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Prazo de obras do Anel Viário aumenta em mais 12 meses
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Economia

Prazo de obras do Anel Viário aumenta em mais 12 meses

Governo do Estado anuncia que empresa cearense entrou no consórcio e assumiu a operação, após a não entrega ao fim de 2025. Neste ano, obra completa 16 anos do início e 14 anos de postergações
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ANEL Viário teve obras paralisadas, mas foram retomadas (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE ANEL Viário teve obras paralisadas, mas foram retomadas

Pouco antes do fim do novo prazo de conclusão previsto pelo Governo do Estado, para dezembro de 2025, a Coesa Construção e Montagens, empresa que era responsável pelo consórcio do Anel Viário desde 2024, paralisou as obras.

Agora, com grupo cearense liderando a aliança de construtoras, a gestão estadual espera a conclusão para o fim de 2026, conforme a Superintendência de Obras Públicas (SOP). 

É uma postergação de mais 12 meses, de uma intervenção de 32 km que era para findar, inicialmente, em 2012.

Era de interesse do governo que uma empresa local tocasse a obra e a escolhida foi a Construtora Samaria, do grupo empresarial liderado pelo cearense Cristiano Maia, atuante em outros mercados, como o de camarão.

A informação foi revelada ao O POVO pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). “A novidade que temos é a mudança no consórcio. Nós conversamos com a empresa, exigimos que houvesse uma mudança para que outra empresa, de porte, pudesse assumir para garantir que a obra fosse concluída e nós tivemos a entrada da Samaria”, afirmou.

Segundo Elmano, a companhia tem experiência com outras licitações de obras públicas e tem tido uma taxa de realização positiva.

Ao O POVO, a SOP informou que a mudança no consórcio não implica alteração no valor total do projeto.

“A obra do Anel Viário de Fortaleza inclui a recuperação das pistas, a construção de uma ciclovia, além de acostamentos, retornos, alças e ramos nas interseções. A previsão para a conclusão dos trabalhos é até o fim de 2026”, disse em nota.

Empresa cearense Construtora Samaria é a nova participante do consórcio responsável pelos trabalhos no Anel Viário(Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Empresa cearense Construtora Samaria é a nova participante do consórcio responsável pelos trabalhos no Anel Viário

Outra construção naquela estrada diz respeito à duplicação do viaduto do Anel Viário sobre a BR-116. Embora não esteja prevista nesta fase, a SOP informa que um projeto está sendo desenvolvido para “atender a essa demanda futura”. O trecho costuma gerar engarrafamentos naquela região em horários de pico.

A duplicação do Anel Viário de Fortaleza é uma obra iniciada em 2010, cujo prazo inicial de entrega para 2012 tinha investimento anunciado de R$ 195 milhões pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Após uma sequência de problemas, como paralisações, abandono de obra por parte das empresas, falta de repasses e sequência de licitações desertas, a gestão foi estadualizada, mantendo a responsabilidade financeira da União.

Então o Governo Federal repassou aporte de quase R$ 100 milhões em 2024 para a conclusão da obra no fim do ano passado.

Em dezembro passado, a 20 dias do fim do prazo estipulado (após 15 anos de seu início), os trabalhos que se arrastavam há meses foram paralisados com direito a demissões e protesto de trabalhadores interrompendo o trânsito da rodovia, cobrando salário e benefícios trabalhistas.

Conforme o Governo do Estado, à época, a parada dos trabalhos foi ilegal e ocorreu por pendências do consórcio liderado pela Coesa Construção e Montagens (formado pelas empresas Coesa, Laca Engenharia, Dact Engenharia e Saied Engenharia) com os colaboradores.

A empresa já se encontrava em recuperação judicial antes de assumir a licitação, desde outubro de 2021.

Após o ato, uma série de entidades empresariais demonstrou preocupação. O POVO publicou no último dia 6 de janeiro uma reportagem que destacou a importância do Anel Viário no contexto logístico cearense.

Em 2026, obras do Anel Viário completam 16 anos(Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Em 2026, obras do Anel Viário completam 16 anos

Na oportunidade, o coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Heitor Studart, destacou que existem deficiências logísticas importantes para um Estado que prevê dobrar sua movimentação de cargas.

Isso aconteceria via Porto do Pecém, até o fim da década, a partir de 2028, com o início da operação da ferrovia Transnordestina.

Ele pontuou ainda que o caso do Anel Viário é o mais negativo, pois se arrasta desde 2010 de um trecho de “apenas” 32 km. “Talvez seja o eixo estruturante mais importante do estado do Ceará, pois interliga todas as três BRs, a 116, a 222 e a 020, sendo ligação com o Porto do Pecém.”

LINHA DO TEMPO DA DUPLICAÇÃO DO ANEL VIÁRIO DE FORTALEZA

  • 2010: Inicia o projeto de duplicação do Anel Viário de Fortaleza. O projeto abrange as rodovias estaduais CEs 010, 040, 060 e 065 e as federais BRs 116, 020 e 222. O projeto possui 32 km de extensão e previa a primeira pista em concreto do Estado.
  • 2012: No ano em que estava prevista a conclusão do projeto, ele está longe de acabar após a desistência das duas empresas melhor colocadas no edital de licitação. Após meses de atraso, o Governo do Estado assume obras e aumenta o prazo de entrega para 2013. Nos anos seguintes, quebras de contrato e novas paralisações dos trabalhos marcam o projeto, que sofre com problemas técnicos, de gestão e de falta de repasses de recursos.
  • 2019: Ainda com a obra inacabada, foram liberados os 32 km de Anel Viário com vias duplicadas. No entanto, os trechos não tinham retornos, calçadas ou eram conectados com indústrias localizadas nas margens da via, além de problemas de iluminação e sinalização.
  • 2021: Com anos de atraso, os primeiros trechos importantes do projeto foram entregues, incluindo um viaduto sobre a CE-065. No entanto, foi necessária a realização de uma nova licitação para trechos restantes, como as alças do entroncamento com a CE-060.
  • 2022: Após negociação entre Estado e União, o Governo do Ceará conseguiu estadualizar o projeto, que seria tocado sob responsabilidade cearense enquanto os recursos seriam repassados pelo Governo Federal. Apesar da mudança, licitações desertas marcaram o período, o que causou mais atrasos.
  • 2024: O Governo do Estado finalmente conseguiu licitar a obra - ainda que uma das empresas vencedoras estivesse em recuperação judicial quando assumiu o contrato. Na época, a União liberou quase R$ 100 milhões para a obra e o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), prometeu a entrega total do projeto (com alças de viadutos, retornos, iluminação e ciclovia) até o fim de 2025.
  • 2025: Em julho, a SOP que sete dos nove retornos já estavam com obras em andamento. No entanto, em dezembro, a semanas do encerramento do prazo de entrega firmado pelo governador, as obras foram paralisadas por incapacidade financeira de uma das empresas do consórcio. Segundo a SOP, o consórcio responsável pela obra deve incluir uma nova empresa que possa dar seguimento às obras.
  • 2026: Governo do Estado/SOP anunciam a entrada da Construtora Samaria no consórcio responsável pelas obras e os trabalhos são retomados. Empresa cearense e participante de outras licitações de obras públicas, é vista pelo governador como confiável para entrega do projeto. Foi firmado novo prazo de conclusão para as obras até o fim de 2026.
    Fonte: Governo do Estado/SOP/Governo Federal/Dnit
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