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Petrobras amplia previsão de investimento em ‘Pré-Sal’ do Norte-Nordeste em 50%
Economia

Petrobras amplia previsão de investimento em ‘Pré-Sal’ do Norte-Nordeste em 50%

|PLANO | Companhia anunciou aporte de US$ 3 bilhões, ou quase R$ 15,6 bilhões, para explorar Margem Equatorial, que inclui o Ceará. Hidrogênio também está no radar da empresa
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Pier em Paracuru pode favorecer a exploração de petróleo da Margem Equatorial no Ceará (Foto: Deivyson Teixeira/Arquivo/3 de maio de 2012)
Foto: Deivyson Teixeira/Arquivo/3 de maio de 2012 Pier em Paracuru pode favorecer a exploração de petróleo da Margem Equatorial no Ceará

A Petrobras anunciou em seu Plano Estratégico para o período 2023-2027 que vai ampliar em 50% os investimentos na exploração da Margem Equatorial, em relação à previsão anterior. O montante previsto para a região que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, passando pelo Ceará, saltou de US$ 2 bilhões (quase 10,4 bilhões) para US$ 3 bilhões (cerca de 15,6 bilhões).

A área exploratória é tida por especialistas como tendo potencial comparável ou superior à região do Pré-Sal. Conforme antecipou O POVO em matéria publicada no dia 16 de novembro, a descoberta de grandes reservas de petróleo em países vizinhos do Brasil como Guiana e Suriname foi uma das responsáveis por acelerar o interesse da companhia em buscar por esse e por outros hidrocarbonetos nas regiões Norte e Nordeste.

O consultor em petróleo e gás, Ricardo Pinheiro, disse acreditar que Ceará e Rio Grande do Norte saem na frente nessa exploração, que atrai também o interesse de outras empresas do setor. Juntos, os dois estados contam, por exemplo, com 36 dos 83 blocos a serem concedidos pela Agência Nacional de Petróleo, Biocombustíveis e Derivados (ANP) à iniciativa privada, em leilão previsto para acontecer no próximo dia 16.

Ele acrescenta que o fato de Ceará e Rio Grande do Norte já contarem com estrutura em campos como os de Pitu, no caso potiguar, e de Paracuru, no caso cearense, é uma das principais razões para essa previsão. “Eles já encontraram indícios de óleo nos dois estados, que também enfrenta menos dificuldade de obter licenciamento ambiental que a região da foz do Rio Amazonas”, explica o especialista.

Ao comentar o Plano Estratégico da Petrobras, Pinheiro avalia que “o investimento na Margem Equatorial foi muito bem equacionado. A companhia foi arrojada nessa decisão. Esse montante de US$ 3 bilhões já se aproxima mais do que investe no Pré-Sal. Além disso, o custo diário para extrair petróleo de regiões com alta profundidade é muito alto e isso mostra que ela está apostando alto”.

Na mesma direção, o ex-diretor da ANP, Allan Kardec Duailibe, lembra que se consideradas as previsões feitas no início de 2022, a aposta em investimentos na exploração dessa região duplicou. “No início deste ano, a Petrobras falava em US$ 1, 5 bilhão. Então, em menos de 12 meses essa projeção dobrou. Isso demonstra o apetite pela Margem Equatorial e o tamanho que ela tem”, exalta.

Outros destaques do plano

Além do interesse nessa área potencialmente rica em petróleo, Duailibe destaca outros pontos apresentados no planejamento quinquenal da Petrobras, entre os quais a aposta no hidrogênio e o aumento no investimento em refino. Vale lembrar que o hidrogênio verde (H2V) é uma das grandes expectativas do governo e de investidores no Ceará para alavancar a economia estadual.

“Quando ela fala de hidrogênio e crédito de carbono, dá um passo em relação aos planos anteriores, na redução de sua pegada de carbono”, pontua o ex-diretor da ANP.

“Acredito também que no próximo governo vai ter um incremento na política de refino, que foi descontinuada no atual, e esse planejamento sinaliza nessa direção”, conclui.

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