Sara Oliveira é repórter especial de Cidades do O POVO há 10 anos, com mais de 15 anos de experiência na editoria de Cotidiano/Cidades nos cargos de repórter e editora. Pós-graduada em assessoria de comunicação, estudante de Pedagogia e interessadíssima em temas relacionados a políticas públicas. Uma mulher de 40 anos que teve a experiência de viver em Londres por dois anos, se tornou mãe do Léo (8) e do Cadu (5), e segue apaixonada por praia e pelas descobertas da vida materna e feminina em meio à tanta desigualdade
Importunação sexual é crime e meu corpo não serve à sua cobiça
No vídeo depois de sair do programa, Pedro contou que achou que Jordana tinha "dado moral". Porém, nas imagens do momento do assédio, quando ela o confronta, ele diz que a atacou porque fez o que estava com "vontade de fazer"
Foto: Reprodução/Globoplay
Pedro é acusado de assediar Jordana dentro do BBB 26
“Eu senti as mãos dele no meu pescoço”. O relato é da participante do Big Brother Brasil (BBB), Jordana, após sofrer importunação sexual de outro participante, Pedro. As imagens mostram quando eles ficam dentro de uma despensa, ele a observa, se aproxima e ataca. Sim, é uma violência e acontece de forma rotineira com a grande maioria das mulheres.
Alguns fatos acompanham a cena grotesca do reality: logo que ela o expõe a situação ao grupo, Pedro decide apertar o botão e desistir do jogo. Foi tratado pela emissora como expulsão, mas ele mesmo tratou de escapar o mais rápido possível dos questionamentos dentro da casa. Depois do crime, o ex-BBB já ganhou milhares de seguidores nas redes sociais.
No vídeo depois de sair do programa, Pedro contou que achou que Jordana tinha “dado moral” para que ele a beijasse dentro de uma despensa, onde ela foi pegar um babyliss. Porém, nas imagens do momento do assédio, quando ela o confronta, ele diz que a atacou porque fez o que estava com “vontade de fazer”.
Ainda no vídeo depois da saída, reforçando toda a sua masculinidade dominadora, predadora e tóxica, contou que estava há dias tentando se segurar para não olhar para “as meninas”. Principalmente a Jordana, que seria parecida com sua esposa, grávida de sete meses.
Depois que as imagens foram liberadas, a conclusão compartilhada por muitas mulheres é: se dezenas de câmeras e milhares de espectadores não impediram Pedro de tentar beijar uma mulher à força, imagine o que acontece no quarto, no carro, na sala do café da firma, no banheiro da boate...
É cansativo, repetitivo, frustrante e imensamente ainda estarrecedor ver como muitos homens acreditam que o corpo da mulher serve aos seus desejos, às suas cobiças. E como as violências continuam a existir através de palavras e ações. Sentir medo, constrangimento, intimidação ou ameaça é algo constante e um homem jamais entenderá o que isso significa.
Toda forma de assédio precisa ser repudiada, a palavra da mulher tem de ser prioridade e a eliminação das diferenças de gênero deve ser norte de toda a sociedade. Os crimes sexuais não ocorrem mais só na invisibilidade, estão também escancarados em rede nacional, nos mais diversos vídeos de diferentes situações e locais. E mesmo assim não cessam.
Mulheres ainda são silenciadas e impedidas de sair, de andar na rua, de dizer não, de falar mais alto, de vestir o que quer, de dançar, de trabalhar, de passear… de viver.
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