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Economia

No Ceará, 10,9% dos domicílios sobrevivem apenas do auxílio emergencial

No Brasil, o percentual é de 6,2%. Dados do Ipea mostram que, nos lares mais pobres, o rendimento foi 32% maior que a renda habitual
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Impacto da pndemia sobre os rendimentos (Foto: luciana pimenta)
Foto: luciana pimenta Impacto da pndemia sobre os rendimentos

No Ceará, 10,93% dos domicílios sobreviveram, em agosto, apenas com a renda do auxílio emergencial do Governo. No Brasil, este percentual é de 6,2%, o que, em valores absolutos, contabiliza cerca de 4,25 milhões de lares. Os dados são de um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mostra também que essa ajuda financeira foi essencial para que os rendimentos, entre os domicílios mais pobres no País, fossem 32% maiores que as rendas habituais de agosto. Ou seja, esta parcela da população está ganhando mais do que ganhava antes da pandemia.

Dentre as regiões, a proporção de lares que sobrevivem apenas com a ajuda governamental é maior no Nordeste. No Piauí e na Bahia, ultrapassa a marca dos 13%. Por outro lado, em Santa Catarina, o percentual foi de apenas 1,68%, o menor do País. Estes são indicadores que têm se mantido praticamente estáveis ao longo dos meses.

No Ceará, por exemplo, de julho para agosto a variação foi de apenas 0,14 ponto percentual. E em junho o percentual de lares que sobreviviam do auxílio era de 11,09%. O que é preocupante na avaliação do pesquisador do Ipea, Sandro Sacchet.

"A diferença é muito pouca, o que mostra que a reação no mercado de trabalho tem sido muito lenta. Ou seja, mesmo com a reabertura gradativa da economia, as pessoas mais pobres não estão conseguindo encontrar emprego".

O estudo "Os efeitos da pandemia sobre os rendimentos do trabalho e o impacto do auxílio emergencial: os resultados dos microdados da PNAD Covid-19 de agosto", feitos a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também mostrou que os trabalhadores cearenses ocupados, em agosto, receberam, em média, R$ 1.531,15.

O montante equivale a 91,3% dos rendimentos habituais. Situação um pouco melhor do que a constatada no mês de julho, quando a razão entre os rendimentos era de 88,1%, um avanço de 3,2 pontos percentuais.

No Brasil, em agosto, o rendimento efetivo médio de quem estava trabalhando foi de R$ 2.132,36. São R$ 251 a menos do que o rendimento habitual de R$ 2.384,22, uma razão de 89,4%.

No entanto, o quadro poderia ser pior se não fosse a ajuda financeira do Governo. Pelos cálculos do Ipea, com o auxílio emergencial, a renda domiciliar média no País subiu em mais de 3% em relação ao que seria recebido apenas com os rendimentos habituais do trabalho.

Sandro Sacchet fez uma projeção do que teria acontecido caso todos os domicílios contemplados pelo auxílio emergencial em agosto tivessem recebido apenas a metade do valor pago, que é o que acontecerá a partir deste mês, quando começa efetivamente a redução da parcela do auxílio de R$ 600 para R$ 300. E a conclusão foi que a renda domiciliar média teria sido 5,3% menor. Entre as famílias de renda muito baixa, o valor cairia quase 20%. "Mas ainda assim a renda seria 6% maior que a habitual", afirma.

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Benefício

Os trabalhadores brasileiros ocupados ainda recebiam menos que o habitual no mês de agosto, o equivalente a 89,4% dos rendimentos habituais. No entanto, o pagamento do auxílio mais do que compensou essa perda, segundo cálculos
do Ipea.

 

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