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Operação da PF contra Bivar foi pedida em agosto, mas só autorizada agora
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Operação da PF contra Bivar foi pedida em agosto, mas só autorizada agora

Investigação tem como alvo presidente do nacional do PSL, que vive crise interna com ala bolsonarista
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Luciano Bivar comanda União Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Luciano Bivar comanda União Brasil

A operação de busca e apreensão em endereços ligados ao presidente do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE), havia sido pedida em agosto pela Polícia Federal (PF). A autorização da Justiça chegou a ser negada em primeira instância, mas foi dada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) após o Ministério Público recorrer. Deputados ligados ao dirigente do partido atribuem a operação a uma espécie de retaliação do presidente Jair Bolsonaro, que discute deixar a legenda.

A Operação Guinhol, deflagrada na manhã de ontem, apura supostas fraudes na aplicação de recursos destinados a candidaturas femininas em Pernambuco. Segundo a PF, há indícios de que o dinheiro público destinado às campanhas foi usado "de forma fictícia" e "desviado para livre aplicação do partido e de seus gestores".

A investigação começou em março e foi autorizada pelo TRE-PE após suspeitas envolvendo a campanha da candidata à deputada federal Maria de Lourdes Paixão, que teria atuado como "laranja" para receber R$ 400 mil de verba eleitoral.

"Representantes locais de partido político teriam ocultado/disfarçado/omitido movimentações de recursos financeiros oriundos do fundo partidário, especialmente os destinados às candidaturas de mulheres", diz a PF.

Após a operação, o advogado Admar Gonzaga, que tem aconselhado Bolsonaro, disse que a operação contra Bivar logo após as desavenças públicas com o presidente foi uma "coincidência". Ele não descarta, porém, que as investigações possam futuramente ser usadas como justificativa para uma saída de Bolsonaro e de aliados do PSL.

"Foi uma coincidência. Mas a Justiça também está atenta. Naturalmente, se alguma coisa for desvendada negativamente em face da direção do PSL em Pernambuco, a lei será aplicada. Se isso tiver relação com a direção nacional (do PSL), dessa atual gestão, naturalmente também será utilizada (na discussão sobre a saída de Bolsonaro do partido)", afirmou Gonzaga, que é ex-ministro do TSE, em entrevista à Rádio Gaúcha.

A defesa de Bivar se manifestou sobre o mandado de busca e apreensão deflagrado ontem e afirma que "vê a situação fora de contexto".

Na nota, o escritório de Ademar Rigueira, que responde pela defesa do deputado e do PSL em Pernambuco, "enfatiza que o inquérito já se estende há 10 meses, já foram ouvidas diversas testemunhas e não há indícios de fraude no processo eleitoral".

Para a defesa, a "busca é uma inversão da lógica da investigação, vista com muita estranheza pelo escritório, principalmente por se estar vivenciando um momento de turbulência política".

O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), sinalizou que a fala de Jair Bolsonaro na semana passada sobre o partido, dita a um popular na porta do Alvorada, foi um sinal de que a operação da PF contra Luciano Bivar poderia ocorrer. "Só o Saci Pererê e o Papai Noel que não sabiam dessa operação da PF", disse. "Todo mundo sabia depois da fala do presidente na semana passada. Ele deu o recado", afirmou.

No último dia 8, ao ser abordado diante do Palácio da Alvorada por um apoiador que disse ser pré-candidato a vereador da legenda no Recife, Bolsonaro pediu a ele para "esquecer" o PSL e afirmou que Bivar "está queimado para caramba".

"Nada é sem razão, sem motivo. Ok? Não viu o que eu disse? Bivar estava esperando a PF com cafezinho", afirmou Waldir. (Agência Estado)

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