Economia

Demanda reprimida, dólar e combustível fazem preço de passagens aéreas disparar

/IPCA-15/ Viajar de avião partindo de Fortaleza ficou 43,73% mais caro, entre 16 de agosto e 15 de setembro. Grupo transportes foi o que mais pressionou inflação na RMF no período
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Avanço na vacinação e queda progressiva de restrições elevam demanda por voos (Foto: Whatsapp O POVO)
Foto: Whatsapp O POVO Avanço na vacinação e queda progressiva de restrições elevam demanda por voos

Embora tenha apresentado a menor inflação do País (0,68%), quem vive na Grande Fortaleza e decidiu comprar passagens aéreas entre os dias 16 de agosto e 15 de setembro pagou, em média, 43,73% a mais que nos 30 dias imediatamente anteriores. Os dados constam do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15).

A expressiva alta no preço das passagens de avião e no grupo transportes, de um modo geral, foi resultado da combinação de fatores como a elevação no preço dos combustíveis e na cotação do dólar com a forte demanda reprimida no segmento turístico, que explodiu agora com o avanço na vacinação no País e a queda progressiva de restrições à entrada de brasileiros em outros países, conforme avaliam especialistas ouvidos por O POVO.

De acordo com Ricardo Eleutério, membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), “há um componente de custos envolvidos e outro de demanda, por trás dessa alta extravagante nos preços das passagens aéreas. O valor do barril do petróleo tem subido no mundo inteiro afetando o preço dos combustíveis, incluindo os da aviação. A pressão do câmbio foi maior em 2020, mas segue. Além disso, as obstruções às viagens que ocorreram por conta da pandemia e as quarentenas estão sendo removidas”.

Avaliação semelhante faz Verônica Patrício Gonçalves de Holanda, do conselho deliberativo de ética e arbitragem da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Ceará (Abav-CE). Ela afirma que “com a pandemia, as companhias aéreas reduziram a malha de uma maneira muito drástica porque realmente não tinha demanda. Após essa redução de voos, não acontece um processo tão rápido de retomada”.

Ela cita, por exemplo, a falta de voos diretos entre Fortaleza e Natal. “Tenho um cliente vindo do Rio Grande do Norte que vai precisar fazer conexão em Recife. Então, tudo isso tem realmente dificultado as coisas para nós que dependemos das companhias aéreas para atender essa demanda. E os nossos clientes têm se queixado dessa alta. Antes da pandemia, você conseguia encontrar passagem de Fortaleza para São Paulo por R$ 600. Hoje, é difícil encontrar por menos de R$ 2.600”, observa.

Apesar disso, tanto a representante da Abav-CE quanto o conselheiro do Corecon-CE dizem acreditar que haverá um processo de ajuste gradual nesses valores. Para Verônica, a estimativa é que isso ocorra em cerca de três meses, coincidindo com a virada do ano.

Já Ricardo Eleutério lembra que essa alta no preço das passagens ocorre em um contexto mais amplo de pressão inflacionária nacional. O IPCA-15 de setembro no País foi de 1,14%, a maior alta para o mês desde 1994. No acumulado de 12 meses, a inflação chega a 10,05%.

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