Economia

Valor de testes rápidos de Covid-19 varia até 141,6% em Fortaleza

Levantamento O POVO mostrou também que na categoria de exames por sorologia (IgG e IgM) a diferença chega a 62,5%, enquanto nos do tipo PCR a 48,3%
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HÁ TESTES que podem ser realizados presencialmente ou em casa
 (Foto: Fabio lima)
Foto: Fabio lima HÁ TESTES que podem ser realizados presencialmente ou em casa

Em Fortaleza, para fazer um teste para Covid-19 pela rede particular é preciso desembolsar entre R$ 120 e R$ 460, a depender do local e da metodologia utilizada para fazer o exame. Há também grandes variações dentro de uma mesma categoria. Levantamento feito pelo O POVO em 13 estabelecimentos mostrou, por exemplo, que, dentre os testes rápidos, a diferença de preços pode chegar a 141,6%.

Este tipo de exame, mais rápido e menos complexo, feito a partir de uma gota de sangue, pode ser encontrado tanto em laboratórios, variando de R$ 280 e R$ 290, e farmácias ou no próprio Serviço Social da Indústria (Sesi), que vão de R$ 120 a R$ 140. 

Os testes do tipo sorológico, coletados por amostra de sangue, para identificar se a pessoa já teve contato ou não com a doença a partir da contagem quantitativa e qualitativa dos anticorpos, requer estrutura laboratorial.

A maior variação de preços, de 62,5%, foi identificada nos exames pela metodologia Quimioluminescência (IgC/ IgM), com valores entre R$ 240 e R$ 390. Já os sorológicos pela metodologia Elisa custam entre R$ 290 e R$ 400, diferença de 37,9%.

Os do tipo PCR, considerado 'padrão ouro' e que identifica se o vírus está presente no organismo naquele momento, custam em Fortaleza entre R$ 310 e R$ 460, variação de 48,3%.

Na avaliação do epidemiologista e economista em saúde da Universidade do Estado do Ceará (Uece), Marcelo Gurgel, diversos fatores explicam a variação de preços dentro de uma mesma categoria. Desde a qualidade do exame oferecido (grau de sensibilidade, especificidades e propriedades de diagnóstico do exame), o fornecedor escolhido, a estrutura do estabelecimento, passando também pelo poder de negociação do laboratório para compras. "Laboratórios menores têm maior dificuldade de oferecer um preço mais competitivo".

Ele reforça que os testes rápidos são mais baratos porque sua forma de produção e análise dependem menos de intervenção humana. "Trabalha-se com quites pré-prontos, que dão uma resposta mais rápida, mas com menor precisão. E são produzidos em grande escala, o que reduz o preço ao consumidor".

No caso das farmácias e do Sesi, ele acrescenta ainda que por se tratar de compras nacionais, ou seja, em maior quantidade, por conta da capilaridade do setor, há uma facilidade maior de negociação com fornecedores deste tipo de produto. O tipo de quite adquirido também influencia na conta.

Dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) mostram que este tem sido um mercado promissor para o setor. Em dois meses, foram aplicados pelas farmácias quase 200 mil testes rápidos no Brasil. E a quantidade de procedimentos realizados no período de 29 de junho e 5 de julho, 52 mil, é 36,02% maior que o da semana anterior e 82,07% em relação à semana retrasada.

Em números absolutos, dentre os estados, o Ceará é o quinto que mais realiza testes em farmácia. Em dois meses, foram 11,8 mil em 57 estabelecimentos. São Paulo, primeiro no ranking, tem 75,6 mil testes feitos por 555 farmácias.

Comodidades oferecidas aos clientes, como coleta em domicílio ou drive-thru, também adicionam ao preço.

Gurgel pondera que esses valores estão distantes da realidade financeira da maior parte da população. O valor mais barato de um exame PCR, por exemplo, é pouco mais da metade do valor do auxílio emergencial de R$ 600 oferecido pelo Governo. Mas, não acredita que esteja ocorrendo cartelização dos preços para cima, em função da pouca oferta.

"Embora hoje muitos testes já sejam produzidos no Brasil, muitos insumos são importados, o que torna a operação mais cara. Mas a tendência é que conforme as tecnologias forem avançando e mais gente produzindo, os preços também se tornem mais acessíveis".

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Entenda a diferença entre os exames

PCR - Serve para detectar a presença do vírus no organismo do paciente. O material é coletado do nariz e da garganta do paciente por meio de uma espécie de cotonete (swab). É o mais preciso, porém, indicado para ser feito apenas nos primeiros dias do sintoma.

Sorologia - Esse exame diz se a pessoa já teve contato com o vírus a partir da produção de anticorpos contra a doença. No caso do Elisa, vai quantificar o IgA, IgM e IgC produzidos pelo organismo. Já a maioria dos exames por Quimioluminescência medem IgM e IgG. Como o organismo só começa a produzir anticorpos depois da infecção instalada, é recomendado fazer o teste a partir do 10º dia de início dos sintomas. Pelo nível de anticorpos é possível dizer se a infecção é recente, se ainda está contaminado ou não.

Teste rápido - Indica se já desenvolveu anticorpos contra a doença, mas não informa se a pessoa está contaminada naquele momento. Indicação é fazer entre o 7º e 10º dia dos sintomas.

 

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