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Mais dois detentos retornam de prisões federais para cadeias no Ceará

Os presos estavam na penitenciária de Porto Velho e são apontados como chefes locais de facções. Desembarcaram na terça-feira e cumprem isolamento
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Em julho, 28 chefes de facções voltaram de presídios federais para o complexo penitenciário em Itaitinga (Foto: MAURI MELO)
Foto: MAURI MELO Em julho, 28 chefes de facções voltaram de presídios federais para o complexo penitenciário em Itaitinga

Mais dois detentos apontados como chefes locais de facções, também responsabilizados na lista dos que ordenaram a série de ataques criminosos no Ceará em 2019, retornaram de penitenciária federal para o sistema prisional cearense. Os dois desembarcaram no meio da tarde de terça-feira, 14, no aeroporto internacional de Fortaleza, trazidos da prisão de segurança máxima de Porto Velho, onde estavam desde janeiro do ano passado.

Procurada, a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (SAP) confirmou a chegada e a procedência de mais dois internos, mas não quis dar mais detalhes. O POVO apurou os dois nomes: Rodrigo Luchetti, o "Paulista", acusado de homicídio, associação criminosa e crime de ameaça, membro do PCC; e Thiago Silva do Nascimento, do Comando Vermelho, apontado por crimes na região de Caucaia.

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Uma fonte confirmou que eles foram levados para a Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) 4, em Itaitinga, e já iniciaram o período de isolamento obrigatório de 14 dias. Só após esse período deverão ser reintegrados ao convívio dos demais internos. Ainda ontem, também teriam sido submetidos à triagem médica, com exames para detectar sífilis, HIV ou o coronavírus.

Com eles, a lista de presos "devolvidos" agora está em pelo menos 30 nomes. Na segunda-feira, O POVO informou que 28 presos foram devolvidos pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) para a SAP, por não ter sido renovada a ordem de permanência em unidades federais. A decisão cabe a um juiz federal de execuções penais. Os detentos teriam cumprido os prazos solicitados em 2019, mas as demandas de renovação não teriam sido apreciadas antes do prazo final. Além do período da pandemia, com o regime de teletrabalho, também teria sido determinante o cenário tranquilo dentro do sistema prisional cearense.


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O primeiro grupo teria chegado desde o final de junho, mas o retorno havia sido mantido em caráter reservado. Estavam nas prisões federais de Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR). Eles foram isolados por duas semanas e só depois espalhados entre as cadeias locais - não informaram em quais unidades.

Todos os 30 pertencem às três facções que comandam o crime no Estado, mas a maioria de volta é nome influente dentro do PCC (15 nomes) e sete seriam do CV - já contando com os dois novos devolvidos. Um dos fundadores da GDE, réu apontado como mandante na chacina das Cajazeiras, em janeiro de 2018, está entre os devolvidos na leva dos primeiros 28 presos: Auricélio Sousa Freitas, conhecido como Celim da Babilônia. Ele é apontado como chefe da GDE no bairro Barroso. Na chacina, 14 pessoas foram assassinadas dentro do Forró do Gago. No histórico dos demais há também acusações de ameaça a magistrados, tráfico internacional de drogas e armas, assaltantes de bancos, sequestradores e homicidas.

Não há confirmação se mais detentos serão recambiados de volta ao sistema cearense. Durante os atentados em 2019, ocorridos de janeiro a abril e em setembro, mais de 50 internos foram transferidos para unidades federais a pedido do governo cearense.

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