendam a seus interesses absolutistas.
Muito diferente do século XX, a complexidade dos tempos contemporâneos parece nos deixar ainda mais vulneráveis, numa sociedade dominada por seres falantes e não pensantes, à semelhança dos não humanos que já deverão estar estocados para os conflitos bélicos que se avizinham.
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