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Mercado imobiliário de Fortaleza movimenta R$ 8,8 bilhões em 2025, acima das expectativas
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Mercado imobiliário de Fortaleza movimenta R$ 8,8 bilhões em 2025, acima das expectativas

| Valor Geral de Vendas | Capital e cidades da Região Metropolitana comercializam mais de 16 mil unidades no ano passado e projetam fôlego para 2026
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ÁREA da Beira-Mar foi apontada a com os preços mais elevados na Capital (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES ÁREA da Beira-Mar foi apontada a com os preços mais elevados na Capital

A compra da casa própria, da segunda moradia e ainda o investimento em imóveis fez com que o mercado imobiliário de Fortaleza e cidades da Região Metropolitana superasse as expectativas e alcançasse R$ 8,8 bilhões em valor geral de vendas (VGV) no ano passado - contra R$ 8,5 bilhões, em 2024 - a partir da comercialização de 16.612 unidades habitacionais e mais 5.331 lotes.

Os números apresentados pelo Sindicato da Indústria da Construção do Ceará (Sinduscon-CE) apontam para os empreendimentos verticais como os preferidos dos compradores, uma vez que este tipo somou 10.619 unidades vendidas.

Mais que o volume, o mercado avaliado pela pesquisa em Fortaleza, Maracanaú, Eusébio, Aquiraz e Caucaia demonstrou agilidade e comercializou os imóveis com um índice de vendas de 8%, em média, com picos de 13%.

"Imaginávamos ter um resultado próximo de 2024 e superamos. Fortaleza está testando os limites dos tetos e, em 2026, vamos ter expansão tanto no perfil econômico quanto nos demais", avaliou Gisele Pereira, profissional de inteligência de mercado da Brain, empresa responsável pelo levantamento.

Preços em alta

Assim como o VGV, os preços também aumentaram entre 2024 e 2025 e sinalizam não terem atingido o teto ainda, segundo comenta a especialista. Nos últimos dois anos, o valor do metro quadrado construído saiu de R$ 11,1 mil para R$ 11,7 mil em Fortaleza - a praça onde as áreas são mais difíceis e caras.

Na Região Metropolitana, o município que mais se aproxima do valor da Capital é Aquiraz (R$ 11,47 mil/m²), enquanto Caucaia (R$ 5,89 mil/m²), Eusébio (R$ 6,16 mil/m²) e Maracanaú (R$ 5,3 mil/m²) apresentam patamares menores de venda de imóveis.

 

Para manter o ritmo em 2026, Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sinduscon-CE, considera que a atuação das construtoras e incorporadoras vêm sendo assertivas, ancoradas em pesquisas, e direcionam o mercado para uma solidez maior dos investimentos.

"As empresas estão, inclusive, criando marcas diferentes para poder atuar nos diversos segmentos. Nós estamos vivendo um momento dos mais saudáveis do mercado. Ninguém está super ofertando. Temos lançamentos equalizados, assim como as pessoas também estão analisando melhor as compras", afirmou.

Cidades e vocações

Entre as cidades, Fortaleza foi responsável por R$ 6,1 bilhões de VGV movimentado no último ano, concentrando a maioria dos empreendimentos (11.342), sejam mais caros (6.017) sejam econômicos (4.602), além de horizontais (620) e comerciais (103).

"Fortaleza é uma cidade que nos últimos anos ela tem apresentado um crescimento constante", comenta Gisele, que indica um movimento de verticalização para Eusébio, enquanto Caucaia tem sido alvo de empreendimentos do padrão econômico, assim como Maracanaú, e Aquiraz reúne alto padrão e imóveis para segunda moradia.

"Temos feito cinco pesquisas no Eusébio para novos lançamentos e apenas uma delas foi para um empreendimento de padrão econômico", afirmou aos construtores, incorporadores e corretores presentes na reunião do Sinduscon.

Mercado de locação acelerado

Adriana Neves, vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE), avalia que o volume de unidades vendidas observado no levantamento da Brain para o Sinduscon faz com que o mercado de locação também se mantenha aquecido no Ceará.

"Nossa taxa de locação normal é de 90%. Já na alta temporada, eu brinco que supera os 100%, porque entram e saem pessoas do mesmo imóvel no mesmo dia", aponta.

Isso ainda explica uma tendência mencionada por Patriolino e confirmada por Adriana, do investimento em unidades residenciais compactas, seja para segunda moradia ou para aluguel por temporada.

Simultaneamente a isso, a vice-presidente do Creci destacou o mix das unidades ofertadas, indo desde padrões econômicos até super luxo, como uma forma de sinalizar aos compradores uma segurança e resiliência independente do momento econômico.

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FORTALEZA, CE, BRASIL, 26-01-2026: Espigão do Nautico vista aerea. Aparecimento de mancha escura na Praia de Iracema, mas dessa vez não havia machas pois não houve chuvas, fotos para fazer comparação. (Foto: Aurelio Alves / Jornal O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 26-01-2026: Espigão do Nautico vista aerea. Aparecimento de mancha escura na Praia de Iracema, mas dessa vez não havia machas pois não houve chuvas, fotos para fazer comparação. (Foto: Aurelio Alves / Jornal O POVO)

Área da Beira-Mar concentra os valores mais caros para se morar

Os bairros mais valorizados de Fortaleza seguem concentrados no litoral e em áreas tradicionais da Cidade, com preços que ultrapassam R$ 23 mil por metro quadrado. No último trimestre de 2025, a capital cearense registrou valor médio de R$ 11.713/m², o segundo maior do ano, de acordo com os números da Reunião da Comissão de Pesquisas (CPES) divulgados ontem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon Ceará).

O pico do ano foi registrado no terceiro trimestre de 2025, quando o metro quadrado médio chegou a R$ 11.792, o maior já observado na série recente. Ainda assim, o último trimestre manteve patamar elevado, superando o registrado no quarto trimestre de 2024 (R$ 10.584).

No topo da lista, a área da Beira-Mar, composta pelos bairros Meireles, Praia de Iracema e Mucuripe, foi tida como a mais cara para se morar em Fortaleza, com R$ 23.183 por m², seguida pelo Meireles, que registra R$ 19.634.

Em dezembro de 2025, o Meireles contabilizou uma oferta final de 967 unidades, o equivalente a 9,5% do estoque total de Fortaleza no padrão vertical. O Parque Santa Filomena, bairro com o metro quadrado mais barato da Capital (R$ 3.894), apresenta valor quase seis vezes menor do que o praticado na Beira Mar, a área mais valorizada da cidade.

Na Região Metropolitana de Fortaleza, Aquiraz se destaca como o município com o maior preço médio por metro quadrado, alcançando R$ 11.470, valor próximo ao da Capital. Já Caucaia, Eusébio e Maracanaú apresentam valores mais acessíveis e relativamente próximos entre si, com valores médios de R$ 5.989, R$ 6.165 e R$ 5.302, respectivamente. (Isabella Pascoal/Especial para O POVO)

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