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Relação com a China vai beneficiar melão do Ceará
Economia

Relação com a China vai beneficiar melão do Ceará

O acordo firmado pelo Brasil com a China vai favorecer a venda da fruta do Ceará, que, junto do Rio Grande do Norte, representa mais de 90% da produção nacional
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CERIMÔNIA de assinatura de Atos que estabeleceram a abertura comercial entre Brasil e China abre caminho para melão no Ceará (Foto: ISAC NÓBREGA/PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA)
Foto: ISAC NÓBREGA/PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA CERIMÔNIA de assinatura de Atos que estabeleceram a abertura comercial entre Brasil e China abre caminho para melão no Ceará

A expectativa com a abertura comercial entre Brasil e China é dobrar a exportação de melão no País, o que beneficia o Ceará, que, junto com o Rio Grande do Norte, monopoliza a produção no País em mais de 90%. Estimativa do presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Frutas (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcelos, é que nos próximos cinco a dez anos a venda para fora atinja a marca de 500 milhões de dólares, com o reforço da demanda consumidora do mercado chinês.

"Temos a possibilidade de dobrar essa participação, de 250 mil toneladas. Hoje, a parcela do Ceará já é de praticamente metade desse mercado", explica Barcelos, que também é sócio diretor da Agrícola Famosa, maior exportadora de melão do Brasil, com fazendas em Icapuí (CE) e Mossoró (RN).

Atualmente, a exportação de melão do Estado está centrada em países da Europa. A nova rota com a China é simbólica, porque será a primeira fruta brasileira a entrar na China.

Conforme Barcelos, a participação do Governo Federal nas negociações ajudaram. "Há sete anos negociávamos com o governo chinês essa abertura de mercado e agora conseguimos". A comitiva brasileira que viajou à Ásia no fim do primeiro semestre foi determinante para que o encaminhamento.

O acordo definitivo foi firmado em reunião bilateral na XI Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Em contrapartida, o País passa a importar da China. Segundo a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Teresa Cristina, já existe um trabalho que vem sendo feito em conjunto entre as agriculturas brasileira e chinesa. "Mas a parceria com a China fica mais robusta com a reunião".

Entre as nações, foi firmado também plano de ação para colaboração agrícola, que prevê transferência de tecnologia, inovação, atração de investimentos e promoção comercial entre os dois países. O assessor técnico da Superintendência de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Pedro Henriques Pereira, afirma que, além do melão, existe demanda no mercado chinês por frutas estrangeiras e exóticas.

"Além do melão brasileiro, que é rico em sabor, as frutas da Amazônia também têm chamado a atenção dos consumidores chineses", diz.

O titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet), Maia Júnior, acredita que o fortalecimento das relações comerciais com os chineses deve promover a ampliação da importância da fruticultura na balança comercial cearense, fornecendo uma maior robustez aos setores impactados.

"Esses acordos são importantíssimos para o Brasil, primeiramente por causa do aumento da competitividade e produtividade necessária para o desenvolvimento do País. Vai promover uma competição maior", complementa.

Maia ressalta que acordos desse tipo ajudam no projeto da Sedet de expandir os empregos no campo, ampliando a área plantada nos polos produtores de melão no Estado, que atualmente ocupam 5 mil hectares.

Em 2018, o melão foi o sétimo item mais exportado do Ceará para o mundo. O acordo envolvendo a fruta também deve fazer com que o Ceará deixe de ser apenas o 19º estado do País em negócios com a China, com pouco menos de 40 milhões de dólares em exportações (2018), segundo o Governo Federal. Conforme a Abrafrutas, mais três produtos entrarão em negociações futuras com o país asiático: uva de mesa, abacate e limão. "Quanto mais frutas mandarmos para lá, mais fácil fica a oferta de navios para o local", diz Barcelos. (Colaborou Marília Freitas / Especial para O POVO) Leia 

Carta

Em setembro, a ministra liderou a 9º Reunião dos Ministros da Agricultura do Brics, realizada em Bonito (MS). Representantes dos cinco países assinaram a Carta de Bonito, com 27 itens que reiteram o comprometimento com a cooperação na área agrícola.

DESENVOLVIMENTO

No fim da XI Cúpula do Brics, os chefes de Estado dos cinco países aprovaram a Declaração de Brasília, com as principais decisões do grupo. Na área da agricultura, o documento reconhece a importância da cooperação entre os países e da gestão sustentável dos recursos naturais e destaca que o comércio no bloco deve se basear na ciência e na tecnologia.

Negócios com outros países

O secretário especial de Relações Internacionais enumerou pelo menos duas outras nações com potencial de abertura de mercado e troca de tecnologias.

-Dinamarca: intenção do mercado da inovação, transferência de tecnologia. Contato com os dinamarqueses para trazer boas práticas.

-Israel: processos de reúso de água e segurança.

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