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Quando uma criança é estuprada por um policial toda a sociedade falhou
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Sara Oliveira é repórter especial de Cidades do O POVO há 10 anos, com mais de 15 anos de experiência na editoria de Cotidiano/Cidades nos cargos de repórter e editora. Pós-graduada em assessoria de comunicação, estudante de Pedagogia e interessadíssima em temas relacionados a políticas públicas. Uma mulher de 40 anos que teve a experiência de viver em Londres por dois anos, se tornou mãe do Léo (8) e do Cadu (5), e segue apaixonada por praia e pelas descobertas da vida materna e feminina em meio à tanta desigualdade

Sara Oliveira comportamento

Quando uma criança é estuprada por um policial toda a sociedade falhou

Ele usava o poder social e econômico para estuprar a menina de 12 anos, que só contou para a mãe depois de uma palestra em um projeto social, onde recebeu informações que não poderia ser tocada
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Apoio ilustrativo. Abuso sexual infantil (Foto: Adobe Stock)
Foto: Adobe Stock Apoio ilustrativo. Abuso sexual infantil

A dor da impotência diante de uma tragédia infantil. Ao ler o detalhamento sobre o caso da menina de 12 anos estuprada por um policial militar no Interior do Estado, eu chorei, gritei e me indignei. De novo. Casos de abuso sexual contra crianças são comuns: foram quase mil denunciados até setembro só no Ceará. E seguirá sendo, se as políticas públicas continuarem não conseguindo impactar essa triste realidade.

O policial se aproveitava de uma proximidade familiar, comum quando se pensa que ter uma amizade com um agente de segurança significa segurança. A criança só contou para a mãe o que estava sofrendo quando, em uma palestra de um projeto social, recebeu informações de que não poderia ser tocada.

Abusada há cinco anos, essa menina poderia estar entre as 370 menores de 14 anos que foram mães no Ceará em 2025. Essa faixa etária é, inclusive, alvo de Projeto de Lei - aprovado por homens - que dificulta o acesso ao aborto legal. Direito que, mesmo sendo direito, encontra diversas barreiras para ser concretizado.

Homens que legislam sobre mulheres, valores religiosos e morais que desconsideram a realidade onde estupro de crianças ainda é recorrente e muitas vezes acontecem dentro de casa. Defensores da família que não enxergam como o abuso sexual infantil é capaz de destruir futuros e revelar cenários graves de omissão da sociedade em que vivemos.

Quando uma criança de 12 anos é estuprada diversas vezes por um policial significa que todos os segmentos de uma sociedade falharam. Legislativo, Executivo, Judiciário, Pessoas. A construção de políticas precisa priorizar a proteção de crianças a adolescentes, como lhes é garantido em dispositivos legais.

Educação sexual nas escolas, estrutura de serviços públicos que consiga prevenir casos, identificar e acolher vítimas, sociedade mais consciente, investimentos em equipamentos de garantia de direitos, oferta acessível de assistência social e psicológica, integração entre órgãos públicos que atuam diretamente com o público infantil… só assim o ciclo de abuso sexual de crianças e adolescentes pode recuar.

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