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Tarifa de água no perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi tem reajuste de 4,64% para 2026
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Tarifa de água no perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi tem reajuste de 4,64% para 2026

| Agricultura | A cobrança faz parte do modelo de gestão que define acesso à água, uso da terra irrigada e manutenção da infraestrutura
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DADOS operacionais de 2024 indicam que o 
perímetro irrigado vinha operando com déficit financeiro (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR DADOS operacionais de 2024 indicam que o perímetro irrigado vinha operando com déficit financeiro

O perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi teve reajuste de 4,64% no valor da tarifa de água para o exercício de 2026.

Para os pequenos irrigantes, o valor cobrado pelo uso da água (K2.1) passou de R$ 110,25 em 2024 para R$ 115,37 por 1.000 metros cúbicos, conforme definido no plano operativo do projeto.

Segundo Silvio Carlos, Secretário Executivo do Agronegócio na Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet) do Ceará, o reajuste ocorre anualmente e está relacionado à elaboração do plano operacional dos projetos de irrigação.

"Todos os anos as gerências dos projetos fazem um plano operativo, o que resulta em reajuste nas tarifas aplicadas. Houve uma pequena elevação no valor", afirmou.

Além da tarifa cobrada pelo volume de água utilizado (K2.1), também foi definido o valor referente à ocupação da área irrigada (K2.2), fixado em R$ 29,50 por hectare ao mês para pequenos produtores.

Essa cobrança está relacionada ao uso da infraestrutura comum do perímetro irrigado, como canais, estradas internas, sistemas de drenagem e serviços de manutenção, independentemente da quantidade de água consumida.

No perímetro Jaguaribe-Apodi, os pequenos irrigantes são classificados como produtores que exploram áreas menores e têm a atividade agrícola como principal fonte de renda.

Para médios irrigantes e empresas, os valores definidos para 2026 são de R$ 42,15 por 1.000 metros cúbicos de água (K2.1) e R$ 52,99 por hectare ao mês referentes à ocupação da área irrigada (K2.2).

Dados operacionais de 2024 indicam que o perímetro irrigado vinha operando com déficit financeiro, com índice de autossuficiência de 62%.

De acordo com a administração do perímetro, o plano operativo de 2026 foi aprovado pelo Conselho Administrativo do Distrito e pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o que viabiliza tanto a atualização das tarifas quanto os repasses públicos destinados à administração, operação e manutenção do sistema de irrigação.

O POVO entrou em contato com o Dnocs para solicitar posicionamento sobre o reajuste da tarifa e o contexto do perímetro irrigado, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.

O que é o perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi

O perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi foi implantado a partir da década de 1980 como parte da política federal de irrigação voltada ao semiárido nordestino, sob coordenação do Dnocs.

O projeto integra o conjunto de perímetros irrigados do Vale do Jaguaribe, região localizada no leste do Ceará e estruturada a partir da bacia do rio Jaguaribe, o maior do estado em extensão.

O Vale do Jaguaribe concentra uma série de obras hídricas, como barragens, açudes e canais, que organizam a oferta de água para o abastecimento humano e para atividades produtivas, especialmente a agricultura irrigada.

Ao longo das últimas décadas, a região se consolidou como um dos principais polos de produção agrícola irrigada do Estado, com culturas voltadas ao mercado interno e à exportação.

Obras hídricas e ocupação do território

Ao longo das últimas décadas, a região do Vale do Jaguaribe foi selecionada pelo poder público federal e estadual para a implantação de um conjunto de obras hídricas voltadas à irrigação e ao controle do uso da água.

Nesse período, rios e açudes passaram a ser integrados a sistemas de barragens, canais e reservatórios destinados a garantir o fornecimento regular de água para os projetos irrigados.

A implantação dessa infraestrutura envolveu processos de desapropriação de extensas áreas e a remoção de populações que ocupavam os territórios destinados aos empreendimentos, sob responsabilidade do Governo Federal, com atuação central do Dnocs.

No interior do próprio perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi, a organização do acesso à terra e à água também passou por disputas fundiárias ao longo dos anos.

Em 2025, um acordo entre órgãos federais e estaduais resultou na criação do assentamento irrigado Zé Maria do Tomé, no município de Limoeiro do Norte, em uma área inserida no projeto público de irrigação.

A formalização destinou parte do território à reforma agrária, com acesso à infraestrutura hídrica do perímetro, sob as mesmas regras administrativas que regulam o uso da água, a elaboração dos planos operativos e a cobrança das tarifas.

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