É o(a) profissional cuja função é exclusivamente ouvir o leitor, ouvinte, internauta e o seguidor do Grupo de Comunicação O POVO, nas suas críticas, sugestões e comentários. Atualmente está no cargo o jornalista João Marcelo Sena, especialista em Política Internacional. Foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO e de Política
Foto: Juan Barreto / AFP
Grafite que retrata o presidente Maduro em Caracas, capital da Venezuela; líder foi retirado à força do governo
A invasão americana à Venezuela e a detenção de Nicolás Maduro dominaram a pauta do primeiro fim de semana de 2026. A cobertura foi intensa nos principais veículos desde as primeiras horas do sábado, 3. Embora o bloqueio naval imposto pelos EUA nos últimos meses já fosse um forte indicativo de que uma operação militar estava em curso, é difícil fingir costume diante do que aconteceu e de como aconteceu, independentemente de posições ideológicas.
Um leitor enviou e-mail ao ombudsman criticando O POVO pelo uso do verbo “capturar”, em vez de “sequestrar”, nas matérias sobre a invasão. “Fiquei estarrecido com a chamada no jornal e na página no Instagram: ‘EUA capturam Maduro’. Um país imperialista invade um vizinho com forças militares, sequestra o presidente em exercício e o jornal estampa que o país imperialista capturou o presidente eleito. A diferença entre as duas palavras é óbvia e clara”, afirmou.
A discussão sobre a terminologia foi intensa: críticos à invasão defenderam o termo “sequestro”. No geral, a imprensa adotou “captura”. Oficialmente, o governo brasileiro tratou o caso como sequestro na Organização dos Estados Americanos (OEA).
O questionamento do leitor rendeu matéria no O POVO que tentou esclarecer o tema. “A leitura mais consistente é a de que não se tratou de uma captura regular, mas de uma extração extraterritorial, aquilo que, no senso comum, se aproxima de sequestro", afirmou Vítor Sampaio, advogado especialista em Direito Constitucional e Penal.
No Instagram, o feed do O POVO dedicou-se quase exclusivamente ao tema, com 36 publicações apenas no sábado e outras 16 no domingo, 4, fazendo referência ou trazendo atualizações do ataque dos EUA e da situação de Maduro já em solo americano.
Uma das figuras políticas que mais causou burburinho foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), cujo perfil tem como premissa a mobilização constante do eleitorado bolsonarista. Em tom de prece, o parlamentar publicou no sábado uma imagem gerada por Inteligência Artificial mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) supostamente preso por militares americanos, o que gerou forte reação de deputados governistas.
O perfil do O POVO no Instagram reproduziu no feed outras duaspublicações do deputado, o que resultou em críticas de um seguidor em mensagem enviada ao Whatsapp do ombudsman.
“Não sei qual é o critério. Os vídeos são ele falando as besteiras de sempre. Em vez de ter um especialista, nota oficial, mais informações. Fica só um monte de opinião de um deputado federal de Minas Gerais. Importante ter repercussões e falas. Mas dele? Sem ter contraponto e em seguida assim? Acho que caberia critério aí”, protestou.
Embora o Instagram do O POVO tenha publicado análises e repercussões, o seguidor/leitor tem razão nos apontamentos. Os vídeos em questão não passam por verificação de fatos e apenas atiçam um ambiente já radicalizado, sem muita contribuição para um debate informativo.
Não se trata de concordar ou não com o deputado, mas de avaliar a relevância desse conteúdo e a responsabilidade do O POVO ao reproduzi-lo sem contraponto.
Perrengue chique
Ainda sobre relevância, outra publicação no Instagram do O POVO destoou da intensa cobertura. Ela noticiava que a influenciadora Nicole Bahls passara o Réveillon na luxuosa ilha caribenha de São Bartolomeu (na postagem do O POVO grafada na versão para íntimos “Saint-Barth”) e que seu voo de volta precisou ser desviado para Miami devido ao fechamento do espaço aéreo venezuelano.
Enquanto apreciava um morango e relatava o “perrengue chique”, Nicole lamentou ainda que o contratempo a fez perder o show da dupla sertaneja Henrique & Juliano. Uma pena para ela, mas sobretudo para os seguidores do O POVO que estavam acompanhando o dia de cobertura sobre a Venezuela.
O entretenimento tem seu espaço no jornalismo, mas tudo tem seu momento. No calor de eventos com alto impacto geopolítico, deve-se priorizar fatos jornalisticamente relevantes. Conteúdos fora de tom prejudicam o prestígio de um veículo que se propõe a tratar temas importantes com a devida seriedade nas redes sociais.
Erro em legenda muda sentido de discurso
A última quinta-feira, 8, marcou os três anos do 8 de Janeiro, evento no qual as sedes dos Três Poderes foram atacadas por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL). O Instagram do O POVOpublicou vídeo com trecho do discurso de Lula (PT) em evento alusivo à data, que foi marcado pelo veto ao PL da Dosimetria.
Na fala, o presidente elogiou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento dos envolvidos com os atos antidemocráticos. “Todos eles tiveram amplo direito de defesa. Foram julgados com transparência e imparcialidade”, disse Lula no vídeo reproduzido por O POVO. No entanto, a legenda gerada nesse trecho específico trocou a palavra “imparcialidade” por “parcialidade”, invertendo o sentido da frase e contradizendo a posição do presidente.
No comentário interno feito junto à Redação, questionei sobre o processo de produção e edição dessas legendas em publicações. “As legendas são geradas automaticamente pelo aplicativo que usamos para edição e revisadas manualmente antes da publicação. Na edição desse vídeo em específico, a ferramenta deu um erro e as falhas técnicas atrapalharam na produção da pauta. Na revisão final, o time acabou não percebendo a troca de palavras feita pelo aplicativo”, explicou Alan Magno, editor-adjunto de Mídias Sociais do O POVO, complementando que foi acrescentado ao texto da postagem um aviso de correção.
O erro na revisão da legenda evidencia a necessidade de redobrar os cuidados nos processos da Redação. Seja na escrita dos textos das reportagens ou no uso de ferramentas que auxiliam essa produção de conteúdo. A troca de uma única palavra pode gerar interpretações dúbias. Neste caso específico, tem potencial para mexer com aspectos sensíveis numa conjuntura política cada vez mais conflagrada e num ano eleitoral que se desenha tão desafiador.
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