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Um fim de semana em Brasília
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Com formação em desenvolvimento mobile pelo IFCE e pela Apple Academy, junto ao seu conhecimento em Design e Animação, atuação em UI|UX e experiência na criação de aplicativo móveis, fundou a Startup Mercadapp. É amante dos livros, da música, do teatro e do ballet. Tudo isso sempre junto e misturado a tecnologia e inovação. Escrever sempre foi seu refúgio dentro dessa jornada tão desafiadora, que é ser uma jovem mulher empreendedora

Larissa Lima comportamento

Um fim de semana em Brasília

É uma cidade que carrega o peso de representar o País, mas que, nos detalhes, revela pessoas vivendo suas próprias vidas entre eixos, superquadras e ideias
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Prédio do Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Acervo pessoal)
Foto: Acervo pessoal Prédio do Congresso Nacional, em Brasília

Brasília não é uma cidade que se revela de imediato. Ela exige tempo, deslocamento e, principalmente, disposição para olhar com atenção. Planejada, desenhada e inaugurada em 1960 para ser a capital do Brasil, Brasília nasceu de um projeto ambicioso: integrar o País, ocupar o interior e materializar uma ideia de futuro.

Em um fim de semana, eu fui entender como é viver, e observar essa cidade que é, ao mesmo tempo, cenário e protagonista da política brasileira.

Comecei pelo óbvio, o Eixo Monumental que concentra os símbolos mais conhecidos da cidade e também do país. Caminhar por ali é quase uma aula de história ao ar livre.

O Congresso Nacional, com suas cúpulas opostas, representa o equilíbrio entre Câmara e Senado. O Palácio do Planalto, sede do Executivo, é mais discreto do que se imagina, quase minimalista.

Já o Supremo Tribunal Federal, com suas colunas brancas e linhas retas, carrega um peso institucional que se sente mesmo à distância.

Tudo ali foi pensado por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer para ser visto de longe. Brasília não convida à intimidade imediata, ela convida à contemplação. Os espaços são amplos, o céu parece maior e o concreto vira linguagem. A arquitetura modernista não pede ornamento, pede interpretação. E, gostando ou não, é impossível ficar indiferente.

Segui para a Catedral Metropolitana, um dos lugares mais simbólicos da cidade. É realmente uma obra de arte. Com suas colunas curvas que parecem mãos erguidas para o céu, ela quebra a rigidez do entorno. Lá dentro, o silêncio tem outro peso. A luz atravessa os vitrais e transforma o espaço em algo quase etéreo. É um dos raros momentos em que Brasília parece menos racional e mais sensível.

Mas Brasília não vive só de poder e monumentos. Nos fins de semana, a cidade muda de ritmo. Fui ao Parque da Cidade, onde moradores caminham, pedalam, fazem piqueniques e vivem uma Brasília que não aparece no noticiário.

É ali que a capital se humaniza. No Lago Paranoá, o pôr do sol acontece sem pressa, refletindo nos prédios e lembrando que, apesar de toda a carga política, ainda existe beleza cotidiana. À noite, explorei um restaurante e um bar na Asa Sul.

A cidade tem uma cena gastronômica diversa, resultado de ser habitada por gente de todos os cantos do país. Brasília é uma colcha de retalhos culturais: sotaques misturados, pratos que cruzam regiões e histórias que começaram longe, mas se encontraram ali.

O mais interessante de passar um fim de semana em Brasília é perceber que ela é mais complexa do que sua fama. Não é só palco de decisões, crises e discursos. É também lar, rotina, afeto. É uma cidade que carrega o peso de representar o País, mas que, nos detalhes, revela pessoas vivendo suas próprias vidas entre eixos, superquadras e ideias.

Saí de Brasília com a sensação de que entender o Brasil passa, inevitavelmente, por passar por ali. Nem que seja por um fim de semana.

Foto do Larissa Lima

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