Economia

Termelétrica Fortaleza deve voltar a operar em outubro

Crise energética| Decisão da Petrobras de reenviar navio gaseificador para o Terminal de GNL do Pecém terá impacto positivo na produção de energia no Ceará, avaliam fontes consultadas por O POVO
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Terminal GNL da Petrobras deixou o Pecém em março e opera, hoje, na Bahia (Foto: Divulgação/Agência Petrobras)
Foto: Divulgação/Agência Petrobras Terminal GNL da Petrobras deixou o Pecém em março e opera, hoje, na Bahia

Com capacidade instalada de 326 MWh, a Termelétrica Fortaleza, ou Termofortaleza, deve voltar a produzir energia em outubro, segundo o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna.

A declaração foi feita em audiência ontem na Câmara dos Deputados para debater problemas no abastecimento de GNL (gás natural liquefeito) para as usinas térmicas, além dos altos preços dos combustíveis, após questionamento do deputado federal cearense Danilo Forte (PSDB), autor do requerimento para a realização do debate entre o gestor e os parlamentares.

A Termofortaleza é operada pela Enel Geração Fortaleza e está instalada no Terminal de GNL do Porto do Pecém. A usina acabou tendo de paralisar suas atividades, quando a Petrobras decidiu redirecionar o navio regaseificador Golar Winter, que a abastecia, para a Bahia. Apenas em agosto, a companhia divulgou nota justificando que a operação permitiria o atendimento de usinas termelétricas do Sul e do Sudeste, ao mesmo tempo em que o fornecimento de diesel para a Termoceará, usina termelétrica que opera no Estado, compensaria “indisponibilidades temporárias no Nordeste".

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Conforme O POVO publicou na época, o secretário do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho do Ceará, Maia Júnior, afirmou que a retirada do navio obrigava as empresas a buscarem outras alternativas de abastecimento e se queixou que a escolha não foi comunicada ao Estado. Ontem, ele avaliou que a nova decisão da Petrobras “foi um reconhecimento do erro de tirar o navio do Ceará e o resultado da nossa indignação e das articulações feitas pela bancada cearense”.

Já o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) informou, por meio de nota, que “aguarda ser oficialmente notificado sobre o retorno do navio”, após a fala do presidente da Petrobras. Ainda segundo o comunicado, a referida embarcação está sendo aguardada desde março “para voltar a operar no píer 2 do Porto do Pecém”. Por fim, o CIPP pontuou que a paralisação causa prejuízos para as indústrias instaladas no local, “mas principalmente aos consumidores de energia elétrica”.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Joaquim Rolim, o retorno das operações da Termofortaleza trará maior segurança para o Estado em um momento no qual o País atravessa uma crise hídrica. Rolim destaca, contudo, que o Nordeste tem sido exportador de energia para outras regiões, notadamente a produzida por meio de fontes renováveis e mais baratas, tais como a solar e a eólica.

“Em linhas gerais, o custo marginal de operação (CMO) das termelétricas não é barato. Existem usinas em que esse índice pode chegar a R$ 1500 por MWh (megawatt-hora), enquanto em usinas eólicas ou solares o custo médio é dez vezes menor, de R$ 150 por MWh”, exemplifica.

Entenda o impasse

2009

Inicia a operação da Petrobras no Píer 2, de forma exclusiva, na formatação do Terminal de Regaseificação de GNL. É o primeiro terminal flexível de GNL no Brasil, com capacidade de transferir até 7 milhões de m³/dia para o Gasoduto Guamaré-Pecém (Gasfor).

Fevereiro de 2021

Cegás, distribuidora de gás natural no Estado, deixa de ser atendida com o fornecimento vindo do Terminal a partir do dia 28. Segundo a companhia, a não operação a impede de atender à demanda das usinas termelétricas.

Março de 2021

No dia 6, o navio regaseificador Golar Winter deixou o Píer 2. Em carta enviada à direção do Complexo do Pecém, a Petrobras marcava o retorno da embarcação para o dia 17. Segundo o Complexo do Pecém, "a embarcação citada não retornou na data".

Julho de 2021

Petrobras permanece em silêncio. Já o Complexo do Pecém informa que está em negociação com outros interessados para operação de GNL no terminal, após o fim do contrato com a Petrobras em junho de 2023.

Agosto de 2021

No dia 5, representantes da Petrobras afirmam que não há previsão de retorno do navio ao Terminal do Pecém. Em resposta, no dia 19, a Petrobras divulgou que a retirada do navio foi estratégica e que garante o abastecimento de diesel para que a Termoceará produza energia com diesel.

Ontem

Em audiência na Câmara dos Deputados, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, anunciou que o Golar Winter voltará a ser posicionado no Terminal do Pecém. O que possibilitará o retorno das operações da Termofortaleza em outubro.

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