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Errar e não reconhecer é errar duas vezes
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É o(a) profissional cuja função é exclusivamente ouvir o leitor, ouvinte, internauta e o seguidor do Grupo de Comunicação O POVO, nas suas críticas, sugestões e comentários. Atualmente está no cargo o jornalista João Marcelo Sena, especialista em Política Internacional. Foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO e de Política

Ombudsman ombudsman

Errar e não reconhecer é errar duas vezes

Levantamento mostra o "Ranking de Erramos" do jornal impresso em 2025
Tipo Opinião
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Um monitoramento comum feito pelos jornalistas que passam pelo cargo de ombudsman é o de quantificar as ocasiões em que a seção “Erramos” é publicada nas páginas do O POVO. Como toda ação humana, o fazer jornalístico está sujeito a erros.

Por mais desagradável que seja para os leitores se depararem com um equívoco no jornal de quem eles - com razão - esperam o máximo de assertividade, essa é uma realidade difícil de ser extinta na totalidade.

Provavelmente esta não será a última vez em que tocarei no assunto das incorreções aqui na coluna. Afinal, a própria função de ombudsman tem como premissa a indicação desses erros para que não se repitam. Assim como a cobrança para que eles sejam reconhecidos quando ocorrerem.

Encomendei uma pesquisa à equipe do O POVO.doc para quantificar os “Erramos” registrados ao longo do último ano no jornal impresso. Em 361 edições de 2025 no O POVO, a seção “Erramos” foi publicada 50 vezes, o que dá uma média próxima de um erro a cada 7 dias.

Olhando em perspectiva do volume de informação publicada em todo o ano de 2025, até parece pouco. Mas só parece.

Essa, na verdade, é a quantidade de vezes que os equívocos foram reconhecidos publicamente junto aos leitores. Chega a ser difícil projetar esse número se todas as admissões de erros que deveriam ser feitas, de fato, as fossem.

As editorias de Cidades (10), Economia (9) e Capa (7) formaram o pódio de “Erramos” em 2025. Os meses de agosto, setembro e outubro concentraram o maior número de registros, com sete em cada um deles. Maio e dezembro, por outro lado, tiveram apenas um “Erramos” cada. O quadro completo do levantamento pode ser acessado abaixo.

Os números acima indicam que a editoria de Cidades é a que mais erra? Pode até ser, mas não necessariamente. Também não permitem concluir que as demais editorias não mencionadas não erram, ou erram pouco. Como eu disse, esses foram os erros reconhecidos por meio da seção "Erramos". Muitos ficaram pelo caminho, sem registro.

A seção Erramos

A seção “Erramos” existe em todos os principais jornais impressos do Brasil e do Mundo. É uma forma de um veículo dar transparência ao que é publicado em suas páginas. É algo presente na Carta de Compromissos Editoriais do O POVO. Há um padrão a ser seguido para redação de uma nota de “Erramos”.

O POVO possui um “Guia de Redação e Estilo”, escrito pelo jornalista e ex-ombudsman Gibson Antunes. Embora bastante desatualizado - sua última edição foi feita no longínquo ano de 2003 - o manual prevê que na seção “Erramos” “devem ser privilegiados os erros de informação, créditos, fotos e erros graves de português cometidos em títulos e resumos de matérias”.

A propósito, vale muito a cobrança para que o Guia seja reformulado e atualizado para que possa servir como objeto de consulta constante pela Redação e pelos próprios leitores.

Os registros precisam ser claros, objetivos e sem eufemismos. Devem constar informações essenciais para identificação da matéria em que houve o erro como a data da publicação, a editoria, a página e o título em questão.

As correções devem ser feitas de modo a esclarecer como o conteúdo deveria ter sido publicado e não foi. Em alguns casos, o espaço da nota não é suficiente e faz-se necessário publicar uma nova matéria com as retificações devidas e o reconhecimento do erro.

Alguns exemplos que viraram Erramos

Os erros têm naturezas diversas. Eles estão na ortografia, na gramática, na concordância e também na informação. Alguns deles viraram mote para colunas do ombudsman, como a nota sobre erros recorrentes de língua portuguesa publicada em setembro. Esses costumam ser o principal objeto de crítica dos leitores.

Outros geraram bastante repercussão, como a ocasião em que o erro no crédito do autor de um artigo de opinião gerou reclamações do próprio autor ou quando faltou checar se um entrevistado que disse ter passado em um concurso público de fato havia sido aprovado.

Há outros tantos erros que não recebem o devido registro posterior. Diariamente, é enviado pelo ombudsman um comentário interno a cerca de 170 funcionários do O POVO com avaliação crítica aos conteúdos produzidos. Não é sempre que o erro vira “Erramos”.

Além da questão da transparência citada um pouco mais acima, publicar o “Erramos” é contribuir para evitar que essas incorreções se repitam. Se extinguir todos os erros é algo quase utópico, a busca por mitigá-los deve ser permanente.

O jornal impresso tem importância de documento histórico, de registro do tempo presente para o futuro. A tinta depositada no papel não se apaga com borracha e o erro pode ficar para sempre. O que reforça a importância de se reconhecer o equívoco para que ele não se perpetue como tal.

Ranking de Erramos 2025

Por editoria

Cidades (10)

Economia (9)

Capa (7)

Farol (6)

Opinião (5)

Esportes (5)

Política (4)

Colunas (3)

Vida&Arte (1)

"Erramos" por mês

Janeiro (4)

Fevereiro (6)

Março (5)

Abril (3)

Maio (1)

Junho (3)

Julho (2)

Agosto (7)

Setembro (7)

Outubro (7)

Novembro (4)

Dezembro (1)

Fonte: O POVO.doc

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