Sou jornalista de formação. Tenho o privilégio de ter uma vida marcada pela leitura e pela escrita. Foi a única coisa que eu fiz na vida até o momento. Claro, além de criar meus três filhos. Trabalhei como repórter, editora de algumas áreas do O POVO, editei livros de literatura, fiz um mestrado em Literatura na Universidade Federal do Ceará (UFC). Sigo aprendendo sempre. É o que importa pra mim
Por que o tsunami Epstein revela elites tão quebradiças
Os milhões de documentos que revelam as relações do financista Jeffrey Epstein com políticos, membros de diversas monarquias europeias e intelectuais têm causado reações em vários países
Foto: Wikipedia/Domínio Público/U.S. Virgin Islands, Department of Justice
Jeffrey Epstein
Um artigo que li esses dias afirmava que o caso Jeffrey Epstein, o bilionário estadunidense acusado de exploração sexual de meninas e mulheres por anos a fio, e o mundo pré-revolução francesa se equiparam.
O texto dizia que as elites francesas haviam rompido com todo e qualquer limite de decência e que isso havia corroído completamente a possibilidade de qualquer consideração por elas.
Ontem, li em outro jornal sobre o estado de pânico que os milhões de documentos envolvendo Epstein com meio mundo vem causando em várias partes entre os bem posicionados na Europa, e Estados Unidos, principalmente.
Até o momento, muitas autoridades têm se demitido de seus postos e diversas outras pessoas estão vindo a público se desculpar pela sua proximidade com o financista, agora às vistas do mundo em fotos e emails. Não apenas homens como Donald Trump, os Clinton, Bill Gates, mas intelectuais como Noam Chomsky e mulheres como a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit.
Epstein, morto na prisão em 2019, tem chacoalhado as elites que gravitavam em seu redor enquanto ele unia sexo – e sexo com crianças e adolescentes –, dinheiro e poder ao seu modo.
Pelo visto, todo mundo queria estar com ele, aparecer com ele, ser convidado por ele, e é assim mesmo que essas coisas acontecem. Agora, ninguém o conhecia de fato, ninguém sabia que ele abusava de crianças e adolescentes e todos lançam notas reafirmando seu apreço pelas vítimas e pedindo desculpas.
Sinceramente, não acho que as elites em qualquer lugar deste planeta venham dando bom exemplo em qualquer área. Torna-se até difícil compreender como determinadas pessoas que estão no topo da escala política, social e econômica conseguem ser tão desprezíveis do ponto de vista humano.
Muitos dirigentes empresariais concordam com a degradação do meio ambiente, enquanto outros apoiam a produção e a distribuição de bens que causam danos fatais à saúde alheia, além daqueles que usam seu poder para explorar pessoas de forma aviltante. Quando essas pessoas são mulheres, a situação é ainda pior.
Dizer que Epstein poderá contribuir para um maior descrédito das elites é um sofisma lamentável. Porque quem, em sã consciência, dá crédito a certas figuras só porque elas estão ocupando postos em olimpos modernos?
Infelizmente, o financista não é nada diferente de tantos outros homens que perderam completamente a capacidade de impor limites a si mesmo, em nome apenas da sua própria decência e humanidade.
Reconheço, porém, que ainda existam homens e mulheres inspiradores nesses quesitos. O casal Obama, por exemplo, deu uma lição ao mundo com um silêncio eloquente diante do ataque vil e racista de Donald Trump, amigo de primeira hora de Epstein.
Pegadinha de Silvio Santos é localizada em meio aos arquivos de Jeffrey Epstein
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