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Gerdau retoma 327 empregos no Ceará e vai a 320 mil toneladas de aço por ano
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Economia

Gerdau retoma 327 empregos no Ceará e vai a 320 mil toneladas de aço por ano

A empresa é conhecida por focar no mercado interno e retomou as atividades em Maracanaú, após dois anos de paralisação programada para modernizar a planta
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IMAGENS internas da fábrica da Gerdau em Maracanaú, no Ceará (Foto: Fernanda Barros)
Foto: Fernanda Barros IMAGENS internas da fábrica da Gerdau em Maracanaú, no Ceará

A unidade da Gerdau (GGBR3 e GGBR4) em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará, retomou oficialmente a produção de aço nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, cumprindo a promessa de manter os 327 empregos.

E, juntamente com a fábrica de Caucaia, a companhia alcança capacidade de produção de 320 mil toneladas de aço por ano.

Esta outra planta também utilizará o aço produzido em Maracanaú como matéria-prima para a fabricação de aços longos. 

“O principal destino dos produtos produzidos no Ceará é a indústria nacional, principalmente a construção civil, com fornecimento de vergalhões”, complementa André Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da Gerdau.

O reinício das atividades na aciaria ocorre após uma paralisação programada de quase dois anos, período em que a planta passou por um processo de modernização tecnológica em que foram investidos R$ 200 milhões, ficando abaixo dos R$ 400 milhões previstos à época do anúncio das obras. 

O aporte foi focado no aprimoramento das práticas ambientais, melhoria da eficiência operacional e modernização dos equipamentos da área da aciaria, permitindo com que a operação forneça tarugos (vergalhão) com 12 metros (m) de comprimento.

Conforme o grupo, durante a execução do investimento, foram gerados cerca de 1.500 empregos diretos e indiretos.

“Com o reinício da aciaria em Maracanaú, ampliamos nossa produtividade e a oferta de produtos no Ceará, reforçando o atendimento dos nossos clientes nas regiões Nordeste e Norte do País”, afirma Johannpeter, que esteve na cerimônia de retomada.

Também estiveram no evento de reinauguração da indústria o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (União Brasil).

Ao O POVO, André Gerdau detalhou que o principal desafio é manter a proteção ao mercado brasileiro, já que produtos chineses têm chegado ao Brasil com preços muito baixos, gerando uma condição desleal de concorrência.

Ele revela que esteve reunido com Elmano, em 2023, pedindo apoio do governador do Ceará junto ao governo Lula (PT), em busca do pleito.

Segundo o empresário, o apelo foi atendido, agradecendo também o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Mdic). O Mdic aprovou no último dia 28/1 um conjunto de medidas de defesa comercial e realinhamento tarifário, com imposição de tarifas de importações de aços pré-pintados provenientes de China e Índia, com vigência de cinco anos. E ainda tarifas de importação de 25% para importação de nove tipos nomenclaturas de aço (NCMs).

Para o executivo, essa é a melhor garantia e foi um dos motivos para o investimento em modernização da operação no Ceará.

“Importação de aço é uma coisa muito comum. Normalmente, a importação ficava entre 10% e 12% do consumo nacional. Mas nos últimos três anos foi a 22%. Então, o Brasil importava (em 2022) 3,35 milhões de toneladas de aço e hoje está importando 5,7 milhões (dados de 2025). Praticamente triplicou e esses produtos muitos deles entram num contexto desleal de preços abaixo do custo.”

Para se ter ideia, o País registrou a importação de 5,7 milhões de toneladas de aço laminado em 2025, marcando o maior volume em 15 anos, com um aumento de 20,5% em comparação a 2024, segundo dados do Instituto Aço Brasil. A China liderou as vendas, respondendo por 61,9% do volume total. 

“Diante de um mercado doméstico fortemente impactado pela entrada excessiva de aço importado, a Gerdau segue investindo em iniciativas que ampliem a competitividade e rentabilidade de suas operações”, complementou.

“Então fizemos esse diálogo junto ao Governo Federal para buscar defesa comercial. Entendemos que tem que haver importação, faz parte da demanda dos clientes, mas do jeito que está, no volume que está, começa a ameaçar a indústria nacional.”

Sobre o Ceará, ele destacou que o estado é a principal praça da empresa no Norte e Nordeste. Para além daqui, a Gerdau também tem operação em Pernambuco.

Em meio à retomada oficial da operação no Ceará, as ações ordinárias da Gerdau (GGBR3) fecharam o dia em alta de 1,16%, sendo cotadas na Bolsa a R$ 19,22. No último mês, os papéis acumulam valorização de 10,02%.

Já as ações preferenciais (GGBR4) mantiveram estabilidade no dia, com variação positiva de 0,13%, cotadas a R$ 22,45. Em um mês, os papéis valorizaram 9,46%.

Histórico do anúncio da modernização da Gerdau no Ceará 

No Estado, a companhia de origem gaúcha (Porto Alegre, no Rio Grande do Sul), mas que migrou de sede para São Paulo em 2017, teve de acalmar os ânimos do mercado, chegando a frisar, em 30 de maio de 2024, que não estava reduzindo investimentos no Estado, tal como chegou a ser especulado, quando do anúncio da suspensão das atividades fabris.

“Nesse período, é natural que você não consiga produzir aço na planta, porque você tem que parar a fábrica para exatamente modernizá-la. Isso gerou uma leitura de que nós estaríamos saindo do Estado, o que é um grande erro. Muito pelo contrário! Nós estamos dobrando uma aposta no Ceará. Acontece que em um processo de médio prazo e com mão de obra diferente daquela que opera a fábrica, não é possível reaproveitar todos os operadores”, explicou a empresa ao O POVO, no ano do anúncio do investimento. 

(Com informações do jornalista Samuel Pimentel/colaborou Adriano Queiroz)

Conheça a Gerdau

A Gerdau Com 125 anos de história e atua na produção de aço, sendo fornecedora do tipo longo e de aços especiais. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro. 

Está em países nas Américas e conta com 30 mil colaboradores em todas as suas operações.

A empresa possui 29 unidades produtoras de aço, sendo 13 plantas na América do Norte.

A companhia tem uma importante matéria na sucata-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material.

Todo ano, o grupo divulga que 10 milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço.

“Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO₂e), que representa metade da média global do setor. A companhia possui, inclusive, uma marca destinada a uma linha de produtos com baixa emissão de carbono, chamada Gerdau NewEco. As ações da Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e Nova Iorque (NYSE)”, informou a empresa ao mercado.

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MARACANAÚ, CEARÁ, BRASIL, 02-02-2026: Reinauguração da fábrica de aço, Gerdau, em Maracanaú. A ocasião contou com a presença do Presidente do Conselho do Instituto Gerdau,  André Gerdau, o Prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, e o Governador do Estado do Ceará, Elmano de Freitas. (Foto: Samuel Setubal/ O Povo)
MARACANAÚ, CEARÁ, BRASIL, 02-02-2026: Reinauguração da fábrica de aço, Gerdau, em Maracanaú. A ocasião contou com a presença do Presidente do Conselho do Instituto Gerdau, André Gerdau, o Prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, e o Governador do Estado do Ceará, Elmano de Freitas. (Foto: Samuel Setubal/ O Povo)

Acesso para Gerdau será duplicado, diz prefeito

Na ocasião da reabertura da fábrica da Gerdau em Maracanaú, ontem, o prefeito do município, Roberto Pessoa (União Brasil), anunciou que a gestão irá investir na melhoria do acesso da unidade às saídas do Distrito Industrial.

Segundo Roberto, a Prefeitura oferece a intervenção como uma contrapartida ao investimento realizado pela empresa no município. As obras envolvem recapeamento e a criação de uma avenida no fim da rua onde fica localizada a Gerdau. "A Prefeitura vai recapear toda essa entrada, sinalizar e duplicar também. O que puder duplicar, vamos duplicar. E, se precisar, podemos continuar e ligar até o fim com uma avenida, nós vamos fazer também. (Se faltar espaço,) Nós vamos desapropriar", completa.

Ainda no assunto logística e malha rodoviária, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), deu atualizações sobre as obras do Anel Viário de Fortaleza. Ele explica que a Construtora Samaria, organização do Grupo Samaria, do empresário Cristiano Maia, assumirá a obra.

"A novidade que temos é a mudança no consórcio. Nós conversamos com a empresa, exigimos que houvesse uma mudança para que outra empresa, de porte, pudesse assumir para garantir que a obra fosse concluída e nós tivemos a entrada da Samaria", anuncia.

Segundo Elmano, a empresa tem experiência com outras licitações de obras públicas e tem tido uma taxa de realização positiva. O governador, no entanto, não deu detalhes sobre o novo prazo para entrega da obra. (Samuel Pimentel)

Leia mais em Reportagem, páginas 4 e 5; coluna do Érico Firmo, página 9, Economia, página 10; Cidades, páginas 14 e 15)

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Com 125 anos de história, a Gerdau atua na produção de aço, sendo fornecedora do tipo longo e de aços especiais. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro

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