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Economia

Mesmo com pandemia, Grande Fortaleza vive "miniboom" no mercado imobiliário

Segundo o Sinduscon, já há construtoras sem unidades em estoque. A combinação juros baixos, dólar caro e mudanças de hábitos dos consumidores na pandemia estão por trás do movimento.
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Em 2020, o Valor Geral de Vendas (VGV) na grande Fortaleza cresceu 5%, em relação ao ano anterior. Para este ano, a expectativa é de alta de 10%, segundo Sinduscon CE (Foto: Barbara Moira)
Foto: Barbara Moira Em 2020, o Valor Geral de Vendas (VGV) na grande Fortaleza cresceu 5%, em relação ao ano anterior. Para este ano, a expectativa é de alta de 10%, segundo Sinduscon CE

Apesar de crise macroeconômica do País, agravada pelas incertezas em relação à pandemia, há um setor que, desde o ano passado, não vem dando sinais de cansaço: o imobiliário. Depois de crescer 5% em 2020, frente ao ano anterior, quando o Valor Geral de Vendas (VGV) de imóveis na Grande Fortaleza chegou a R$ 1,9 bilhão, o mercado segue aquecido e deve fechar o primeiro semestre com alta em torno de 10%, segundo o Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE).

O presidente da entidade, Patriolino Dias, explica que, neste atual cenário de "miniboom" do setor, todas as tipologias de imóveis estão em alta, mas há duas faixas de imóveis que vêm se destacando nos últimos meses: os de alto padrão e os direcionados ao Minha Casa, Minha Vida. 

“Os de alto padrão porque aquelas famílias de maior faixa de renda neste momento já dispõe de uma reserva financeira e têm visto os imóveis como uma forma de melhor rentabilizar esse dinheiro, mas também as pessoas de classe mais baixa porque precisam de moradia e com a taxa de juros bem mais baixa tem conseguido parcelas mais acessíveis”, afirma.

Ele explica que esse movimento, que começou a se intensificar no passado, vem após quatro, cinco anos em que, praticamente, não houve lançamentos em função do estoque de imóveis em patamares muito altos. Com a redução da taxa de juros nos últimos anos - hoje a Taxa Selic está em 2,75%, bem abaixo, portanto, dos 14,25% praticados em 2015 - as vendas começaram a voltar e o estoque foi diminuindo. “Mas o movimento cresceu mesmo do ano passado para cá, com a pandemia. Com as pessoas 24 horas em casa, home office, elas voltaram mais esse olhar para ter um espaço de moradia maior ou melhor. Hoje já tem construtora que não tem mais unidade em estoque”.

O coordenador comercial da Novum Urbanismo, João Cavalcante, confirma a boa fase. Ele conta que a nova etapa do Recanto das Flores, loteamento aberto de alto padrão em Maracanaú, lançado no último dia 5, em duas semanas, vendeu 53% das 203 unidades disponíveis.

O mesmo ocorreu com o empreendimento Jardins Boulevard, loteamento fechado de alto padrão, em Caucaia, que foi lançado em março do ano passado, que já vendeu toda a primeira etapa (com 336 unidades), está finalizando a segunda (com 175 unidades) e se prepara para lançar a terceira em função da alta procura. “Em setembro do ano passado vendemos mais de cem unidades em um mês. E tudo isso sem ter sequer plantão de vendas, em função da pandemia. O atendimento é todo virtual”.

Também reforça a percepção de que os interesses dos consumidores mudaram na pandemia. No dia a dia, na mesa de negociação, ele conta que se tornou mais frequente tanto aqueles relatos de clientes que decidiram investir em imóveis porque deixaram, por exemplo, de fazer de duas a três viagens internacionais por ano, a que estavam acostumados, em função da crise sanitária. Mas também daqueles que perceberam a oportunidade, mesmo não tendo "folga" no orçamento, e criaram a condição de investir.

“Os clientes perceberam que o valor que eles antes gastavam com carro novo ou até coisas menores como comida, roupa e itens, e que somados acabavam gerando um gasto mensal acima do necessário, com organização financeira e foco, poderia ser redirecionado para algo que trouxesse para eles maior rendimento”, afirma João.

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