A Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) vai disponibilizar três pares de fibra óptica para a iniciativa privada. A informação foi dada, nesta sexta-feira, 28, pelo presidente da empresa, Hugo Figueirêdo, durante o painel “Nordeste como hub de conexões e data centers”, no encontro da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).
Atualmente, o Cinturão Digital do Ceará conta com 12 pares de fibra óptica, dos quais cinco ainda não estão iluminados. O presidente da Etice avalia que “a infraestrutura de conexão de internet do Ceará, que cobre 137 municípios - 92% da população do estado -, pode ser utilizada para atrair outros data centers para o interior do estado”.
Segundo ele, o Ceará, com localização privilegiada e infraestrutura existente, constitui um diferencial competitivo para atração de investimentos em data centers com impacto na economia.
Hugo Figueirêdo afirma que a medida de disponibilizar as fibras ópticas para a iniciativa privada é importante para atrair data centers para locais onde há geração de energia, especialmente no interior, onde há excesso. O presidente da Etice diz que essa energia excedente poderá ser utilizada pelos data centers, que podem ter uma grande capacidade de processamento.
A estratégia de interiorização considera que nem todos os data centers precisam de latência extremamente baixa (como aqueles localizados na Praia do Futuro). A atração para o interior pode focar em diferentes modelos:
“O Ceará tem uma das maiores conexões digitais do mundo, com 16 cabos submarinos ancorados em Fortaleza”, disse Hugo Figueirêdo. Segundo ele, esta localização estratégica da cidade tem estimulado a atração de vários data centers na Região Metropolitana. Em Fortaleza se encontram 14 data centers e dois em Macaracaú, com infraestrutura de conexão de processamento com alto nível de certificação (TIER III).
De acordo com ele, a conexão de alta velocidade do Cinturão Digital do Ceará, a rede de cabos de fibra óptica com 5.926 Km, que ampliará a velocidade para 400 gigabits por segundo em 2026, constitui um atrativo para investimentos em data centers.
Além de Figueirêdo, participaram da discussão Dimas Rocha, conselheiro da Abrint, Sidnei Batistella (Abrint); Antônio Moreiras, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) que implementa as decisões e os projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br - organismo responsável por coordenar e integrar as iniciativas e serviços da Internet no País - e Gilberto Studart, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Durante as discussões foi pontuado que a expansão digital no Nordeste, apesar de ser uma região estratégica e com grande potencial de investimento, enfrenta desafios significativos tanto em termos regulatórios/econômicos quanto de infraestrutura.
Os principais desafios que limitam a plena expansão digital, conforme os debatedores, concentram-se em capacidade de infraestrutura energética e nos altos custos regulatórios e de importação:
Segundo Gilberto Studart, representante da Anatel, embora o Nordeste (especificamente o Ceará) seja um polo de atração de data centers, com projetos que envolvem investimentos bilionários e capacidades imensas (como um data center com capacidade de 300 MW), a capacidade de atendimento da matriz de energia é uma preocupação.
Ele lembrou que a escassez de energia tem provocado apagões em data centers no "Vale do Silício", acendendo um "farol amarelo" sobre a possibilidade de o mesmo ocorrer no Nordeste, devido à imensa capacidade demandada por esses empreendimentos.
“Há notícias de data centers sofrendo com a possibilidade de ´’abastecimento premium’, indicando que não há como fazer chegar tanta energia”, pontuou o representante da Anatel.
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Os debatedores explicaram que a limitação não é na geração de energia, que muitas vezes sobra (sendo até cortada pelo operador nacional), mas sim na capacidade de conexão ao Sistema Integrado Nacional para abastecer os grandes consumidores.
Como solução, no Ceará se busca a interiorização desses data centers e a descentralização da demanda, colocando-os próximos aos locais de geração de energia e utilizando a infraestrutura do Cinturão Digital.
Outra questão colocada foi a relevância da infraestrutura digital (cabos submarinos, PTTs e data centers) para o país e a América Latina, que impõe um desafio de proteção e resiliência.
Isso porque, segundo os debatedores, problemas nos cabos submarinos (que compõem um dos três pilares do polo digital) podem afetar não apenas o Brasil (paralisando serviços essenciais como Pix, rotas aéreas e semáforos) mas também a América Latina inteira, pois muitos provedores de países vizinhos buscam conteúdo no Brasil.
Outro ponto discutido foi as ameaças (como a possibilidade de instalação de uma usina de dessalinização perto dos cabos), que acenderam o "farol vermelho", revelando a ausência de um "piso regulatório" claro para proteger e orientar investidores em relação aos cabos submarinos.
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Alerta
A possibilidade de instalação de uma usina de dessalinização perto dos cabos foi outro desafio levantado no debate, revelando a ausência de um "piso regulatório" claro para proteger e orientar investidores em relação aos cabos submarinos