A briga entre as torcidas organizadas do times do Fortaleza e do Ceará antes do primeiro Clássico-Rei do ano teria sido convocada por ambos os grupos por meio de chamamentos pelas redes sociais antes da partida nesse domingo, 8. O confronto resultou em 357 capturas, sendo 241 adultos e 116 adolescentes suspeitos de envolvimento no tumulto. Dos adultos, 59 tiveram prisão preventiva decretada até a publicação desta matéria.
A captura foi considerada a maior já registrada em confrontos envolvendo torcidas organizadas no Ceará pelas forças de segurança do Estado, sendo um número três vezes superior ao de prisões no primeiro jogo entre as equipes no ano passado. Em fevereiro de 2025, 115 integrantes de torcidas organizadas foram detidos no primeiro Clássico-Rei do período.
Conforme o inquérito policial que investigação as ações criminosas, ao qual O POVO teve acesso, foram identificadas convocações feitas por grupos da Torcida Força da Galera (antiga TUF) e da Torcida Organizada do Ceará (TOC). As mensagens mencionam o chamamento de integrantes de bairros como Ellery, Bom Jardim, Parque São José e Barro do Ceará, entre outros.
Algumas das postagens eram acompanhadas de imagens que mostravam prédios incendiados e depredados. As informações do relatório técnico do inquérito concluem que a briga entre as torcidas foi articulada e premeditada.
É o que confirmou o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), delegado Ricardo Pinheiro.
“Houve toda uma preparação desses torcedores no sentido de convocar e premeditar essa situação. Foi possível também identificar essas torcidas organizadas fizeram um recrutamento por meio de redes sociais. Quem se deslocou e participou do confronto, não estava à toa. Eles foram atendendo a um chamamento dessas torcidas organizadas”, disse o delegado.
O POVO conversou com o advogado Adriano Caúla, que acompanhou 15 dos detidos nos depoimentos que eles prestaram. Conforme ele, o grupo não havia combinado a briga, tendo se encontrado com os rivais por acaso nas proximidades da Universidade de Fortaleza (Unifor).
O coordenador da Coordenadoria de Planejamento Operacional (Copol), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Harley Filho, disse que as torcidas foram monitoradas sendo identificadas ao longo de um mês antes do jogo durante reuniões de planejamento operacional e de Inteligência.
Foram identificados, inicialmente, os pontos de possível confronto. “Locais estrategicamente escolhidos por ficarem distantes da Arena Castelão, numa tentativa de evitar a presença policial. Só que as nossas Forças já estavam posicionadas nestes pontos e atuaram realizando a captura e condução dos envolvidos para a delegacia”, disse Harley.
Ao longo da tarde desse domingo, imagens entre as torcidas organizadas circularam nas redes sociais. Os tumultos foram registrados em bairros como Edson Queiroz e Jardim Iracema, além das vias próximas à Arena Castelão, onde o jogo aconteceu entre Fortaleza e Ceará.
Uma das imagens que mais chamou atenção mostra um homem sendo espancado por várias pessoas, enquanto policiais militares tentam conter o confronto com o uso de munição menos letal. A vítima aparenta estar inconsciente. Outro vídeo registra um grupo de mulheres cercando uma torcedora com uniforme do time rival e a obrigando a retirar a blusa.
Nenhum óbito foi confirmado até a tarde desta segunda-feira, 9, um dia após a briga entre as torcidas. Foram confirmadas 357 capturas, entre adultos e adolescentes. Ao longo da manhã desta segunda-feira, 9, os envolvidos realizaram exames de corpo de delito na sede da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), em Fortaleza.
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De acordo com a Polícia Civil, os adultos foram autuados pelos crimes de lesão corporal, associação criminosa, desobediência, corrupção de menores e tumulto, conforme previsto na Lei Geral do Esporte. Já os adolescentes responderão por atos infracionais análogos aos crimes de lesão corporal, integrar organização criminosa, dano e briga entre torcidas.
Com eles, durante os confrontos, também foram apreendidos artefatos explosivos artesanais, socos-ingleses, proteção bucal, entorpecentes, ripas de madeira, smartphones, veículos e outros materiais ilícitos, que foram apresentados nas delegacias.
A investigação está a cargo do DRCO.
Facção teria ameaçado lideranças de torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza
Após as brigas registradas nesse domingo, 8, a facção criminosa Comando Vermelho (CV) teria ameaçado lideranças de torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza. Conforme O POVO apurou, o objetivo seria acabar com conflitos como os registrados antes do Clássico-Rei válido pelo Campeonato Cearense.
Nesta segunda-feira, 9, passaram a circular nas redes sociais “salves” atribuídos ao CV ordenando o fim dos confrontos. Além disso, é exigida a renúncia dos presidentes de torcidas organizadas, incluindo daqueles que estão à frente de seccionais regionais e de bairros dessas agremiações.
“Passando pra comunicar a todos os componentes de torcida organizada, que briga de torcida está totalmente brecado dentro do estado!!” (Sic), diz uma das mensagens. “Já que não sabem curtir sem trazer problemas para a organização e sem trazer o sistema pra dentro da quebrada e ainda por cima lotando as cadeias!”.
Paralelamente, também passaram a circular vídeos de pessoas que ocupavam cargos de liderança nas torcidas renunciando aos passos. São tanto integrantes de organizadas do Fortaleza, quanto do Ceará.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) não informou se algum registro das ameaças foi formalizado. A pasta afirmou apenas que a “Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) apura todas as informações de ações criminosas que chegam ao conhecimento das autoridades policiais”.
Além disso, a SSPDS ressaltou que “setores de Inteligências das Forças de Segurança do Estado auxiliam os trabalhos policiais”.
No domingo, brigas entre torcedores foram registradas em vários bairros da Capital, como Jardim Iracema, Edson Queiroz, Barroso e Bom Jardim. Ao todo, 357 suspeitos de participação nos confrontos foram capturados, sendo 241 adultos e 116 adolescentes.
Foi o maior número já registrado no Estado envolvendo conflitos de torcidas, conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). A pasta informou que três pessoas ficaram feridas e foram socorridas. Não houve mortes, confirmou a SSPDS.
Além das capturas, as Forças de Segurança do Estado apreenderam artefatos explosivos artesanais, socos-ingleses, entorpecentes, ripas de madeira, smartphones, veículos e outros materiais ilícitos.
Conforme o delegado Harley Filho, da Coordenadoria Integrada de Planejamento Operacional (Copol) da SSPDS, os confrontos foram previamente combinados e se deram, inclusive, entre torcidas do mesmo time.
Crimes
Os adultos foram autuados pelos crimes de lesão corporal, associação criminosa, desobediência, corrupção de menores
e tumulto