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Apenas 0,23% dos professores testados deram positivo para Covid-19

Aulas presenciais estão permitidas para o ensino infantil na rede particular de ensino. A testagem da equipe é obrigatória
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A educação infantil teve retorno em 1º de setembro, agora um mês depois outras turmas devem retornar  (Foto: Fabio Lima)
Foto: Fabio Lima A educação infantil teve retorno em 1º de setembro, agora um mês depois outras turmas devem retornar

Cumprindo protocolo estabelecido pelo decreto governamental que autorizou o retorno parcial das aulas presenciais, foram colhidas 5.611 amostras de exames de biologia molecular (RT-PCR) de profissionais da rede privada de educação infantil em Fortaleza. Desses, 13 receberam diagnóstico positivo, cerca de 0,23% dos exames feitos. É o que informa a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), por meio do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado.

A educação infantil particular, da creche a pré-escola, foi liberada para retornar às classes em 1º deste mês, com 30% da capacidade. No entanto, para a volta às aulas presenciais, as instituições foram tomadas pela surpresa da obrigatoriedade de exames para a enfermidade, o que atrasou o retorno em alguns colégios.

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A fiscalização e o suporte para a testagem é da Sesa. No entanto, as escolas precisam mandar a listagem dos profissionais que estão atuando no retorno e a Pasta informa que ainda não recebeu de todas. O controle serve para ajudar no monitoramento. Sobre quantos professores ainda serão testados, a secretaria não respondeu até o fechamento desta edição.

Na última semana, não houve autorização para volta de mais nenhuma etapa de ensino. A expectativa é de que sejam liberadas outras turmas ao se observar duas semanas de volta do ensino infantil privado e os impactos no cenário epidemiológico. Na rede pública, segue um imbróglio.

Durante reunião com a representação dos profissionais da educação do Ceará, a secretária estadual Eliana Estrela afirmou que não há cenário favorável para retorno este mês. Mas a decisão é do governador Camilo Santana (PT) junto com a equipe da Sesa. 

Em Fortaleza, os professores já sinalizaram o indicativo de greve caso haja retorno este mês, o que pode postergar ainda mais uma volta às aulas presenciais. Com pressão da categoria, a secretária municipal Dalila Saldanha já se reuniu com os profissionais da Capital e tenta apaziguar os ânimos, com a promessa de que o prefeito Roberto Cláudio deve se reunir com a categoria antes do retorno, conforme fontes ouvidas pelo O POVO.

Para o epidemiologista Luciano Pamplona, o Ceará, principalmente Fortaleza, vive uma melhora em todos os índices da pandemia. "Neste momento, o Estado está descredenciando leitos para Covid-19 porque não há mais necessidade. Isso mostra que o nosso cenário é favorável. Além disso, já voltou a funcionar 95% da cadeia produtiva (percentual antes do decreto anunciado em 5 de setembro). Todo mundo voltou sem surtos. O risco existe. Ele deve ficar por alguns anos", avalia o epidemiologista.

No entanto, Luciano coloca que o retorno às aulas presenciais também esbarra nas condições de algumas escolas públicas. "Uma escola que não tem água com sabão para as pessoas voltarem não era nem pra funcionar." Conforme o Censo Escolar 2019, 65% das unidades escolares no Ceará não possuem saneamento básico adequado.

Outro fator a ser observado para a retomada, citado pelo infectologista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor) Keny Colares, é a capacidade de vigilância epidemiológica. "Uma coisa que é fundamental neste processo é a capacidade de vigiar de perto qualquer caso que tenha sintomas, identificar antes de ir para aula. Existem sistemas onde a pessoa diz antes de ir se está com sintomas. Faz o teste do PCR ou swab o mais rápido possível. Se der positivo, é identificar quem teve contato e afastar todo mundo."

Keny lista ainda que esse processo depende de laboratórios para analisar rapidamente os exames, além de equipe dentro da escola voltada para essa vigilância epidemiológica.

Da creche ao ensino médio são 2,2 milhões de estudantes no Ceará. Professores são quase 100 mil. Sem contar outros atores da comunidade escolar e toda a cadeia movimentada pela reabertura das escolas, como a área de transporte público.

 

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