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Mesmo de "brincadeira", Trump sempre fala sério
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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Mesmo de "brincadeira", Trump sempre fala sério

O presidente dos Estados Unidos afirma que falava sério quando dizia "brincando" que pretendia disputar — ou tomar na mão grande — um terceiro mandato
O barco à vela 'Kamak' da expedição da Groenlândia navega entre icebergs liberados por geleiras ao redor de Milne Land no fiorde Scoresby Sound, leste da Groenlândia, em 15 de agosto de 2023. O Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica está realizando uma expedição para explorar os fiordes isolados da Groenlândia, os maior sistema de fiordes, que permanece muito pouco estudado. A expedição, organizada pela iniciativa francesa Greenlandia, gerida por voluntários, dedica-se a compreender os efeitos das alterações climáticas no fiorde de Scoresby e nos seus habitantes. (Foto: OLIVIER MORIN / AFP)
Foto: OLIVIER MORIN / AFP O barco à vela 'Kamak' da expedição da Groenlândia navega entre icebergs liberados por geleiras ao redor de Milne Land no fiorde Scoresby Sound, leste da Groenlândia, em 15 de agosto de 2023. O Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica está realizando uma expedição para explorar os fiordes isolados da Groenlândia, os maior sistema de fiordes, que permanece muito pouco estudado. A expedição, organizada pela iniciativa francesa Greenlandia, gerida por voluntários, dedica-se a compreender os efeitos das alterações climáticas no fiorde de Scoresby e nos seus habitantes.

Nunca duvide do que diz um autocrata ou candidato a. Eles são capazes de tudo, principalmente do pior que você possa imaginar. Eles também não têm limites. São como crianças mimadas: egocêntricos, incivilizados e sem limites. Fazem birras ou apontam canhões, quando suas vontades são contrariadas.

Essas lições já deveriam ter sido aprendidas por todos, profissionais do jornalismo e das ciências sociais, ou por leitores atentos. Mas muita gente ainda cai na armadilha do “fala, mas não faz”; “as instituições vão conter os arroubos” . Ou ainda: “Ele não quer realmente tomar Groenlândia mas, como ótimo negociador, pede o máximo para entrar com vantagem na disputa".

Agora, oh, surpresa, Donald Trump afirma que falava sério quando dizia “brincando” que pretendia disputar — ou tomar na mão grande — um terceiro mandato.

Pode também ser a velha tática da “mangueira de incêndio”, muito usada pela extrema direita, que consiste em despejar uma grande quantidade de informações falsas ou mesmo verdadeiras para confundir adversários, um fluxo contínuo, que termina por sufocar. O intento é desviar a atenção quando são pegos em algum malfeito, invertendo o jogo, pois obriga o adversário a dar explicações.

Sendo uma coisa ou outra, não se pode desprezar nenhuma ameaça desse tipo dessa gente, pois eles só recuam à força, quando o propósito é impor suas ideias e projetos, mesmo os criminosos.

Vejam o caso das tarifas. Logo que Trump começou com as ameaças, surgiram analistas preconizando que ele logo iria perceber que aumentar a taxação de produtos importados prejudicaria o seu próprio país. Ele fez ouvidos moucos — talvez porque não tivesse o fantasma de um cachorro como consultor — e dobrou a aposta.

Se tudo der errado, ele vai aplicar as três “leis“ que, segundo a lenda, o acompanham desde o início da carreira: atacar sempre; negar tudo; nunca admitir derrotas. Algum desavisado, tipo Zambelli, vai pagar a conta.

Muitos acreditarão dando-lhe crédito (ou passando um pix).

Se vocês conhecem algum caso parecido no Brasil não será mera coincidência.

PS. O texto foi escrito antes do tarifaço de Trump.

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