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Bolsonaro cogita filiação ao PP, alvo da Lava Jato e símbolo do centrão

Ainda sem partido para disputar eleição, presidente admite que pode se juntar ao PP de Ciro Nogueira, indicado para a Casa Civil
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PRESIDENTE convidou Ciro Nogueira para a Casa Civil (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)
Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República PRESIDENTE convidou Ciro Nogueira para a Casa Civil

Cada dia mais próximo da cúpula do Progressistas (PP), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ontem que a sigla é "uma possibilidade de filiação" para ele e seu grupo político. A legenda é comandada hoje pelo senador Ciro Nogueira (PI), um dos líderes do centrão e provável futuro titular da Casa Civil, principal ministério do Planalto.

"O PP passa a ser uma possibilidade de filiação", disse, destacando que procura sigla onde possa exercer controle. "Tentei e estou tentando um partido que eu possa chamar de meu e possa, realmente, se for disputar a Presidência, ter o domínio do partido. Está difícil, quase impossível", disse, em entrevista à Rádio Grande FM, do Mato Grosso do Sul.

Com vários líderes do centrão – que une partidos e políticos com pouca consistência ideológica –, o PP é considerado “símbolo” do bloco, hoje a base da sustentação de Bolsonaro no Congresso. Quando disputou a Presidência em 2018, o presidente tinha discurso crítico ao grupo, que chegou a chamar de “a alta nata de tudo o que não presta”.

Se o presidente atacava o centrão, a recíproca também era verdadeira. O próprio Ciro Nogueira, recentemente convidado para assumir a Casa Civil, apoiava Lula (PT) e disse em 2017 que Bolsonaro tinha "caráter fascista, preconceituoso". Em live na última quinta-feira, 22, o chefe do Planalto minimizou a questão: “As coisas mudam", disse.

A aproximação entre Bolsonaro e o centrão ocorre em momento de crescente desgaste e fragilidade do Planalto, com índices recorde de desaprovação do presidente, acúmulo de mais de 120 pedidos de impeachment e avanço da CPI da Covid sobre supostos escândalos de corrupção envolvendo compra de vacinas pelo governo.

Na última pesquisa Datafolha, por exemplo, Bolsonaro perdia para Lula por 58% a 31% no 2º turno. Como o centrão soma cerca de 200 dos 513 deputados brasileiros, incluindo vários dos mais influentes, o bloco acaba sendo essencial para a estabilidade do governo – ainda que exponha a fragilidade no discurso bolsonarista, que sempre criticou conchavos e o chamado “toma lá, dá cá”.

Além de colocar Bolsonaro em xeque nesse sentido, a aproximação ainda pode fragilizar o discurso anticorrupção adotado de forma radical pelo presidente em 2018. O Progressistas, sigla em que ele cogita se filiar, é um dos principais implicados no escândalo de desvio de recursos da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

PRESIDENTE esteve ontem em evento no Piauí com o senador Ciro Nogueira, presidente do PP(Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República)
Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República PRESIDENTE esteve ontem em evento no Piauí com o senador Ciro Nogueira, presidente do PP

O próprio Ciro Nogueira, que deve substituir Luiz Eduardo Ramos, um dos ministros mais próximos de Bolsonaro, responde a três inquéritos no STF no âmbito da Operação, com acusações de pagamento e recebimento de propina. Em dois deles, o Ministério Público Federal já apresentou denúncia, que ainda são avaliadas pela Corte. Não há, no entanto, ainda nenhuma condenação contra o senador.

No Ceará, o Progressistas tem posição curiosa, apoiando tanto o governo Jair Bolsonaro a nível nacional quanto o governo Camilo Santana (PT) a nível estadual. Entre um dos principais líderes da sigla no Estado, está o deputado federal AJ Albuquerque, filho do deputado estadual Zezinho Albuquerque (PDT), um dos mais antigos aliados de Cid e Ciro Gomes (PDT) no bloco governista.

Para abrigar o Progressistas no governo, Bolsonaro terá que fazer até um "rearranjo" de pastas do Governo. A ideia, que seria executada por meio de Medida Provisória, levaria o atual ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, para a Secretaria-Geral da Presidência. Já o atual titular da pasta, Onyx Lorenzoni, iria para o Ministério do Trabalho e da Previdência, que seria recriado a partir de um desmembramento da Economia.

 

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