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25 pessoas são denunciadas por ligação com facção do crime

Além de liderar o Comando Vermelho no Ceará, Max Miliano Machado da Silva ainda lideraria grupo que atacava comunidade no Rio de Janeiro, em que faccionados cearenses também atuaram
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MURO com pichação da facção criminosa:  investigação denunciou membros de facção criminosa (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves MURO com pichação da facção criminosa: investigação denunciou membros de facção criminosa

A Justiça recebeu nessa quarta-feira, 31, denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) contra mais 25 pessoas que integrariam a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Entre os denunciados está aquele que é considerado na denúncia o principal chefe da organização no Estado, Max Miliano Machado da Silva, conhecido como Gordo ou Lampião. A investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) ainda aponta que Max Miliano também atuou em ataques na cidade de São Gonçalo (RJ), onde aparecia ostentando fuzis em confrontos pelo domínio de uma comunidade da cidade.

A denúncia do Ministério Público Estadual (MPCE) é resultado da operação Guilhotina, que, conforme O POVO já havia mostrado, investigou a expansão determinada pelo CV no primeiro semestre 2020. Conforme mensagens encontradas pela Draco, comunidades como Rosalina (no bairro Parque Dois Irmãos), Por do Sol (Messejana) e Paupina, assim como municípios como Amontada e Itapipoca, passaram a ter o domínio reivindicado pela facção.

A investigação resultou na prisão de chefes da facção em diversos bairros, como Marcos Vinícius Nepomuceno Serpa Filho, o Marcola, apontado como atuante nas imediações dos bairros Vila União e Joaquim Távora; Francisco José da Silva, conhecido como Zeca, que seria atuante na comunidade Tasso Jereissati, no bairro Jardim das Oliveiras; Renê Rodrigues Lima, da comunidade do Oitão Preto, no bairro Moura Brasil; Roberto Rodrigo Di Jackson Oliveira Freitas, o Canadá ou Fantasma, que seria fornecedor de entorpecentes para a facção, atuando, principalmente, na área da Sapiranga; e Almerinda Marla Barbosa de Sousa, a Ruiva, que seria “conselheira” da facção.

Criminosos da "Tropa do Lampião" apareceram em redes sociais ostentando fuzis. Em um dos vídeos, fizeram menção ao Estado com camisas de Ceará e Fortaleza
Criminosos da "Tropa do Lampião" apareceram em redes sociais ostentando fuzis. Em um dos vídeos, fizeram menção ao Estado com camisas de Ceará e Fortaleza (Foto: Reprodução)

Foi em mensagens de Almerinda que a Polícia Civil descobriu que Max Miliano era o chefe maior do CV no Estado. Em conversa no aplicativo Whatsapp, ela afirma que “Gordo” é a “única voz do Estado”. “O que ele disser tá dito. Ele que manda”. Ela ainda afirmou que todos têm medo dele, devido ao seu poder econômico, consta na denúncia. Seu interlocutor, Fernando Lopes Barros, o “Véi das Foices”, concorda. A denúncia ainda afirma que Gordo teria contato com Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como um dos maiores chefes nacionais do CV. Pelas mensagens encontradas em sua conta no iCloud, a Draco concluiu que “Humilde”, como também é conhecido Marcinho VP, detém dívida com Max Miliano. Ao todo, conforme contabilidade obtida pela Draco, o acusado teria para receber, de diversas pessoas, um total de R$ 2,1 milhões.

Além disso, na denúncia, Max Miliano aparece como chefe de um grupo que luta contra a facção carioca Terceiro Comando Puro (TCP) pelo domínio do Complexo das Almas, em São Gonçalo (RJ). “Nesse contexto, vários subordinados cearenses rumaram para o Estado do Rio de Janeiro e iniciaram uma intensa disputa”, diz a denúncia. A “Tropa do Lampião” ou “Tropa do Fantasma”, esta última referência ao braço direito de Max Miliano, chegou a publicar diversos vídeos ostentando fuzis nas redes sociais — um deles, chegou a exibir as camisas de Ceará e Fortaleza em menção ao Estado. Funks em alusão ao bando também foram publicados. Max Miliano foi preso junto com Fantasma em Benevides (PA), no dia 16 de fevereiro último. Em seu depoimento, Max Miliano fez uso do direito de ficar calado.

As interceptações telefônicas feitas no âmbito da operação ainda flagraram diversos outros crimes, como tráfico de drogas e de armas e lavagem de dinheiro. Em uma mensagem encontrada no celular de Pedro Diego Santos Araújo, é ofertado um fuzil calibre 556 por R$ 47 mil. Em anotação encontrada na "nuvem" de Marcelo Ferreira de Oliveira foi encontrada menção a 18 fuzis e 50 pistolas dos mais variados calibres. O Gaeco presume que as armas estão em posse de indivíduos ligados ao CV e que as armas são condizentes com os vídeos veiculados em redes sociais.

Foram denunciados:

- Pedro Diego Santos Araújo, o Gambá. Preso

- Darly Lima de Oliveira. Foragido

Daniel Oliveira da Silva, o Trator. Foragido

- Esclin da Silva Dantas, Ws ou Wesclin Foragido

- Breno Abreu de Sousa, o Arqueiro. Preso

- Renê Rodrigues Lima. Preso

- Dayane Sales da Silva. Presa

- Everlando César Peixoto, o Batata. Preso

 -Samoel Rodrigues Lima Filho. Foragido

- Francisca Emanuella Cunha Araújo, Loura. Preso

- Maria do Socorro Pinto de Sousa. Presa

 -Marcos Vinícius Nepomuceno Serpa Filho, Marcola. Monitorado por tornozeleira eletrônica

 -Wesley Gonçalves Jatai. Foragido

- Fernando da Silva Souza, Nando. Foragido

- Daniele Nascimento de Sousa. Presa

- Yuri da Silva. Foragido

- Keylla Cristina Peres Martins, a Tia. Presa

- Paulo Elenilton de Sousa, o Patati. Preso

- Regilene Melo de Sousa, a Lene. Preso

- Ediweny Morais Silva, o Índio. Preso

- Francisco José da Silva, o Tio Zeca, Zeca ou Diabão. Preso

- Almerinda Marla Barbosa de Sousa, a Ruiva. Presa

- Max Miliano Machado da Silva, Gordão ou Lampião. Preso

- Roberto Rodrigo Di Jackson Oliveira Freitas, o Fantasma. Preso

- Marcelo Ferreira de Oliveira. Preso

Guerra sem Fim

Série original do O POVO mostra origens e funcionamento das facções

Episódio 1: A Onda de Violência

Episódio 2: Tribunais do Crime

Episódio 3: Caminhos do Crime

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