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Saúde mental é tema de discussões na 15ª edição do Futura Trends
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Saúde mental é tema de discussões na 15ª edição do Futura Trends

Evento foi realizado no Teatro RioMar, em Fortaleza, e reuniu público e palestrantes em torno de reflexões acerca do impacto da tecnologia no bem-estar psicológico
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FUTURA Trends 2025
 no Teatro Rio Mar (Foto: João Filho Tavares)
Foto: João Filho Tavares FUTURA Trends 2025 no Teatro Rio Mar

O tema saúde mental norteou debates realizados nesta quinta-feira, 28, na 15ª edição do Futura Trends, promovido pelo O POVO e Fundação Demócrito Rocha (FDR). Evento foi realizado no Teatro RioMar, em Fortaleza, e reuniu público e palestrantes em torno de reflexões acerca do impacto da tecnologia no bem-estar psicológico.  

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Com cerca de 850 pessoas presentes, o seminário contou com a presença de lideranças, empreendedores e gestores que buscaram o momento como um guia para entender os desafios da era digital no cotidiano, compreendendo como ferramentas digitais podem interferir na comunicação e nos relacionamentos.

Sob a temática "Saúde Mental e Novas Tecnologias. Transformando Ansiedade em Poder", palestras foram conduzidas por profissionais de referência na área, sendo eles: Luana Marques, professora da Harvard Medical School; Marco Aurélio Ruediger, diretor da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas (FGV); Talib Fisher, palestrante internacional especializado em Inteligência Relacional e Emocional; e Vanessa Cavalieri, juíza da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro. 

João Dummar Neto, presidente executivo do O POVO, destaca que o tema escolhido para esta edição do seminário está dentro do compromisso firmado pelo grupo de comunicação, de "discutir e provocar temas da atualidade que estão ligados ao dia a dia e que mexem de alguma forma com a vida cotidiana". 

"(Tema) Tem uma força muito grande porque nós vivemos quase que uma pandemia de pessoas com dificuldades de compreender o que está acontecendo, a velocidade do que as coisas estão acontecendo nas empresas (...) Isso a gente tem que entender para poder transitar nesse cenário. E aí você traz um outro elemento que é a inteligência artificial (...) Que muda a velocidade. Então, nós precisamos respirar, aprender a respirar, aprender a ter calma e entender o que está acontecendo", frisa. 

Conforme o jornalista e idealizador do Futura Trends, Nazareno Albuquerque, as palestras buscaram provocar no público, principalmente, um sentimento de alerta. "Eu acho que as pessoas vão sair daqui mais alertas sobre problemas sociais, sobre a questão da ameaça das redes sociais, sair com preocupação sobre a importância de saber agir como cidadão diante das redes sociais", destaca. 

De fato, em muitos momentos o evento trouxe reflexões aos presentes. Luana Marques, por exemplo, abriu o seminário pontuando que a ansiedade em si não é um problema, mas sim o que fazemos com ela. 

Psicóloga tem mais de 20 anos de pesquisa em neurociência e é uma das principais referências globais em saúde mental. Na ocasião, a especialista usou do conceito "de evitação psicológica" para explicar como os indivíduos podem ficar presos aos ciclos de ansiedade e estresse, se deixando paralisar por eles. 

Nesse cenário, ela avaliou como a tecnologia pode agir como vilã. Isso porque as plataformas digitais podem ser utilizadas para evitar o que incomoda. Segundo aponta, existem pessoas que, ao invés de lidarem com o desconforto que sentem, buscam o Instagram para sentirem alguma espécie de alívio. 

 

Luana frisa que o uso dessa plataforma libera dopamina e por isso pode dar ao indivíduo uma sensação de estar "mais contente", que o leva a buscar pela rede social sempre que se sente desconfortável ou triste. 

"As redes sociais infelizmente foram feitas para poder engatar o cérebro de uma forma que (traz) um alívio rápido (...) Não é o tempo (de uso) em si, mas como a gente tá usando. Se a gente tá usando só pra poder aliviar, a gente pode ficar preso (as redes sociais)", destaca a psicóloga.  

Impacto no bem-estar psicológico de crianças e adolescentes

O efeito da tecnologia na saúde mental pode ser ainda mais devastador quando se trata de crianças e adolescentes. Esse impacto foi discutido durante a palestra da juíza Vanessa Cavalieri, que é membro do International Visitors Leadership Program do Departamento de Estado dos Estados Unidos. 

Na ocasião, a profissional discorreu sobre como as ferramentas digitais podem deixar as novas gerações mais suscetíveis a depressão e a ansiedade, relacionando o aumento das violências envolvendo adolescentes com o uso de tecnologias por eles sem a supervisão de adultos.

"É uma fase de muito risco pra saúde do adolescente porque se vive um luto da infância, a criança desaparece, se torna um adolescente", frisa a profissional, destacando que as redes sociais vendem uma vida irreal: "Nós que somos adultos já somos impactados com isso, imagina uma adolescente que não tem repertório de vida suficiente, de experiência de vida pra perceber que isso não é real", pontua.

Vanessa também falou sobre a exposição do público mais jovem nas redes sociais, e como ela pode ser prejudicial para eles. Tema passou a ser mais discutido no Brasil após um vídeo publicado no início deste mês pelo youtuber Felca, que expôs a adultização de menores de idades em plataformas digitais. 

"Pessoas que nunca tinham se atentado para o problema, passaram a prestar mais atenção (...) Quanto mais pessoas tiverem conhecimento, mais a gente consegue proteger as crianças", destacou. 

 


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