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Mesmo de "brincadeira", Trump sempre fala sério
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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Mesmo de "brincadeira", Trump sempre fala sério

Agora, oh, surpresa, Donald Trump afirma que falava sério quando dizia "brincando" que pretendia disputar — ou tomar na mão grande — um terceiro mandato.
Tipo Opinião
 Neste arquivo, a imagem de satélite capturada em 27 de agosto de 2020 pela missão Copernicus Sentinel-2 e divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA) mostra a quebra do gelo na geleira Nioghalvfjerdsfjorden no nordeste da Groenlândia (Foto: Handout / EUROPEAN SPACE AGENCY / AFP)
Foto: Handout / EUROPEAN SPACE AGENCY / AFP Neste arquivo, a imagem de satélite capturada em 27 de agosto de 2020 pela missão Copernicus Sentinel-2 e divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA) mostra a quebra do gelo na geleira Nioghalvfjerdsfjorden no nordeste da Groenlândia

Nunca duvide do que diz um autocrata ou candidato a. Eles são capazes de tudo, principalmente do pior que você possa imaginar. Eles também não têm limites. São como crianças mimadas: egocêntricos, incivilizados e sem limites. Fazem birras ou apontam canhões, quando suas vontades são contrariadas.

Essas lições já deveriam ter sido aprendidas por todos, profissionais do jornalismo e das ciências sociais, ou por leitores atentos.

Mas muita gente ainda cai na armadilha do "fala, mas não faz"; "as instituições vão conter os arroubos". Ou ainda: "Ele não quer realmente tomar Groenlândia mas, como ótimo negociador, pede o máximo para entrar com vantagem na disputa".

Agora, oh, surpresa, Donald Trump afirma que falava sério quando dizia "brincando" que pretendia disputar — ou tomar na mão grande — um terceiro mandato.

Pode também ser a velha tática da "mangueira de incêndio", muito usada pela extrema direita, que consiste em despejar uma grande quantidade de informações falsas ou mesmo verdadeiras para confundir adversários, um fluxo contínuo, que termina por sufocar. O intento é desviar a atenção quando são pegos em algum malfeito, invertendo o jogo, pois obriga o adversário a dar explicações.

Sendo uma coisa ou outra, não se pode desprezar nenhuma ameaça desse tipo gente, pois eles só recuam à força, quando o propósito é impor suas ideias e projetos, mesmo os criminosos.

Vejam o caso das tarifas. Logo que Trump começou com as ameaças, surgiram analistas preconizando que ele logo iria perceber que aumentar a taxação de produtos importados prejudicaria o seu próprio país. Ele fez ouvidos moucos — talvez porque não tivesse o fantasma de um cachorro como consultor — e dobrou a aposta.

Se tudo der errado, ele vai aplicar as três "leis" que, segundo a lenda, o acompanham desde o início da carreira: atacar sempre; negar tudo; nunca admitir derrotas. Algum desavisado, tipo Zambelli, vai pagar a conta.

Muitos acreditarão dando-lhe crédito (ou passando um pix).

Se vocês conhecem algum caso parecido no Brasil não será mera coincidência.

PS. O texto foi escrito antes do tarifaço de Trump.

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