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Huawei se diz pronta para 5G no Brasil e confia em processo sem interferência política
Economia

Huawei se diz pronta para 5G no Brasil e confia em processo sem interferência política

| Tecnologia e inovação | Empresa chinesa afirma que processo da nova geração de telefonia no País segue análises técnicas e econômicas, e não geopolíticos
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Aplicação do 5G nas indústrias deve ser mais rápido (Foto: Arquivo Huawei/Divulgação)
Foto: Arquivo Huawei/Divulgação Aplicação do 5G nas indústrias deve ser mais rápido

De ponta a ponta. É como a Huawei Brasil, subsidiária da empresa chinesa de mesmo nome, diz que pretende atender a demanda por 5G no País. Os contatos para isso já foram feitos, segundo conta Atilio Rulli, diretor de relações públicas da empresa, ao mencionar o fornecimento de equipamentos tanto para as grandes operadoras quanto para os pequenos e médios provedores. Ele afirma ainda que o edital da nova geração de telefonia segue "critérios técnicos e econômicos", sem a interferência do Governo Federal para o impedimento da empresa no processo, como acontece nos Estados Unidos.

"As regras do leilão foram aprovadas em fevereiro. Por enquanto, todas as questões estão seguindo critérios técnicos e econômicos. Essas atitudes no Brasil, até o momento, ainda não atingiram nenhum fornecedor e esperamos que não atinjam. Esperamos que continue assim com o livre mercado que o Brasil sempre praticou", afirmou em entrevista exclusiva ao O POVO.

Enquanto Donald Trump era presidente dos Estados Unidos, o Brasil chegou a participar de uma inciativa para excluir empresas chinesas do 5G no mundo. O movimento era chamado "clean network" (ou rede limpa, numa tradução livre) e tinha pressupostos conspiratórios de espionagem empresarial e governamental.

Mas Rulli diz ter um clima profissional no Brasil. E o acompanhamento deste rito é feito de perto pela Huawei, cuja infraestrutura já usada por 600 operadoras no mundo, das quais 92 já operam o 5G (dados de 2019, os últimos divulgados), é testada para geração de métricas e parâmetros pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e demais instituições que pesquisam a nova geração.

"As tecnologias do 5G que estão dentro do leilão nós atendemos na sua plenitude, que é a standalone - o que tem de mais avançado de 5G no mundo", assegura, mencionando o fornecimento de estações rádio-base, assim como os equipamentos que devem conectá-las aos demais componentes para transmissão.
Perguntado sobre a velocidade com a qual o 5G deva ser instalado no País, o diretor aponta a participação dos pequenos e médios provedores de internet como um elemento a favor de celeridade nas metas estipuladas pelo edital. Até julho de 2022, todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal deverão ter 5G apto ao uso. Mas os provedores de internet de pequeno porte deverão levar esse sinal para o interior dos estados - e esse movimento também é visto como oportunidade de negócio pela companhia.

"Estamos nos preparando tanto no sentido de cooperar com os atuais clientes, que vão fazer as infraestruturas, como com o ecossistema envolvido neste seguimento", assegura o diretor de relações públicas destacando as soluções proporcionadas pelo 5G para pessoas físicas e jurídicas.

 

De imediato, Rulli afirma: as grandes empresas verticais como indústrias de minério, automação, agronegócio e as empresas de educação e saúde serão os alvos e principais usuários do 5G. O mercado corporativo tem, além de maior poder aquisitivo para fazer uso da nova tecnologia, e também mais possibilidades de empregá-la.

São máquinas conectadas em um sistema inteligente em ambientes onde a própria conexão por fibra ótica se torna difícil. Assim, linhas de montagem, colheitas e a transmissão ou desenvolvimento de softwares educacionais ou de saúde conseguem ser executados com mais agilidade, gerando economia e desenvolvimento tecnológico.

O mesmo poderá ser observado ao consumidor comum. Como Rulli observa, "não é só o smartphone que terá 5G", é uma casa conectada por um modem sem fio, de onde o wi-fi vem da rede móvel e pacotes de serviços focados naqueles que gostam mais de jogos eletrônicos ou de ver filmes e séries.

"Não é só uma questão de melhor velocidade. O que faz do 5G a geração da transformação digital e ser disruptivo é também a baixa latência (resposta de uma solicitação, como uma busca na internet). Então, são as duas grandes frentes", ressalta.

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