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Sob pressão do comando do Exército, Evo renuncia após 13 anos no poder

Primeiro indígena a governar o país, Evo fala em golpe de Estado em meio a protestos por suspeitas de fraudes nas eleições
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EVO MORALES tentou a reeleição para chegar ao quarto mandato na Bolívia (Foto: Aizar RALDES / AFP)
Foto: Aizar RALDES / AFP EVO MORALES tentou a reeleição para chegar ao quarto mandato na Bolívia

O presidente boliviano Evo Morales renunciou ontem ao cargo após perder o apoio das Forças Armadas e da Polícia, depois de três semanas protestos contra uma polêmica reeleição.

"Renuncio a meu cargo de presidente para que (Carlos) Mesa e (Luis Fernando) Camacho não continuem perseguindo dirigentes sociais", disse Morales em discurso televisionado, referindo-se aos líderes opositores que convocaram protestos contra ele, desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro.

O agora ex-presidente disse que se confirmou "o golpe de Estado que temos denunciado desde 21 de outubro". Morales afirmou que era sua "obrigação" como primeiro presidente indígena do país buscar a pacificação, após semanas de protestos.

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Evo enfrentou ontem uma avalanche de renúncias de altos funcionários, em alguns casos depois de terem tido suas casas incendiadas, e pela pressão decisiva dos militares e da Polícia, que pediram sua renúncia.

Os resultados de uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA), que detectou "sérias irregularidades" nas eleições, consideradas fraudulentas pela oposição, desencadearam os acontecimentos que resultaram na renúncia.

Sobre o assunto:

Pela manhã, a OEA emitiu em comunicado: "O primeiro turno das eleições realizado em 20 de outubro deve ser anulado e o processo eleitoral deve começar novamente (...) assim que houver novas condições que deem novas garantias para sua realização, entre elas uma nova composição do órgão eleitoral".

"A comissão da auditoria da OEA tomou uma decisão política" ao exigir novas eleições na Bolívia, declarou Evo pela televisão pouco depois de anunciar a renúncia. "Alguns técnicos da OEA estão a serviço de grupos de poder", acrescentou.

A police officer holds a crucifix among comrades and people taking to the streets of Santa Cruz to celebrate the resignation of Bolivian President Evo Morales on November 10, 2019. - Morales announced his resignation on Sunday, caving in following three weeks of sometimes-violent protests over his disputed re-election after the army and police withdrew their backing. (Photo by DANIEL WALKER / AFP)
A police officer holds a crucifix among comrades and people taking to the streets of Santa Cruz to celebrate the resignation of Bolivian President Evo Morales on November 10, 2019. - Morales announced his resignation on Sunday, caving in following three weeks of sometimes-violent protests over his disputed re-election after the army and police withdrew their backing. (Photo by DANIEL WALKER / AFP)

Morales, no poder desde 2006, conquistou o quarto mandato até 2025 em primeiro turno ao obter 47,08% dos votos e superar por mais de dez pontos percentuais o centrista Mesa (36,51%), mas a oposição denunciou uma fraude e foi às ruas exigir sua renúncia.

Os protestos começaram na região oriental de Santa Cruz, a mais rica da Bolívia, e foram se estendendo a outras cidades, incluindo La Paz.

Horas após a renúncia, o México ofereceu asilo político a Evo, depois que a embaixada mexicana na Bolívia deu abrigo a funcionários e parlamentares alinhados ao governo de Morales, informou o chanceler mexicano Marcelo Ebrard.

"O México, conforme sua tradição de asilo e não intervenção, recebeu 20 personalidades do Executivo e do legislativo da Bolívia na residência oficial em La Paz, de modo que ofereceríamos asilo também a Evo Morales", escreveu Ebrard via Twitter.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, elogiou Morales no Twitter por ter renunciado para apaziguar a conturbada situação na Bolívia, abalada por manifestações opositoras, um motim de policiais e o pedido de militares para que renunciasse. (AFP)

Pegue um vídeo divulgado pela TV da Bolívia mostrando o presidente boliviano Evo Morales saindo depois de anunciar sua renúncia em 10 de novembro de 2019 em um discurso televisionado de Cochabamba, Bolívia, que cedeu nas três semanas de protestos às vezes violentos sobre sua reeleição disputada depois que o exército e a polícia retiraram seu apoio. - A Organização dos Estados Americanos realizou uma auditoria das eleições e, no domingo, reportou irregularidades em quase todos os aspectos que examinou: a tecnologia utilizada, a cadeia de custódia das cédulas, a integridade da contagem e as projeções estatísticas. (Foto de HO / Bolivia TV / AFP) / RESTRITO AO USO EDITORIAL - CRÉDITO OBRIGATÓRIO "FOTO AFP / BOLÍVIA TV / HO" - SEM MARKETING - SEM CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS - DISTRIBUÍDO COMO SERVIÇO AOS CLIENTES
Pegue um vídeo divulgado pela TV da Bolívia mostrando o presidente boliviano Evo Morales saindo depois de anunciar sua renúncia em 10 de novembro de 2019 em um discurso televisionado de Cochabamba, Bolívia, que cedeu nas três semanas de protestos às vezes violentos sobre sua reeleição disputada depois que o exército e a polícia retiraram seu apoio. - A Organização dos Estados Americanos realizou uma auditoria das eleições e, no domingo, reportou irregularidades em quase todos os aspectos que examinou: a tecnologia utilizada, a cadeia de custódia das cédulas, a integridade da contagem e as projeções estatísticas. (Foto de HO / Bolivia TV / AFP) / RESTRITO AO USO EDITORIAL - CRÉDITO OBRIGATÓRIO "FOTO AFP / BOLÍVIA TV / HO" - SEM MARKETING - SEM CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS - DISTRIBUÍDO COMO SERVIÇO AOS CLIENTES

OEA

O governo da Colômbia pediu ontem uma "reunião urgente" do conselho permanente da OEA pela renúncia de Evo Morales. para que se assegure que "os cidadãos bolivianos possam se expressar livremente nas urnas e eleger um novo governo com plenas garantias para sua participação".

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