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Operação fecha o cerco contra traficantes que teriam expulsado moradores de suas casas em Caucaia

Ofensiva policial contou com a participação de 400 profissionais da segurança; dois foragidos da Justiça foram presos
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Foram realizadas cerca de 450 abordagens, e dois suspeitos foram presos (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA Foram realizadas cerca de 450 abordagens, e dois suspeitos foram presos

Facções criminosas que disputam o controle territorial em áreas periféricas do município de Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), foram alvo de uma megaoperação policial deflagrada nesta sexta-feira, 13, pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). A ação ocorreu no âmbito da primeira fase da Operação Sumé, que de acordo com o órgão tem o objetivo de coibir práticas criminosas, como homicídios e roubos, além de investigar supostas ameaças de traficantes contra moradores de conjuntos habitacionais. A ofensiva ocorreu no residencial José Lino da Silveira, no bairro Jurema, e contou com a participação de ao menos 400 profissionais da Segurança e teve auxílio de uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer).

Segundo a SSPDS, a operação realizou cerca de 450 abordagens e cumpriu dois mandados de prisão por homicídio e estupro de vulnerável. A identidade dos suspeitos não foi divulgada. Ainda durante o trabalho, as equipes apreenderam uma arma artesanal calibre 12 - carregada com 13 munições -, 113 gramas de maconha, 27 gramas de cocaína, cinco pássaros silvestres e duas balanças de precisão. O material, de acordo com a Secretaria, era utilizado no comércio ilegal de entorpecentes.

Durante a operação, os policiais visitaram a maioria dos apartamentos do residencial para identificar possíveis criminosos foragidos da Justiça. Na abordagem, os moradores precisaram se identificar e responder perguntas sobre antecedentes criminais. Conforme o delegado geral da Polícia Civil, Sérgio Pereira, o procedimento é necessário para investigar denúncias de que moradores teriam sido expulsos de suas residências por membros de facções criminosas.

"A nossa inteligência demonstrou indicativos de que, nesses residenciais, principalmente nesse, existia uma possibilidade muito alta de que pessoas ligadas a organizações criminosas haviam ocupado de forma clandestina, através de coação e medo, alguns imóveis. O nosso objetivo principal é identificar, localizar e prender esses criminosos para trazer tranquilidade às pessoas de bem que residem aqui. O foco é garantir que as pessoas se sintam seguras ao transitarem pelas ruas", ressaltou Pereira.

Operação Sumé contou com apoio aéreo de helicóptero da Ciopaer
Operação Sumé contou com apoio aéreo de helicóptero da Ciopaer (Foto: divulgação/SSPDS)

Além das abordagens nas residências, houve blitz do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) nos principais pontos de acesso à localidade. No total, 110 veículos foram vistoriados. Destes, 49 possuíam algum tipo de irregularidade. Pelo menos 15 foram foram apreendidos, entre elas uma com queixa de roubo, que foi encaminhada ao 18° Distrito Policial (DP)e na sequência devolvida ao proprietário.

O comandante geral da Polícia Militar do Ceará (PMCE), coronel Márcio Oliveira, que acompanhou os trabalhos da operação in loco, ressalta que a atuação conjunta dos órgãos de segurança resulta em dois efeitos imediatos: “Mais segurança para a população e retirada de armas e drogas e criminosos do seio da sociedade”, enfatiza. A ofensiva contou com apoio operacional da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e Corpo de Bombeiros Militar (CBM).

Cidade em ordem

O nome da Operação, Sumé, faz referência a um personagem mítico indígena que, segundo a tradição dos povos originários, praticava o bem e ensinava as leis e as regras aos seus condescendentes. O termo também está ligado a um traço histórico de Caucaia, que segundo a Fundação Nacional do Índio – Funai, concentra cerca de 40% da população indígena cearense, estimada em 21 mil pessoas.

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