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Defesa das eleições em 2022 entra na pauta das manifestações

Afastamento do presidente Bolsonaro, no entanto, continua sendo o principal elemento catalizador dos protestos. Há registros em pelo menos 300 cidades de vários estados
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Cerca de oito quarteirões da Avenida Paulista foram ocupados pelo ato de ontem
 (Foto: AFP)
Foto: AFP Cerca de oito quarteirões da Avenida Paulista foram ocupados pelo ato de ontem

Fechando uma semana politicamente tensa, marcada pelas ameaças do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, de que eleições sem voto impresso não seriam aceitas em 2022 - reveladas pelo Estadão - e pela chegada do senador Ciro Nogueira (PP-PI) à Casa Civil da Presidência, partidos de oposição e grupos ativistas fizeram ontem, por todo o País, a quarta manifestação contra o governo em dois meses. Segundo os organizadores, houve protestos em mais de 300 cidades, entre elas 19 capitais.

Sob o título #24JContraBolsonaro -, eles pediram o impeachment do presidente e criticaram a gestão da pandemia, a alta do preço dos alimentos e defenderam as eleições de 2022. Em São Paulo, o ato ocupou parte da Avenida Paulista e foi menor e mais disperso que os anteriores.

Todos os 15 quarteirões da avenida foram fechados para carros, mas os manifestantes se dividiram em bolsões entre os 8 quarteirões entre a Consolação e a rua Pamplona. Onze carros de som estavam estacionados em pontos estratégicos.

À noite, alguns manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar. A PM informou em seu Twitter que algumas pessoas quebraram vidros de uma agência do banco Itaú e tentaram tirar tapumes da frente de uma concessionária da Hyundai, na Consolação. A Tropa de Choque usou bombas de gás lacrimogêneo.

Além dos protestos em São Paulo, destacaram-se os feitos no final da manhã no Rio, Brasília, Belo Horizonte e Recife. No Rio, os grupos se concentraram junto ao Monumento a Zumbi dos Palmares, ocupando ao longo de 300 metros as pistas da Avenida Getúlio Vargas. No principal carro de som, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) pediu a prisão de Bolsonaro "por negligência na condução do combate à pandemia". Segundo ele, ,o presidente "não pode apenas ser tirado da Presidência, tem de ir para a cadeia". Em Brasília, os manifestantes se reuniram no meio da tarde no Museu Nacional e dali marcharam para a Esplanada dos Ministérios.

Em Salvador, o protesto reuniu algumas centenas de pessoas, sob chuva fraca em alguns momentos, entre 10 da manhã e 12h30min. No Recife, a concentração começou às 10 horas, na região central da cidade, onde além das bandeiras dos partidos de esquerda havia outras do Brasil, de Cuba e da Palestina.

"Essa é a vontade do povão, o Bolsonaro vai pra prisão", dizia um dos cartazes. Houve ainda manifestações em São Luís, onde os manifestantes contaram com a companhia do grupo Evangélicos pelo Fora Bolsonaro - e em Maceió, Vitória, Fortaleza, Aracaju, João Pessoa, Natal, Teresina, Belém, Palmas, Goiânia, Campo Grande, Florianópolis e Porto Alegre.

No interior de São Paulo, em cidades como Campinas, Sorocaba, Bauru e Jundiaí, os manifestantes voltaram a protestar pedindo mais vacina, auxílio emergencial de R$ 600 e cobraram dos parlamentares o impeachment contra o presidente.

 

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