Os dois municípios mais violentos do Ceará em 2025 (entre as cidades com mais de 100 mil habitantes) registram redução no número de homicídios em 2026. Enquanto Maracanaú (Região Metropolitana de Fortaleza) registrou um assassinato neste ano, em Maranguape (também na Região Metropolitana de Fortaleza) ainda não ocorreu nenhum homicídio.
Os dados são corroborados pelas estatísticas divulgadas nessa segunda-feira, 26, pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). O último homicídio ocorrido em Maranguape conforme a SSPDS foi em 25 de dezembro de 2025. No ano passado, até o dia 20 de janeiro, Maranguape já computava seis mortes.
Já em Maracanaú, um assassinato havia ocorrido em 27 de dezembro e, um mês depois, nesta terça-feira, 27, um corpo foi encontrado no bairro Pajuçara. A SSPDS confirmou que a vítima, do sexo masculino e que ainda não foi identificada formalmente, apresentava lesões causadas por disparos de arma de fogo.
Em todo o ano passado, Maranguape registrou 106 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), a soma de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.
Como O POVO mostrou em 10 de janeiro passado, isso representa uma taxa de 97,58 CVLIs por 100 mil habitantes em Maranguape, o que só foi menor no Estado que os índices de Groaíras, Varjota, Cariré e Aratuba, todos municípios com menos de 20 mil habitantes. Em números absolutos, no ano passado, Maranguape só registrou menos CVLIs que Fortaleza (742), Caucaia (246), Maracanaú (200) e Sobral (112).
Além disso, os homicídios registrados em Maranguape em 2025 cresceram 24,7% em relação a 2024, quando 85 assassinatos haviam sido computados. Nesse mesmo ano, Maranguape apareceu como o município mais violento do Brasil, entre aqueles com mais de 100 mil habitantes, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.
Já Maracanaú teve em 2025 a oitava maior taxa de assassinatos entre todos os municípios cearenses, com um índice de 79,48 mortes por 100 mil habitantes.
As quedas nos números de homicídios em Maracanaú e Maranguape neste ano coincidem com a expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV) nesses municípios no final de 2025.
Em 28 de dezembro passado, uma intensa queima de fogos anunciou que criminosos de regiões como a comunidade da Colônia, no bairro Barra do Ceará, aderiram ao CV — sendo que antes integravam o Terceiro Comando Puro (TCP), que, por sua vez, substituiu a Guardiões do Estado (GDE).
O POVO apurou que os faccionados de Maracanaú e Maranguape que antes integravam o TCP também passaram para o CV. Essa mudança de facção ficou evidenciada, inclusive, após a prisão de homens apontados como tendo posições de comando no tráfico de drogas em Maranguape e em Maracanaú.
No caso de Vinicius da Silva Oliveira, o “MT dos 40” ou “Mortadela”, preso em 8 de janeiro, a Polícia Civil do Ceará (PC-CE) divulgou que ele chegou a ser o “número 1” do TCP em Maranguape, mas, em dezembro, ele migrou para o CV.
Outro que também teria feito essa mudança conforme a PC-CE foi Alan da Silva Oliveira, de 29 anos, preso em 17 de janeiro acusado de chefiar o CV nos bairros Jardim Bandeirantes e Pajuçara, em Maracanaú.
“Alan da Silva Oliveira, vulgo Bananada, realizou essa transição nos últimos dias de 2025, como uma estratégia de sobrevivência criminal e para consolidar o domínio territorial do CV nos bairros Bandeirantes e Pajuçara, em Maracanaú/CE, áreas que historicamente eram controladas pela GDE/TCP”, consta no Auto de Prisão em Flagrante (APF) dele.
O POVO procurou a SSPDS para saber se a pasta iria manifestar-se sobre o nexo entre a expansão do CV e a queda no número de homicídios nos dois municípios. A pasta afirmou que seria a Polícia Militar do Ceará (PM-CE) que iria pronunciar-se. Confira a nota da PM-CE:
A Polícia Militar do Ceará (PMCE) informa que o penúltimo registro de homicídio na cidade de Maracanaú ocorreu no dia 27 de dezembro de 2025, o último, ocorreu nessa terça-feira (27). Em Maranguape, o último registro foi no dia 25 de dezembro de 2025.
A PMCE atua na cidade por meio do 14º Batalhão de Polícia Militar (14º BPM) que emprega viaturas do Policiamento Ostensivo Geral (POG), Força Tática, Motopatrulhamento, ciclopatrulhamento, policiamento a pé e base fixa na Ceasa. Também há na cidade o Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (BEPI), a 2ª Companhia do 2º Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (2ª Cia/ 2º BPRAIO), Postos de Fiscalização Fixas do Batalhão de Polícia de Trânsito Urbano e Rodoviário Estadual (BPRE), e conta com a atuação do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac). Demais unidades especializadas da PMCE também reforçam o patrulhamento em Maracanaú em ocasiões estratégicas.
Em Maranguape, o policiamento é realizado por meio do 24º BPM, que emprega equipes do POG, Força Tática, Motopatrulhamento, Patrulha Rural, base fixa, policiamento a pé, Patrulha Maria da Penha e Segurança Escolar. Também há na cidade o 1º Pelotão da 2ª Companhia do 2º Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (1º Pel/ 2ª Cia/ 2º BPRAIO).
A PMCE atua de forma integrada às demais forças de segurança do estado e do município, e além de atuar de forma preventiva e repressiva contra a criminalidade, a corporação também realiza prisões e apreensões por meio de informações das Subagências de Inteligência (SAI) das unidades.
Demais unidades especializadas da Corporação atuam nos locais conforme demanda e planejamento estratégico.
A população pode contribuir com a segurança do município repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via “e-denúncia”, o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
Retorno
O POVO procurou a SSPDS para saber se a pasta iria manifestar-se sobre o nexo entre a expansão do CV e a queda de homicídios. Foi dito que a Polícia Militar iria pronunciar-se, mas não houve retorno, até a publicação desta matéria