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Economia

Quase metade dos cearenses já ‘aceita Pix’

|TECNOLOGIA| Com apenas um ano de funcionamento, a ferramenta já é utilizada por mais de 4 milhões de cearenses. No Brasil, são 105,6 milhões de usuários. Segurança continua sendo maior desafio
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FORTALEZA, CE, BRASIL, 15.11.2021: Um ano de Pix - Anne Caroline é MEI, vende roupas infantis em uma loja colaborativa e o Pix facilitou muito sua venda. (Thais Mesquita/OPOVO) (Foto: Thais Mesquita)
Foto: Thais Mesquita FORTALEZA, CE, BRASIL, 15.11.2021: Um ano de Pix - Anne Caroline é MEI, vende roupas infantis em uma loja colaborativa e o Pix facilitou muito sua venda. (Thais Mesquita/OPOVO)

Utilizado por 10 entre cada 21 brasileiros (4 entre cada 9 cearenses), o Pix completa hoje, exatamente um ano que entrou em operação no Brasil.

Os números, como a proporção citada acima sugerem, são impressionantes. Até a última atualização do Banco Central, feita no dia 31 de outubro, a ferramenta já tinha 105,6 milhões de usuários (pessoa física) cadastrados em todo o País, sendo 4,03 milhões no Ceará.

O meio de pagamento também fez sucesso entre as pessoas físicas, especialmente entre os microempreendedores individuais e microempresários. São nada menos que 7,4 milhões de CNPJs vinculados a uma ou mais chaves de acesso do Pix, das quais quase 200 mil estão sediadas em solo cearense.

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Modo de fazer Pix muda a partir de sexta-feira; entenda 

Na visão do vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Ceará (IBEF-CE), Raul dos Santos, “o sucesso dessa ferramenta em seu primeiro ano se deve primeiro ao fato de o brasileiro gostar muito de tecnologia e ser afeito às inovações, haja vista, a questão das redes, onde o Brasil está sempre entre os cinco maiores usuários do planeta. A outra coisa é a facilidade de transferir recursos não só de uma pessoa para outra, mas também de uma empresa para outra ou de uma pessoa para uma empresa e vice-versa. Isso de uma forma mais desburocratizada”.

Em linhas gerais, Raul dos Santos, que é também sócio da Aveiro Consultoria, destacou que o impacto da criação do Pix é também social, indo além da questão econômica. Vale lembrar, por exemplo, que 45,6 milhões de pessoas que usam a ferramenta, não possuíam conta bancária (os ‘desbancarizados’). “Aquela pessoa que trabalha de forma mais informal entrou no sistema até porque, hoje, está disseminado o uso de smartphones. O Pix trouxe, então, uma inclusão social e promoveu uma democratização do sistema financeiro”, avalia.

Embora seja um ponto de preocupação do próprio BC, a segurança é um ponto destacado, pelo economista Eldair Melo, como positivo nas transações via Pix. “Antes, quando você ia a um caixa eletrônico e fazia um saque, aquele dinheiro deixava de ser rastreável, de fato, mesmo tendo nas cédulas uma sequência numérica que as identifica. Com o Pix, isso não acontece. Você consegue rastrear o dinheiro da conta de origem para a conta de destino. Mesmo em casos de sequestro-relâmpago ou golpes é mais fácil para as autoridades policiais chegar aos criminosos”, exemplifica.

SEGURANÇA DAS OPERAÇÕES

Para tentar inibir a ação de golpistas e sequestradores, a propósito, o Banco Central limitou, recentemente, a R$ 1 mil o valor das transações que podem ser feitas com o Pix, entre 20h e 6h, exceto em casos de operações especificadas com antecedências. Outro recurso adotado foi a possibilidade de se reter transferências consideradas suspeitas por 30 minutos no período diurno e por até 1 hora no noturno. A limitação de valores em operações realizadas à noite também será estendida a dois novos produtos que o BC vai lançar no próximo dia 29: o Pix Saque e o Pix Troco.

O primeiro poderá ser efetuado em caixas eletrônicos ou estabelecimentos comerciais, mediante leitura de QR Code. O segundo poderá ser sacado quando o consumidor fizer o pagamento de uma compra ou ser convertido em algum programa em que parte do dinheiro movimentado em uma operação possa ser usado em outra.

“O Pix Troco será uma forma de fazer o ‘cashback’. Vamos supor que um posto de gasolina cobra R$ 7,10 pelo litro da gasolina e aceite Pix, enquanto outro cobra R$ 7, mas não aceita. Essa diferença de pode ser usada para comprar um bem que o cliente esteja necessitando”, exemplifica Eldair Melo.

O fenômeno Pix ocorre paralelamente à expansão das fintechs (startups focadas em soluções financeiras). Para o diretor executivo Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Marcelo Martins, “nenhum método de pagamento, em nenhum outro lugar do mundo teve um crescimento tão exponencial”.

“Além disso, a ferramenta teve grande importância para pagamentos digitais, que foram essenciais em meio a pandemia e às medidas de isolamento impostas e ainda há uma agenda evolutiva que se interliga com o Open Banking e outros desenvolvimentos futuros do Banco Central”, conclui.

Quer saber mais novidades que vêm por aí com o PIX? Assista ao Dei Valor:

 

O que mudou com o Pix

O que é

Pix é o pagamento instantâneo brasileiro, criado pelo Banco Central, em que os recursos são transferidos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora ou dia. O Pix pode ser realizado a partir de uma conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pré-paga.

Os números do Pix

Usuários

- Pessoa Física: 105,2 milhões (4,03 milhões no Ceará)

- Pessoa Jurídica: 7,4 milhões (196.673 no Ceará)

Chaves cadastradas

- Pessoa Física: 334 milhões

- Pessoa Jurídica: 14 milhões

Contas cadastradas

- Pessoa Física: 217,6 milhões

- Pessoa Jurídica: 9,3 milhões

Transações

- Quantidade: 1,04 bilhão

- Valores movimentados: R$ 554,4 bilhões

- Valor médio por transação: R$ 533,07

Você sabia?

- 34,5% das transações foram realizadas por pessoas com idades entre 20 e 29 anos

- 44,9% das transações foram realizadas na região Sudeste

- 24,2% das transações foram realizadas na região Nordeste

- 45,6 milhões de usuários não possuíam conta bancária (desbancarizados)

O que vêm por aí:

16 de novembro

- Possibilidade de bloqueio cautelar e devolução de recursos pela instituição recebedora, em casos de fundada suspeita de fraude ou falha operacional

29 de novembro

- Implantação do Pix Saque, que funcionará de forma semelhante a um saque bancário tradicional, mas sendo operado via QR Code em caixas eletrônicos e estabelecimentos comerciais;

- Implantação do Pix Troco, que pode ser sacado durante o pagamento de uma compra ou utilizado em programas de 'cashback';

Obs: Ambos os produtos terão limitações de valor de R$ 500 durante o dia e de R$ 100 entre 20h e 6h

Dezembro de 2021

- Implantação de iniciador de pagamentos no Pix;

- Padronização de arquivo de remessa e retorno para viabilizar gestão de cobranças em lote no Pix Cobrança

- Viabilização de QR code gerado pelo pagador para situações de falta de acesso à conta transacional por falta de conectividade

2° trimestre de 2022

- Débito automático no Pix

Medidas de segurança já implantadas

- Limitação das transações a R$ 1.000 no período das 20h às 6h;

- Contas especificadas previamente poderão receber Pix com valores superiores aos R$ 1.000 determinados como limite para esse horário;

- Transações suspeitas podem ser retidas por 30 minutos durante o dia e por 1 hora no período da noite.

Fonte: Banco Central

Mudança

Com o Pix, cerca de R$ 40 bilhões em espécie deixaram de circular no Brasil de janeiro a outubro de 2021, segundo o Banco Central. Queda de 10,5% em relação a igual período de 2020

 

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