Tânia Alves
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Tânia Alves é formada em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Começou no O PCeará e Política. Foi ombudsman do ornal por três mandatos (2015, 2016 e 2017). Atualmente, é coordenadora de Jornalismo..

Crônica

No aconchego da festa de São José

Igreja de São José, no distrito de Amanaiara, em Reriutaba
Igreja de São José, no distrito de Amanaiara, em Reriutaba


Da cidade de onde eu vim, tem um distrito que celebra São José como padroeiro. A localidade, que é bem pequena, se modifica por esses dias de novenário. Amanaiara ganha vida à noite, com a igreja iluminada, a pracinha cheia de gente, visitantes do município e de fora vêm animar a fé. São dez dias de festa, organizada pela própria comunidade, com missas no patamar da igreja, rifas, listas e leilões. Atrai os vendedores de longe com alimentos, bugigangas e parque de diversão, para a felicidade da criançada, logo após as novenas.
Os dias de celebração coincidem com o período especial para os cearenses, o pico do inverno. Março, isso a ciência já constata, é o melhor mês de chuva da quadra. O dia do santo cai dia 19. Em tempos de inverno bom, neste período os rios já estão correndo, os campos verdinhos e o milho, se foi plantado em janeiro, já está pendoando. E até mesmo o tempo já adquiriu um frescor que deixa o cearense sonhando com o balançar de uma rede.

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Na véspera desses dias, a espera na pequena comunidade fica por conta dos filhos que estão distante e voltam para casa para a festa do padroeiro. Visitar pais, tios e avós e aproveitar para relembrar as boas lembranças da infância. Vêm de longe ou mesmo de perto para ficar junto aos seus nesse período de animação. É revigoramento para a alma. Muitos chegam juntos em ônibus alugados na Capital. São recepcionados na entrada com fogos e motoromaria de boas vindas. A caravana é abençoada pelo padre e até o prefeito aparece para receber os conterrâneos.


Esse aconchego, esse congraçamento, essa recepção dos devotos de São José, este ano ficou no vazio. Com o distanciamento rígido por conta do coronavírus, as celebrações de forma presencial estão proibidas como deve ser. Não haverá a tradicional procissão, mas sobra fé em São José. O santo ainda alimenta e traz esperança de chuva. E nada melhor do que a água caindo para deixar os cearenses felizes.

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