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Valéria Burity: A reconstrução do Brasil com redução da pobreza e da fome
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Opinião

Valéria Burity: A reconstrução do Brasil com redução da pobreza e da fome

.A pobreza recuou de 27,3% para 23,1% em 2025, o que significa 8,6 milhões de pessoas a menos nessa condição. A extrema pobreza caiu de 4,4% para 3,5%, retirando 1,9 milhão de pessoas da privação extrema de renda
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Valéria Burity

Secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS

A Síntese de Indicadores Sociais 2025 revela um Brasil que volta a trilhar o caminho da reconstrução social. Repetindo a tendência dos anos de 2023 e 2024, houve novamente redução da pobreza e da extrema pobreza, após o período anterior de retrocessos sociais.

A pobreza recuou de 27,3% para 23,1%, o que significa 8,6 milhões de pessoas a menos nessa condição. A extrema pobreza caiu de 4,4% para 3,5%, retirando 1,9 milhão de pessoas da privação extrema de renda. No acumulado de 2023 e 2024, estima-se que aproximadamente 17,5 milhões de pessoas tenham superado a condição de pobreza e cerca de 5 milhões tenham deixado a situação de extrema pobreza no país.

Há um dado crucial: sem aposentadorias e pensões, a extrema pobreza entre idosos saltaria de 1,9% para 35,4%. O IBGE também demonstra que, sem os programas sociais, a extrema pobreza teria triplicado, saltando para 10% da população.

Os dados também reforçam que a pobreza e a fome não são sinônimos, mas caminham juntas. Quando o trabalho volta a crescer, a renda melhora e as políticas sociais são fortalecidas, o país reduz a pobreza e cria condições para reduzir a fome.

Os resultados recentes da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) mostram que o Brasil retornou ao seu menor nível histórico de fome: 3,2% dos domicílios, o mesmo patamar de 2013. Na mesma linha, as estimativas da FAO confirmaram a Prevalência de Subalimentação abaixo de 2,5% e o país saiu novamente do Mapa da Fome.

A redução da pobreza e o recuo da fome têm raízes comuns. Política econômica orientada à geração de emprego e renda somada ao fortalecimento dos programas sociais. O IBGE mostra que os efeitos são diretos: entre os ocupados, apenas 0,6% estavam abaixo da linha de extrema pobreza; entre os desocupados, esse índice saltava para 13,7%.

Essa reconstrução se materializa de forma decisiva no Plano Brasil Sem Fome, que integra acesso à renda, proteção social e apoio à produção e ao consumo de alimentos adequados e saudáveis. Merece destaque a retomada do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), assim como o fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do SUS.

Sem esse arranjo estrutural, não haveria capacidade de resposta compatível com a dimensão do desafio que o país enfrentava em janeiro de 2023, quando 33 milhões de pessoas estavam em situação de fome.

O Brasil mostra, mais uma vez, que é possível enfrentar e vencer a pobreza e a fome. Ainda convivemos com desigualdades e ainda há corpos e territórios onde a fome dói. Mas o caminho que estamos trilhando revela algo fundamental: quando o país coloca o combate à fome e à pobreza no centro da agenda, a vida das pessoas muda.

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