Logo O POVO Mais
Economia

Caminhoneiros ameaçam paralisação nacional após aumento do diesel

Soma do acumulado dos reajustes chega a 34,5% de alta desde o começo de 2021. Base de Bolsonaro, caminhoneiros demonstram descontentamento com aumentos de combustíveis
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
CAMINHONEIROS se mobilizam para realizar paralisação nacional no dia 25 de julho. (Foto: Fernanda Barros)
Foto: Fernanda Barros CAMINHONEIROS se mobilizam para realizar paralisação nacional no dia 25 de julho.

Após o décimo quinto aumento do preço do diesel promovido pela Petrobras na segunda-feira, 5, os caminhoneiros aumentaram a mobilização em torno de uma paralisação nacional em 25 de julho. A alta de 3,7% no litro do diesel nas refinarias, fez com que o valor médio do litro subisse, para R$ 2,81. A gasolina também sofreu aumento de 6%.

LEIA MAIS | Apenas reduzir ICMS não resolve alta nos preços dos combustíveis, defende Pacopahyba

A soma dos reajustes no acumulado chega a 34,5% de alta desde o começo de 2021. O aumento médio do valor do litro nas refinarias, com base nos 15 reajustes, foi de 2,3%. Base forte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) lançou nota à imprensa assinada pelo diretor-presidente do CNTRC, Plínio Nestor Dias, em que manifesta descontentamento com os aumentos de combustíveis. Com o anúncio do reajuste, Plínio já disse que seu telefone não para de tocar de mais profissionais do setor interessados em aderir à paralisação.

O anúncio do começo da semana foi o primeiro reajuste de preços desde que o general Joaquim Silva e Luna assumiu o comando da Petrobras, numa intervenção do Governo Federal na companhia. De acordo com a nota da CNTRC, houve uma reunião do presidente da Petrobras com caminhoneiros no último dia 29 de junho, em que foi apresentada reivindicação para que o preço do diesel não sofresse alterações.

A principal demanda apresentada pelos caminhoneiros foi a de mudança dos critérios adotados pela Petrobras na atual política de preços, "lesiva ao consumidor brasileira, cuja solução depende simplesmente da decisão administrativa da diretoria da estatal".

A CNTRC sugeriu então que houvesse a substituição do regime de reajustes com base no preço de paridade de importação (PPI) pelo preço de paridade de exportação (PPE). Isso, segundo os caminhoneiros, manteria a base de preços sob a paridade internacional, mas não prejudicaria o consumidor nacional.

No fim da nota, ainda há um aceno ao Governo, destacando que ainda há "plena confiança" no presidente da Petrobras e em Bolsonaro.

Para o diretor institucional da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (Fetranslog-NE), Marcelo Maranhão, no momento, não há força para mobilização parecida com a greve de 2018, mas destaca um movimento crescente de insatisfação. Que atualmente é mais forte entre os autônomos, mas que encontra apoio entre os empresários com frota.

"O que a gente precisa é ter uma posição mais clara por parte da Petrobras sobre como funciona essa política de preços. O presidente da República sozinho não muda a política de preços. Precisamos de uma política que atenda aos interesses da Petrobras, mas que atenda ao que precisa o mercado brasileiro e sua realidade", destaca.

Sobre a repercussão negativa, o vice-presidente Hamilton Mourão, afirmou que as movimentações não passam de ameaças que serão revertidas pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. "A Petrobras tem que acompanhar o preço do petróleo, porque senão entra em prejuízo, e o País também. O governo é um dos principais acionistas", diz.

Vale ainda destacar que o Governo Federal vem abrindo mão de arrecadação para atender às demandas desse segmento, que é uma de suas bases políticas. Outras ações, como a criação de contribuições, também foram tomadas. No fim de junho, foi aprovada a Medida Provisória que eleva a alíquota da Constituição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL – um imposto cobrado de instituições financeiras) de 20% para 25% até o final de 2021, para bancar o subsídio ao diesel e ao gás de cozinha.

INFLAÇÃO

Quando analisamos o quanto esses aumentos impactam no cálculo da inflação para o consumidor cearense, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) mostra que, no mês passado, mesmo sem altas tão representativas, o grupo dos transportes (+1,08%) foi um dos mais inflacionados, atrás somente de vestuário e habitação.

O resultado do grupo de produtos de transportes foi influenciado pela alta média de 3,1% dos combustíveis, com aumentos de 2,99% da gasolina, de 3,29% do diesel e de 9,79% do GNV.

Essa notícia foi relevante pra você?
Recomendada para você

"