Resumo
Pouco antes do fim do novo prazo de conclusão previsto pelo Governo do Estado, para dezembro de 2025, a Coesa Construção e Montagens, empresa que era responsável pelo consórcio do Anel Viário desde 2024, paralisou as obras.
Agora, com grupo cearense liderando a aliança de construtoras, a gestão estadual espera a conclusão para o fim de 2026, conforme a Superintendência de Obras Públicas (SOP).
É uma postergação de mais 12 meses, de uma intervenção de 32 km que era para findar, inicialmente, em 2012.
Era de interesse do governo que uma empresa local tocasse a obra e a escolhida foi a Construtora Samaria, do grupo empresarial liderado pelo cearense Cristiano Maia, atuante em outros mercados, como o de camarão.
A informação foi revelada ao O POVO pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). “A novidade que temos é a mudança no consórcio. Nós conversamos com a empresa, exigimos que houvesse uma mudança para que outra empresa, de porte, pudesse assumir para garantir que a obra fosse concluída e nós tivemos a entrada da Samaria”, afirmou.
Segundo Elmano, a companhia tem experiência com outras licitações de obras públicas e tem tido uma taxa de realização positiva.
Ao O POVO, a SOP informou que a mudança no consórcio não implica alteração no valor total do projeto.
“A obra do Anel Viário de Fortaleza inclui a recuperação das pistas, a construção de uma ciclovia, além de acostamentos, retornos, alças e ramos nas interseções. A previsão para a conclusão dos trabalhos é até o fim de 2026”, disse em nota.
Outra construção naquela estrada diz respeito à duplicação do viaduto do Anel Viário sobre a BR-116. Embora não esteja prevista nesta fase, a SOP informa que um projeto está sendo desenvolvido para “atender a essa demanda futura”. O trecho costuma gerar engarrafamentos naquela região em horários de pico.
A duplicação do Anel Viário de Fortaleza é uma obra iniciada em 2010, cujo prazo inicial de entrega para 2012 tinha investimento anunciado de R$ 195 milhões pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Após uma sequência de problemas, como paralisações, abandono de obra por parte das empresas, falta de repasses e sequência de licitações desertas, a gestão foi estadualizada, mantendo a responsabilidade financeira da União.
Então o Governo Federal repassou aporte de quase R$ 100 milhões em 2024 para a conclusão da obra no fim do ano passado.
Em dezembro passado, a 20 dias do fim do prazo estipulado (após 15 anos de seu início), os trabalhos que se arrastavam há meses foram paralisados com direito a demissões e protesto de trabalhadores interrompendo o trânsito da rodovia, cobrando salário e benefícios trabalhistas.
Conforme o Governo do Estado, à época, a parada dos trabalhos foi ilegal e ocorreu por pendências do consórcio liderado pela Coesa Construção e Montagens (formado pelas empresas Coesa, Laca Engenharia, Dact Engenharia e Saied Engenharia) com os colaboradores.
A empresa já se encontrava em recuperação judicial antes de assumir a licitação, desde outubro de 2021.
Após o ato, uma série de entidades empresariais demonstrou preocupação. O POVO publicou no último dia 6 de janeiro uma reportagem que destacou a importância do Anel Viário no contexto logístico cearense.
Na oportunidade, o coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Heitor Studart, destacou que existem deficiências logísticas importantes para um Estado que prevê dobrar sua movimentação de cargas.
Isso aconteceria via Porto do Pecém, até o fim da década, a partir de 2028, com o início da operação da ferrovia Transnordestina.
Ele pontuou ainda que o caso do Anel Viário é o mais negativo, pois se arrasta desde 2010 de um trecho de “apenas” 32 km. “Talvez seja o eixo estruturante mais importante do estado do Ceará, pois interliga todas as três BRs, a 116, a 222 e a 020, sendo ligação com o Porto do Pecém.”
LINHA DO TEMPO DA DUPLICAÇÃO DO ANEL VIÁRIO DE FORTALEZA